Evento destaca trajetória feminina e alerta sobre violência

Marcus Motta

Com o intuito de homenagear as mulheres e conscientizá-las quanto às formas de se combater a violência doméstica, um dos grandes males enfrentados na atualidade, foi realizada em Cândido Mota a exposição “De Luzia Aos Nossos Dias”. O evento ocorreu na escola estadual “Clotilde de Castro Barreira” (Grupão), na última sexta-feira, sábado e domingo.

No primeiro dia, a realização contou com uma abertura especial, presidida pelos organizadores do evento, a diretora da escola Laura Cavina Marroni, e Sílvio Luís de Carvalho, responsável pelo projeto Chance à Paz.

Na oportunidade foi entoado o hino nacional, e houve apresentação de dança, cigana, pela jovem Valéria Ananias de Carvalho, que é portadora de síndrome de down. A iniciativa quis demonstrar que ‘se é difícil ser mulher, imagine ser mulher e portadora de deficiência (seja ela qual for) ao mesmo tempo’.  

A diretora da escola Laura Cavina, também demonstrou durante a abertura sua satisfação em sediar o evento, ao retratar na exposição a trajetória feminina no Brasil, no mundo e em Cândido Mota, além de maneira especial recordarem as mulheres que foram diretoras do Grupão. O trabalho envolveu pesquisa dos professores e alunos.

Posteriormente, Sílvio Luís iniciou a palestra prevista em substituição à professora Maria Elvira Bellotto que não pôde comparecer devido a questões de saúde. Ele procurou despertar no público presente, entre os quais destaca-se participação da vice-prefeita Inês Pimentel, primeira dama Néia Bueno, vereador José Pereira da Silva ‘Zezão’ e secretário municipal Ademir Fernandes da Cruz, que o fim da violência doméstica é, em grande parte, responsabilidade das mulheres, uma vez que são vítimas e como tal devem denunciar seus agressores, assim como fez Maria da Penha.

Foram utilizadas ao todo cinco músicas para ilustrar a palestra. Para falar sobre a trajetória feminina ao longo da história e a condição de servidão em relação ao homem, foi ouvida a música de Tom Zé, “Mulher Navio Negreiro”.

Segundo Silvio Luís, uma forma de ao menos minimizar a situação de violência seria, por exemplo, a criação de um conselho ou comitê feminino na cidade, onde as mulheres em situação de risco ou agredidas pudessem buscar orientação e apoio, o que é previsto na Lei Maria da Penha. Porém, isso só será feito caso as próprias mulheres se mobilizem. Mobilizadas, elas devem procurar ampliar seu espaço na política, na economia e mercado de trabalho, na família e na sociedade.

Ele disse ainda que a violência doméstica não é restrita apenas às agressões físicas, mas também a pior das formas, a psicológica, pois não deixa seqüelas visíveis.

O evento buscou ainda no sábado e domingo dar continuidade aos objetivos e assuntos tratados na palestra, mediante a exposição de fotos, dados básicos e exibição de vídeos.

“Felizmente a exposição alcançou as finalidades propostas, seja na palestra de conscientização, como nas homenagens apresentadas com as fotos, e os alertas sobre a violência nos vídeos. Algumas mulheres disseram ter ficado emocionadas e que saíram do local reconfortadas e revigoradas”, disse Sílvio Luís, agradecendo, na seqüência em conjunto com Laura Cavina, todos que se envolveram no trabalho mencionado.

“A exposição foi realizada em parceria entre o Projeto Chance à Paz, escola Grupão e o programa “Escola da Família”. Contou também com o apoio das rádios A Voz do Vale e Mensagem, da CMOTAnet, e do jornal O Diário do Vale, aos quais cabem nossos sinceros agradecimentos.

O apoio de todos foi fundamental, bem como vale ressaltar o público que prestigou o evento”, finalizaram os organizadores.

O termo Luzia, retratado no tema da exposição, faz referência ao fóssil do crânio de uma mulher encontrado na década de 70, em Minas Gerais, cujo descobridor deu o nome de Luzia. O fóssil tem idade estimada de 11.500 anos, sendo assim o mais antigo da América do Sul.