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‘Produtores rurais mais uma vez injustiçados’
“A história se repete. Muda o vilão ou quem bate, porém quem
continua apanhando é novamente o produtor rural brasileiro, o
‘burro de carga do agronegócio’”. Assim define, indignado, João
Motta, presidente do Sindicato Rural de Cândido Mota, sobre o
não reconhecimento pelo Governo do Estado, dos decretos de
emergência dos 22 municípios que compõem o Civap - Consórcio
Intermunicipal do Vale Do Paranapanema.
“Em 2005, por motivos de estiagem que causaram sérios prejuízos
ao produtor rural e à economia regional, tivemos a situação de
emergência reconhecida em todo o Médio Vale do Paranapanema
pelas 22 prefeituras. No caso de Cândido Mota, o Decreto
Municipal nº 1.916/2005, foi homologado pelo governo estadual e
pelo governo federal através do ministério da integração
nacional. Por consequência, todo um processo de renegociação de
dívidas se instalou no país e sucessivas prorrogações foram
feitas em 2008”, explicou Motta.
Em 17 de setembro de 2008, o Congresso Nacional decretou e o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.775
juntamente com resoluções do Banco Central. “No entanto, por
descaso e falta de empenho das lideranças políticas de São
Paulo, o Banco Central, através da resolução n.º 3.597, de 29 de
agosto de 2008, concedeu prazos e condições diferenciadas a
outros estados atingidos pela estiagem, deixando São Paulo de
fora”, lembrou Motta.
Todavia, em 29 de janeiro de 2009, a resolução 3.676, corrigiu a
injustiça por conta de trabalho intenso de entidades de classe,
principalmente sindicatos rurais e lideranças políticas
regionais. “Muito embora muitos produtores ainda não tenham se
informado a respeito de seus direitos, e muitas instituições
financeiras ignorarem as resoluções do Banco Central fazendo
suas próprias leis em detrimento da quebra do produtor rural”,
disse
E prosseguiu: “Infelizmente, a história se repete. Mais uma vez
tivemos sério problema de estiagem de novembro a dezembro de
2008, e laudos da Cati comprovam perdas significativas. Diante
disso, unimos todas as nossas forças: Sindicatos, Casa da
Agricultura e prefeituras, para através das respectivas
secretarias municipais da Agricultura, e com o empenho do Civap
e de todos os prefeitos da região, mais uma vez termos a
situação de emergência reconhecida pelos municípios da região”.
Em Cândido Mota, Motta lembrou que o Decreto Municipal nº 2.628,
de 06 de fevereiro de 2009, reconheceu a situação de emergência.
“Entretanto, infelizmente, não sei se por erros técnicos de
interpretação ou por má vontade política e descaso com os nossos
produtores, os decretos municipais não foram homologados pelo
‘Excelentíssimo’ Governador do Estado de São Paulo José Serra”,
esbravejou Motta.
Ele explicou que na última semana, após intensas pressões dos
sindicatos e entidades ligadas ao setor, (Federações de Estados
e CNA - Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária), o
Governo Federal, através de voto do Conselho Monetário Nacional
e resolução do Bacen nº 3.730, de 29 e maio de 2009, instituiu
nova renegociação de dívidas, com novos prazos e prorrogações ao
produtor rural. “Contudo, mais uma vez, os produtores de São
Paulo ficaram fora”.
Transposição
“Dessa maneira, já tem até produtor rural dizendo que precisamos
fazer a transposição do rio Paranapanema e passarmos para o
Estado do Paraná. É uma vergonha estar no Estado mais rico da
federação e ter que continuar importando bastante alimentos de
outros estados, sendo que temos a maior população do Brasil. Não
poderíamos investir nos produtores paulistas?” irrita-se; e
continua: “Não dá para suportar mais o descaso e o abandono com
que os agricultores de São Paulo estão sendo tratados”, frisa
Motta.
O sindicalista vai além e também revela que não é só na questão
de crédito rural e dívidas agrícolas que os agricultores
paulistas são descriminados. “No Paraná e demais estados,
observamos políticos, como o senador Osmar Dias e o deputado
federal Luciano Pizzatto, que defendem o equilíbrio ambiental
com respeito ao produtor rural. Enquanto em São Paulo, nossos
senadores e deputados repudiam e ignoram o valor do produtor
rural paulista”, argumenta.
Para Motta, ‘enquanto o secretário do meio ambiente pressiona
prefeitos, o governador se omite e o vice assina decreto na área
ambiental, prejudicando a atividade agrícola no Estado’. “Os
políticos de todo o Estado estão nos vendendo em troca de apoio
das ONGs e da população urbana, enquanto o produtor está sendo
esmagado”, ressalta.
Segundo Motta, é ‘repugnante o tratamento que o produtor mais
competente do país recebe’. “Fomos o primeiro a desenvolver o
país na área agrícola, e agora somos humilhados e ignorados por
nossas autoridades políticas. Acredito que não devemos plantar
nada em todo território paulista e irmos para outro Estado
produzir alimentos. Vamos deixar nosso povo comer automóveis e
produtos industrializados??”, ironiza o sindicalista.
De acordo com Motta, para se ter ideia de como a agricultura vem
perdendo espaço ao longo dos anos, ‘basta ver a avenida
paulista, na capital, um dos metros quadrados mais caros do
mundo, que já pertenceu aos proprietários de café no início do
século XX, e hoje está sob os domínios dos banqueiros’.
“Portanto, chega de políticos omissos e descomprometidos com
nossos produtores. Os ‘bandeirantes’, os desbravadores, os
herois deste Estado não merecem passar por isso”, esbraveja João
Motta.
De acordo com o líder sindical, os ‘produtores pagam pelo único
crime, que foi produzir alimentos e desenvolver o Estado ao
longo dos anos’. “Enquanto eram explorados e sugados para
desenvolver a indústria paulista, o sistema financeiro e o
enriquecimento de políticos corruptos e omissos era evidentes.
Os nossos herois estão sendo tratados como bandidos, mas é bom
lembrar que temos direito a um advogado para nos defender”,
destacou.
Por fim, Motta adiantou que já comunicou através de ofício, o
presidente do Civap, Reinaldo Custódio da Silva, bem como o
prefeito de Cândido Mota, Carlos Roberto Bueno, para que tomem
as providências cabíveis no caso. “Solicitamos que eles
intervenham junto às autoridades estaduais competentes para
exigir o reconhecimento do decreto municipal de emergência dos
22 municípios do Civap. Isso para que a Resolução do Bacen
3.730, de 28 de maio de 2009, também possa se estender ao
produtor rural do Vale do Paranapanema, corrigindo mais essa
injustiça”, finaliza. (Colaborou Assessoria de Imprensa)
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