As condições de
trabalho dos trabalhadores rurais é atualmente uma
das preocupações dos muitos sindicalistas do país.
Devido a essa preocupação, no último dia 25, o
representante do Sindicato dos Empregados Rurais de
Cândido Mota, Marcos Rodinei dos Santos e Marcos
Leite, que representou a FERAESP (Federação dos
Empregados Rurais do Estado de São Paulo), estiveram
no Palácio do Buriti, em Brasília juntamente com o
representantes de 305 usinas Brasil, que
assinaram o Termo de Compromisso Nacional para
Aperfeiçoamento das Condições de Trabalho na
Cana-de-Açúcar.
O presidente da
república Luis Inácio Lula da Silva e o presidente
da FERAESP Hélio Neves também estiveram presentes na
solenidade de assinatura do termo que traz vários
benefícios para os trabalhadores rurais de todo
Brasil.
De acordo com Marcos
Rodinei dos Santos, esse compromisso visa garantir
aos trabalhadores rurais, melhores condições de
trabalho.
“Esse compromisso foi
constituído por meio de uma mesa de diálogo que teve
a participação de representantes da FERAESP, CONTAG
(Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura), UNICA (União da Agroindústria do
Estado de São Paulo e Fórum Nacional Sucroenergético)
que foi instalada em julho do ano passado pelo
presidente Lula sob a coordenação da Secretaria
Geral da presidência da República, da qual saíram 18
itens aprovados, que foram englobados no termo de
compromisso que foi assinado pelos usineiros”, disse
Marcos.
Atualmente o Sindicato
de Cândido Mota conta com aproximadamente 1500
trabalhadores de usinas, sendo que desses, cerca de
800 são cortadores de cana, os demais realizam
outras funções. Todos serão beneficiados com o termo
de compromisso.
Ele ressaltou ainda que
o compromisso tem como objetivo promover e tornar
mais seguro e humano o cultivo da cana-de-açúcar,
além de promover a reinserção ocupacional dos
trabalhadores desempregados pelo avanço da
mecanização.
Entre o itens que
compõem o termo de compromisso, o sindicalista
ressalta a importância do sistema de contratação dos
trabalhadores rurais. Antes, toda vez que um
funcionário era admitido na usina era necessário que
ele cumprisse de 45 a 90 dias de experiência, mesmo
que já tivesse trabalhado anos na mesma, ou em outra
empresa, agora, porém será diferente: o trabalhador
que já tiver experiência será contratado de
imediato, não existirá mais o tempo de adequação.
Outro problema
gravíssimo apontado por Marcos Rodinei consistia nos
chamados ‘gatos’, empreiteiros que recebiam por
comissão das usinas, e por isso, contratavam
trabalhadores e os faziam trabalhar além do
permitido. Com a mudança, os empreiteiros, agora
serão contratados pela Usina recebendo salário fixo
pelos trabalhos prestados, diminuindo assim os
abusos contra os trabalhadores, que muitas vezes
exerciam atividades muito além do permitido.
A partir de agora,
também na hora da contratação, os trabalhadores
rurais terão que ser informados sobre o preço mínimo
da cana, cujo valor poderá ser maior, mas nunca
menor do que o apresentado aos trabalhadores na data
da contratação- é a chamada transparência na
aferição de produção.
Um item de extrema
importância ,de acordo com Marcos Rodinei, é a
obrigatoriedade de que as usinas ofereçam aos
trabalhadores rurais cursos de aperfeiçoamento,
capacitações, qualificações e requalificações, assim
como também de alfabetização para que assim que
forem dispensados do emprego, possam novamente serem
recolocados em outros setores.
“A qualificação e
requalificação dos trabalhadores é um item muito
importante, pois assim quando forem dispensados do
emprego, eles podem tentar a recolocação no mercado
de trabalho em outra área. Muitos trabalhadores,
quando eram dispensados do emprego acabavam ficando
tempo sem conseguir uma nova colocação devido à
limitação, o que mudará de agora em diante, pois
passarão por cursos de qualificação dentro da
própria empresa”, completou Marcos Rodinei.
Migração
Na visão do
sindicalista outro grande problema que apesar de não
ser a realidade daqui da região, acontecia em vários
outros lugares quando os empreiteiros ‘gatos’
contratavam os migrantes, que na maioria das vezes
são nordestinos, e os levavam distantes para
trabalhar fazendo-os de escravos.
A partir da assinatura
do compromisso, os trabalhadores só poderão ser
contratados pelo Sistema Público de Empregos do
governo Federal impedindo que se continue existindo
o trabalho escravo.
Usinas da região aderem
ao compromisso
De acordo com Marcos
Rodinei, proprietários e representantes das Usinas
NovAmérica - unidades de Tarumã e Maracaí; Usina
Paralcool, Cocal, Ibéria, e Açucareira Quatá,
estiveram em Brasília e assinaram o termo de
compromisso assumindo cumprir as novas normas.
Não estiveram presentes
nesse dia, nenhum representante da Usina Pau d’alho,
Novo Horizonte e água Bonita para a assinatura do
documento, porém podem ter assinado após.
Fiscalização
Os sindicatos serão os
responsáveis pela fiscalização averiguando através
de denúncias ou até mesmo indo no local para ver se
as normas estão sendo cumpridas.
De acordo com Marcos Leite, caso a usina descumpra
os compromissos, ela não conseguirá o selo que
possibilita a exportação de seus produtos, e ficará
impedida de vender seus produtos para fora do país,
o que poderá ocorrer internamente também.
Após ser constatado o descumprimento por parte de
alguma usina, os sindicalistas farão a denúncia à
FERAESP que se encarregará de verificá-la e tomar as
demais providências.