Comerciantes da região foram vítimas de quadrilha

A equipe da Polícia Civil prendeu em São Paulo uma quadrilha que aplicava o ‘golpe do boleto’ em comerciantes de todo o Estado. A quadrilha, composta por cerca de 20 pessoas, chegou a enviar diversos boletos a comerciantes da região. Em Assis um  ex-proprietário de um bar, A.P.C., de 71 anos recebeu diversos boletos de cobrança, no valor de R$ 2590, em nome de um suposto sindicato. O aposentado, por pouco não caiu no golpe.

“Diversas vezes eles enviaram esse boleto para mim, e acredito que tinham meu endereço devido por eu ter sido proprietário de um bar. A princípio achei que tinha que pagar, mas após solicitar orientações, soube que não devia pagar, pois seria um golpe. Outros comerciantes do bairro também receberam o boleto de cobrança. Estranhei porque o tal boleto não possuía número de nenhum documento”, disse o aposentado.

Segundo informações da polícia os estelionatários ofereciam serviços gratuitos a empresas e, após enviarem boletos de cobrança pelos serviços, ameaçavam protestar as empresas e enviar o nome delas aos serviços de proteção ao crédito. Havia 20 pessoas acusadas de envolvimento no esquema. Foram apreendidos comprovantes de ações judiciais e fichas cadastrais que provam que os estelionatários fizeram centenas de vítimas.

Foram apreendidos 18 computadores, que foram encaminhados para a perícia e também foram encontrados roteiros manuscritos fixados nas paredes, que seriam seguidos pelos funcionários das falsas associações durante as ligações telefônicas. 

Os estelionatários aplicavam o golpe de duas formas. Por meio de falsas associações e sindicatos, conseguiam dados de empresas em juntas comerciais e em publicações do Diário Oficial. Com as informações, emitiam boletos bancários com valores entre R$ 100 e R$ 500.

Também enviavam fax para as empresas solicitando que confirmassem o cadastro para que fossem publicados anúncios gratuitos em listas telefônicas. Após confirmar as informações no documento, que deveria ser devolvido com assinatura e carimbo, a empresa recebia boletos para pagamento.

Os estelionatários justificavam a cobrança dizendo que, ao contrário do contratado, o anúncio foi publicado em um site. Uma empresa de cobrança então entrava em contato com as vítimas ameaçando incluir o nome da empresa em órgãos como SPC e Serasa.

Segundo o delegado Paulo Roberto Robles, chefe da Divisão de Crimes Contra o Consumidor, do DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania) que comandou a ação que resultou na prisão da quadrilha  o comerciante pagava pensando que estava se afiliando a um sindicato ou a uma associação oficial, mas que na realidade não oferecia nada em troca.