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Motta pede ‘seguro de produção já’
O presidente do Sindicato Rural de Cândido Mota, João Antônio
Ferreira da Motta, relatou ontem mais um ‘capítulo’ da novela
que retrata a ‘difícil vida do agricultor’. Em texto enviado à
Redação, o sindicalista fala do bom momento do mercado agrícola,
contrastado com o longo período de estiagem, que já dura cerca
de 70 dias no Vale do Paranapanema.
“Após anos de péssimas colheitas, baixos preços dos principais
produtos agrícolas, alto custo de produção e juros, a safra
verão 2006/07 produziu um pouco mais e os preços melhoraram,
embora muitos já haviam vendido antecipado para se auto
financiarem. A safrinha foi satisfatória, São Pedro ajudou,
produzimos bem, os preços melhoraram, apesar de muitos
agricultores terem vendido sua produção a preços baixos e, aí,
só podem lamentar com os bons preços de hoje, que ninguém
conseguiu prever antecipadamente”, disse.
Ainda conforme relatou, ‘o governo começa entender o sério
problema de endividamento dos últimos três anos e toma algumas
medidas que não resolvem, porém dão um certo alívio ao
produtor’. “Nem bem a situação começa a dar sinal de recuperação
e os preços dos insumos começam a disparar, principalmente do
adubo. O governo reduz os juros dos próximos financiamentos,
porém muitos não conseguem ter acesso aos créditos baratos, pois
estão com os seus limites estourados. Muitos de nossos
produtores, por ironia do destino, vêem os bons preços de lousa
e não conseguem comercializar seus produtos. Até faz lembrar o
velho ditado: “Deus dá a farinha e o diabo carrega o saco”.
E continuou: “Aí prossegue a saga do produtor rural. Em julho,
choveu como há muito tempo não chovia. Muitos agricultores
acreditaram e plantaram mandioca, outros estão com a rama
secando, e as chuvas se foram. Só Deus sabe o que vai ser. Será
que tem seguro?; Será que os prejuízos serão indenizados? O
milho com boas perspectivas de preços. A boa época de plantio já
está passando. Só Deus sabe como será. Será que vai chover a
tempo de plantar? E a soja, a única certeza que temos é que o
custo desta safra será muito maior. As dívidas estão lá nos
esperando; o modelo de seguro atual só privilegia as empresas de
seguros, os bancos e as empresas de insumos”.
Sem respostas
Para Motta, ‘o produtor vive se perguntando: quando vai chover?
A mandioca vai nascer? Vai dar tempo de plantar o milho? E a
soja, se eu conseguir plantar será que vai produzir bem? Será
que vai ter preço? Aonde vou entregar a minha safra? Será que
vou conseguir? Será que a venda vai ser suficiente para cobrir
as dívidas acumuladas? O que será do meu destino? Só Deus é quem
sabe’.
“Até quando o produtor vai ficar só olhando para o céu,
dependendo apenas de Deus, para que sua atividade econômica dê
resultados satisfatórios. Pela importância que o agronegócio tem
para este país, pela nossa missão tão nobre em alimentar o povo
brasileiro, precisamos de reconhecimento por parte do governo e
sociedade. Pelo nosso trabalho, precisamos de uma política
agrícola clara e duradoura, que pense no produtor e não só no
agronegócio”, falou o sindicalista.
Ele prosseguiu: “Precisamos de garantia de renda mínima, para
podermos trabalhar com segurança, sem medo de arriscar e perder
tudo que foi conquistado por gerações e gerações à custa de
muito trabalho, fé e dedicação. Até quando, meu Deus? Ilumine a
cabeça dos nossos agricultores, mostre a eles as injustiças
cometidas com o agricultor brasileiro”.
Por fim, João Motta alerta que ‘o herói do campo não agüenta
mais ser tratado como bandido’. “A única coisa que precisamos é
a garantia para produzirmos com dignidade e cuidar da nossa
família e da nossa propriedade, com segurança. Temos orgulho de
ser produtores rurais neste país. Seguro de produção e renda,
já! Produtor rural una-se ao Sindicato Rural, está é a sua
força. Unidos, com coragem e seriedade, lutaremos juntos por
dias melhores”. (Colaborou Assessoria de Imprensa do
Sindicato Rural)
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