Salvem a Amazônia

Após atravessar um periodo dificil, a doutora Marina Silva abandonou o ministério do Meio Ambiente. Isto aconteceu porque ela não concordava (e não concorda) com a política ambiental destinada a promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia, além de ter ficado contrariada  pelo fato do PAS (Plano Amazônico Sustentável) ter ido parar nas mãos do ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger.

Precisando substituir Marina Silva e recompor o seu ministério, o presidente da República, Luís Ignácio Lula da Silva ofereceu o cargo vago ao ex governador do Acre, Jorge Viana, sendo que, este, estratégicamente recusou o convite, o qual acabou sendo aceito  pelo então secretário de meio ambiente do Rio de Janeiro, Dr. Carlos Minc.

 A  tensão entre Marina Silva e o governo federal chegaria ao limite no momento em que Lula cobrou mais agilidade da ministra para liberar a construção de usinas hidroelétricas no rio madeira.Todavia, é necessário saber que, qualquer mega intervenção no meio ambiente natural poderá causar danos irreversíveis para a fauna e a flora locais, havendo a necessidade de se fazer os chamados EIA-RIMAs (Estudo de Impacto Ambiental, e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente). É isso aí. Qualquer obra  faraônica precisa da aprovação destes estudos e relatórios. Está previsto na legislação ambiental vigente, é obrigatório!! Mas, conforme informações posteriores veiculadas na imprensa, o governo já estava fechando acordos para a construção das obras, sem considerar  estes  documentos. Se isto for mesmo verdade, é algo lamentável. Com isto, podemos perceber claramente a indignação e Marina Silva. Seu substituto, o ministro Carlos Minc, confessou que não entende nada de Amazônia. Porém, é importante dizer que, independentemente do seu conhecimento, será preciso que ele tenha muita coragem e motivação para poder superar as pedras e espinhos ao longo do caminho, e terá também, que tomar medidas coerentes, e necessárias, caso contrário, irá apenas ser um ministro a mais, e não conseguirá fazer nada contra o desmatamento da região norte, que segue célere. Só para termos uma idéia, nos últimos cinco anos o desmatamento da floresta amazônica diminuiu, mesmo assim foi desmatada uma área equivalente ao Estado de Pernambuco (atualmente é devastada uma área do tamanho de um campo de futebol, a cada 10 segundos). Como se vê, não há nada para se comemorar. E, conforme os comentários do excelente jornalista Heródoto Barbeiro da TV-Cultura(ex articulista do Diário de São Paulo), o Brasil perde anualmente bilhões de dólares com a biopirataria (principalmente na região norte), através da extração ilegal de madeiras de lei, ervas medicinais destinadas à fabricação de remédios e outros produtos farmacológicos, e o comércio ilegal de plantas e animais silvestres. Segundo ele, o tráfico de animais só perde para o narcotráfico, e o tráfico de armas. Heródoto enfatiza que estas são as três maiores desgraças do mundo moderno (e as três estão presentes na Amazônia). Poderíamos acrescentar também a este trio, a prostituição infantil, e o trabalho escravo, representantes típicos do atraso cultural e sócioeconômico da região norte brasileira.

De uma forma geral, as causas da devastação da Amazônia legal (área com mais de cinco milhões de km² e que totaliza 60% do território nacional, englobando os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, parte do Estado de Goiás, Maranhão, Mato-Grosso, Rondônia, Roraima, Pará e Tocantins) é ocasionada pela ação de diversos agentes, independentes entre si (Biopirataria, falta de incentivos ao manejo sustentável da mata, abertura de estradas ilegais, construção de obras de infraestrutura sem autorização de EIA-RIMAs, avanço de atividades agropecuárias sobre as fronteiras agrícolas) mas que no final, com suas ações conjugadas, produzirão um mesmo efeito: terras antropizadas, arrasadas, e abandonadas.

Hoje são mais de duas mil madeireiras instaladas  nesta  região, a maioria delas atuando de forma ilegal, haja vista a grande dificuldade que existe para trabalharem legalizadas. Mesmo assim, a clandestinidade não se justifica. Apenas no ano de 2007, estas madeireiras receberam cerca de sete milhões de árvores extraídas da mata, sendo que 80% deste total destinaram-se ao mercado interno. Há informações de que o Brasil, apenas no ano de 2002 exportou mais de US$ 500 milhões em madeira de lei.Como se vê, a exploração de madeiras é um negócio altamente rentável. Contudo há estudos dizendo que somente com a exportação de produtos da mata destinados à fabricação de remédios para hipertensos, atingiríamos a quantia descrita acima, sem precisar cortar uma única árvore.Sendo assim é possivel citar alguns exemplos:

Um grama de veneno de Lachesis muta(surucucú bico de jaca) custa US$ 3.200,00; Um grama de veneno  de escorpião custa US$ 15.000,00; Um grama de veneno de aranha marrom vale US$ 24.500,00.

