Polícia Civil de CM desbanca quadrilha de ‘golpe do telefone’

Polícia Civil de Cândido Mota, representada pelo delegado Luiz Antonio Ramão, efetuou a prisão de uma das responsáveis pelo golpe do telefone no município. Recentemente alguns moradores foram enganados mediante ligações, onde pessoas se passavam por ‘netos e sobrinhos’, e solicitavam determinada quantia em dinheiro. Ao todo o golpe ocasionou prejuízo de aproximadamente R$10 mil em Cândido Mota. Porém há informações de que a quadrilha agia em diversas cidades, inclusive com saques realizados em São Paulo e Rio de Janeiro. No caso das vítimas de Cândido Mota, os saques ocorreram em Pindamonhangaba.

Segundo o delegado, no dia 30 de junho foi instaurado inquérito policial para apurar os fatos, e logo após representou a decretação da prisão temporária de Maria Luiza Claudino dos Santos (26 anos).

“Chegamos até Maria Luiza devido às contas bancárias estarem em seu nome. Posteriormente, já dentro do inquérito policial, verificamos que a sua foto constante no arquivo da Polícia Civil (em expedição de RG), era a mesma constante no contrato de abertura das contas correntes. Além disso as fotografias obtidas pelas câmeras do sistema de vídeo das agências onde foram efetuados os saques eram muito semelhantes à sua. Mediante tal contexto é que solicitamos a prisão temporária de Maria Luiza junto ao poder judiciário, bem como autorização para buscas em sua residência”, esclareceu o delegado.

A partir daí, na madrugada de terça-feira, Ramão viajou para São Paulo acompanhado dos policiais civis, Tomás, Jesus e Marcelo. Por volta das 11h chegaram ao Jardim Robru, que fica situado no final da zona leste na capital. Na ocasião foram recebidos pelo pai, irmão e pai de Maria Luiza, e efetuadas buscas na residência. Mediante o trabalho desenvolvido, foram encontrados comprovantes de saques e depósitos em suas contas correntes, além de uma caixa de ‘sedex’ contendo o endereço de onde ela se encontrava. Ela estaria em Pindamonhangaba cuidando de um familiar.

Terminada a operação, a equipe deslocou-se então até o local citado, e mais uma vez não localizaram Maria Luiza. Seus familiares disseram que ela teria ido ao Terminal Rodoviário, e na seqüência voltaria para São Paulo.

Ramão então novamente empreendeu buscas até a Rodoviária, onde obtiveram êxito em sua localização. Ela recebeu voz de prisão e encaminhada até a delegacia de Cândido Mota para prestar depoimento.

O interrogatório durou cerca de duas horas, onde alegou inocência, mesmo se reconhecendo nas fotos do momento em que efetuava os saques nas agências bancárias. A acusada declarou em sua versão ajudar apenas um amigo que conheceu através de um serviço da TIM, denominado Blachat. Eles foram mantendo contato, se conheceram pessoalmente, e ela acabou fornecendo contas para que o amigo movimentasse. Posteriormente, ele pedia para efetuar os saques dizendo que eram referentes à venda de tecidos.

“Apesar da história apresentada, pudemos obter outras informações que necessitam maior investigação do caso. Maria Luiza foi então recolhida até a Cadeia de Lutécia, sendo que o prazo de detenção termina no sábado. Como o inquérito ainda não foi concluído, devo pedir a prorrogação da prisão temporária por mais cinco dias, e somente ao final solcitar a decretação da prisão preventiva”, declarou Ramão.

Ele diz ainda que as contas utilizadas para o golpe foram bloqueadas, a fim de que outras pessoas não venham a ser lesadas. O delegado também adiantou que irá decretar a quebra de sigilo bancário e telefônico da acusada, a fim de analisar as movimentações efetuadas, e também chegar até esse ‘amigo’, que ela apontou no interrogatório.

“Ela declarou que esse amigo é um argentino, e como nas ligações não havia sotaque, acreditamos que o golpe tem o envolvimento de mais pessoas. Os acusados devem, portanto, responder por crime de estelionato, cuja pena é de um a cinco anos, bem como por formação de quadrilha, que tem como pena de um a três anos de reclusão”, concluiu o delegado, dizendo que as vítimas deverão entrar com pedido de restituição do dinheiro perdido.