Entidades se rebelam contra decreto

O setor rural da região já está se articulando para rebater o decreto  6.514, de 22 de julho, que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais.  Várias entidades ligadas à agropecuária estão expressando descontentamento e questionando sua validade tanto do ponto de vista legal como constitucional, pois afirmam que muitos dispositivos incluídos no decreto ferem a Constituição e ou não foram previstos em lei.

O principal ponto que atinge os produtores rurais é a penalidade pela não averbação da reserva legal que pela lei ambiental equivale a 20% da propriedade. Aliás, esta questão é polêmica e muito debatida pelo setor por ter sido imposta e por não apresentar fundamento em base científica que comprove ou justifique o benefício desse percentual  para reserva legal em função da preservação ecológica. O decreto 6514 dá um prazo de 180 dias, a partir da data de sua publicação, para a regularização e averbação da reserva legal e prevê multa de R$ 500 a R$ 100 mil em caso de autuação e multa diária de R$ 50 a R$ 500 por hectare ou fração da reserva legal.

Para o presidente do Sindicato Rural de Assis, Orson Mureb Jacob, o decreto veio para responder às pressões externas que o governo federal tem sofrido por causa do desmatamento na Amazônia e outras questões ambientais com projeção mundial. “O governo pressionado, e sem exigir uma contrapartida daqueles que o pressionam, acaba descontando no  país como um todo através de um decreto casuístico, e que vai afetar tanto a produção de alimentos, as exportações e a redução do PIB nacional,” declara Jacob.

De acordo com o sindicalista, o decreto reacendeu uma velha discussão em torno das leis ambientais e da falta de uma política sensata para o setor e cobrou do governo uma contrapartida por esse apoio. “Os produtores sempre atenderam aos apelos do governo para alavancar a produção agrícola e o desenvolvimento do país. Na década de 70, o governo incentivou a intensificação da agricultura com a mecanização das operações. Criou o Pró-Várzea para incrementar a produção de arroz, depois  lançaram recursos para incentivar a produção de trigo, daí veio o Pró Cerrado para explorar as terras do Centro-Oeste. Tanto o governo como os centros de pesquisa estavam focados no aumento da produtividade. A questão ambiental ficou em segundo plano. Agora, depois de tudo isso, o governo vem nos cobrar e até penalizar por termos acreditado em todos os programas que iriam levar o Brasil a ser o celeiro do mundo?”, questiona Jacob.

Produtores e ecologistas

O ponto de vista dos produtores não se choca com o ponto de vista dos ecologistas, em relação às áreas verdes. Pelo contrário, nesse questionamento sobre a reserva legal, os produtores também concordam com a necessidade de se estudar cientificamente qual seria o melhor modelo de preservação ambiental. Afinal de contas, a legislação ambiental não se valeu de nenhum dado científico para criar os parâmetros de reserva legal nem levou em consideração como essa medida vai afetar a produção de alimentos e a economia do país.

“Não podemos concordar com esse decreto, feito sem critério, só porque é ‘bonito’, ou porque o governo quer. Com a redução de áreas destinadas à produção agrícola, cerca de 20 milhões de toneladas de grãos deixarão de ser produzidas, o que corresponde a 15% do total produzido no país. Isso também vai refletir na balança comercial e trará muitos transtornos”, acredita Jacob.

O presidente do Sindicato Rural de Assis aproveita a oportunidade para elogiar a manifestação de Sylvio Ribeiro do Valle Mello Júnior, presidente da Assocana, indignado com o desânimo dos produtores rurais que nem sequer procuraram as entidades para saber melhor sobre o decreto que vai impactar diretamente em sua atividade e em seu patrimônio. “Temos que conclamar a todos os que contribuem com o superávit da economia para se rebelar contra essa excrescência casuística comandada por um ministro de Ipanema, que veste a cada dia um colete diferente”, alfineta Jacob. (Colaborou Assessoria de Imprensa)