É muito cascalho? Então saiba que um único grama do veneno de Micrurus corallinus (cobra coral verdadeira), não sai por menos de US$ 45.000,00. (cuidado seu Zé, não vá sair por aí atrás de escorpiões e serpentes, a picada deles poderá ser fatal!).

Muito interessante, mas estes e milhares de outros produtos que poderiam curar praticamente todos os tipos de males que afligem a humanidade, estão a um passo de desaparecer, sumir do mapa, caso o desmatamento da floresta amazônica continuar no ritmo que está.

Notoriamente, existe a necessidade por  parte do governo federal de se criar uma política ambiental séria e competente, como forma de se preservar, e ao mesmo tempo desenvolver esta importante região brasileira.E falando nisto, o ministério do meio ambiente(após o dia 15/06) pretende, juntamente com a polícia ambiental, punir os pecuaristas clandestinos, através da apreensão de gado bovino que estiver em pastagens ilegais(irregularizadas do ponto de vista ambiental e fundiário). O chamado “Boi Pirata”. Esta medida tem por objetivo frear o desmatamento, além de incrementar o Programa Governamental ”Fome Zero”, pois os animais apreendidos serão leiloados e encaminhados posteriormente para o abate. O ministro da justiça, Tarso Genro, confirmou que 500 (quinhentos) agentes especializados irão atuar em parceria com os fiscais do IBAMA. (o número de cabeças de gado, piratas ou não, na amazônia legal, é de aproximadamente 80 milhões).

Percebe-se que o Brasil carece de um plano de desenvolvimento ambiental efetivo que busque a exploração da região norte de forma autosustentável, planejando a sua ocupação em detrimento da vocação de cada microrregião, respeitando-se as caracteristicas geográficas, bem como a soberania, e os interesses particulares de seus habitantes (como exemplo os povoados indígenas e quilombolas, que possuem religião, tradições, idioma, hábitos e costumes típicos), a partir de idéias claras do que poderá ser explorado, onde, como, e em quais condições, ou seja, haverá locais propícios ao ecoturismo,e agricultura ecológica, outras zonas terão facilidade para o desenvolvimento do artesanato (feitos a partir de produtos da mata), e manufatura de frutos e pescado.Haverá ainda áreas próprias para a criação de animais silvestres (para comercialização de couro, carne e derivados, ou mesmo para fins ornamentais), psicultura, carcinocultura, e ainda a exploração sustentável de madeira certificada, entre outras tantas atividades.É preciso que os habitantes desta região (que é  parasitada desde a época do descobrimento) vivam sob a ótica do desenvolvimento, vivendo com mais dignidade a partir de maior justiça social.

Na verdade, a concretização destas idéias precisa ser feita após mudanças de paradigmas (do governo e também do povo brasileiro), estudos profundos, vontade política, e muito investimento. Teoricamente é algo fácil de falar, mas dificil, muito dificil de executar. Isto é plano a longo prazo, entretanto, ao se percorrer uma estrada longa e íngreme, o mais importante é darmos o primeiro passo!

Há um site na internet (criado por artistas da TV-GLOBO) que pedem a colaboração da sociedade civil organizada, no sentido de que nossos governantes tomem atitudes contundentes contra a destruição da Amazônia legal. De acordo com o que foi dito por Cristiane Torloni, eles almejam entregar ao governo federal um milhão de assinaturas, como forma simbólica de protesto. Imagine que a Amazônia legal abriga cerca de 20% de todas as espécies animais e vegetais  do planeta, e que neste momento ela está em poder de poucos (biopiratas nacionais e internacionais, grileiros, e latifundiários que praticam atividade agropecuária itinerantes, além de políticos, gringos e magnatas com interesses obscuros). Vamos nos mobilizar contra a destruição deste importante patrimônio biológico da humanidade. Participe, vamos ajudar a salvar a Amazônia legal! Para assinar acesse www. amazoniaparasempre.com.br

* João Paulo Ferreira Júnior - Eng. Agr.º da Casa da Agricultura de Cândido Mota.