Sindicalista pede leis mais ‘duras’ para ‘maus depositários’

O setor agrícola está indignado com a situação que alguns produtores estão vivendo por conta da má gestão de ‘certas empresas que recebem produtos agrícolas’. “Ao procurar uma cerealista ou qualquer outra instituição para depositar a produção, o produtor confia piamente que seu produto está bem guardado e espera tranqüilamente um bom momento para vendê-lo, sem imaginar que a empresa está dispondo de seu produto para fazer negócios em benefício próprio. Infelizmente, esta prática tem se mostrado mais comum do que se esperava. Por isso, muitos produtores constataram, assombrados, que a sua produção sumiu do depósito sem nenhuma explicação”. A denúncia é do presidente do Sindicato Rural de Assis, Orson Mureb Jacob.

Por conta disso, e sensibilizado com a situação, a entidade, de acordo com Jacob, ‘vem a público denunciar essas práticas abusivas, e de certa forma até criminosas, que têm atingido o já combalido produtor rural’. “O produtor está abandonado e sofre penalidades de todos os lados, seja pelo fator climático, pelos altos custos de produção, pela falta de política agrícola, e agora até na hora de comercializar o seu produto”, desabafou Mureb Jacob.

De acordo com o sindicalista, a entidade ‘está mobilizada para defender o produtor e exigir das autoridades mudanças na legislação a fim de transformar os depositários dos produtos agrícolas em fiéis depositários, para que sofram as mesmas sanções penais dos infiéis depositários’. “É preciso que a legislação responsabilize as empresas que recebem produtos agrícolas para coibir práticas ilícitas na administração dos bens alheios”, esclarece Jacob.

Mobilização

Diante de situações semelhantes à denunciada, Orson Jacob disse que o Sindicato Rural de Assis pretende informar e mobilizar o Ministério Público, o Governo em todas as esferas, e até a Federação da Agricultura, ‘com o intuito de inibir essas negociatas e impedir que diretores ou sócios-proprietários dessas empresas saiam impunes’. “Além de tudo isso, o agricultor ainda é chamado de tonto, como se ele soubesse que isso pudesse acontecer. O pior é que os maus depositários são vistos como espertos. Já estamos fartos dessa impunidade”, continua Jacob.

E segue: “Infelizmente, toda forma de questionamento judicial é demorada, pois a legislação dá brecha para os culpados argumentarem em sua defesa. Agora, se essas empresas se tornarem fiéis depositárias e se elas não aparecerem com o produto dentro de alguns dias, os responsáveis terão a prisão decretada”.

O sindicalista lamenta que tais situações aconteçam justamente quando ‘os produtos agrícolas estão alcançando bons preços no mercado, após três safras de péssimos preços’. “Justo agora os produtores ficaram sem o seu produto para comercializar. Como fica o produtor que já assumiu compromissos de pagamento?”, questiona.

O dirigente sinsical pede que os ‘produtores prejudicados procurem a entidade para receberem orientação jurídica’. “Se pudermos contar com a adesão de todos, teremos força para pressionar as autoridades e exigir mudanças. A sociedade como um todo deveria se sentir penalizada pela má fé dessas pessoas que se julgam acima do bem e do mal. Está na hora de reagirmos e acabar com a pouca vergonha”, convoca Jacob.

E arremata: “Os produtores querem um basta da mídia e do governo de que o agronegócio vai bem. Em contrapartida, os pequenos produtores vão de mal a pior. Os produtores apenas pedem mais respeito pela atividade e que aquilo que produzem, tenha preço justo e não fiquem à mercê de maus receptadores”. (Colaborou Assessoria de Imprensa)