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Áreas baixas do Vale têm segundo dia de geadas
Nesta quinta-feira, pelo segundo dia consecutivo, as áreas
rurais do Vale Paranapanema sofreram com a incidência de geadas
nas plantações, especialmente nas que ficam em áreas mais baixas
e perto de rios. A situação começa a ficar preocupante, já que
há previsão de que o frio perdure por mais alguns dias, com leve
elevação na temperatura.
O engenheiro agrônomo da Coopermota, José Roberto Gonçalves
Massud disse que, mesmo não tendo acesso aos dados atualizados
do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), órgão oficial ligado
ao Governo do Estado para fornecer informações sobre condições
climáticas, é possível afirmar que a geada foi praticamente
idêntica à ocorrida na quarta-feira.
Há dois dias as Estações Meteorológicas Automáticas (EMA)
chegaram a registrar -0,2ºC em Palmital. Para hoje e sábado, as
mínimas previstas são de 8ºC e 9ºC, respectivamente.A única
cidade onde os dados do IAC estavam atualizados no final da
manhã de ontem era Pedrinhas Paulista. Na quarta-feira, foram
registrados 2,8ºC, e ontem, 5,8ºC.
Massud explicou que alguns agricultores que estiveram na
Coopermota não notaram a presença de gelo sobre as plantas e
acreditam que o vento é que tenha dado a sensação térmica
inferior à temperatura real. “Existem dois tipos de geada. A
branca, que forma uma camada de gelo sobre as folhas. E tem a
negra, que só o vento já causa o mesmo estrago”, explicou.
Para comparar, o engenheiro diz que o efeito é como o de uma
verdura que passou muito tempo dentro da geladeira. “A folhagem
começa a ficar pálida, escurecida e depois passa a ter mau
cheiro”, ilustra.
O agricultor Antônio Carlos Bonini de Paiva diz que as folhas de
algumas plantas de milho de sua propriedade já estão com aspecto
diferente. “Ontem já percebi que o verde já não está mais tão
vistoso. Mas ainda é prematuro para prever quanto haverá de
prejuízo. Só nos próximos dias depois que a planta se recuperar
é que dará pra fazer alguma avaliação”, estima.
Período crítico
Paulo Arlindo de Oliveira, diretor técnico da CATI de Assis, em
entrevista a uma emissora de rádio, explicou que o período
considerado crítico costuma ser entre 10 de junho até 10 de
julho, quando há maiores riscos de geada. No entanto, o com
registro de baixas temperaturas veio antes do previsto.
Ele declarou que o clima tende a se normalizar a partir da
semana que vem, quando se terá condições de estimar um
percentual de prejuízo nas lavouras da região. “É mais uma
preocupação para os agricultores, já que as chuvas não foram
suficientes e agora as geadas podem gerar queda na
produtividade, sobretudo do milho, cana de açúcar, mandioca. Mas
nem tudo está perdido, ainda há possibilidade de ter uma
produção que não a ideal, mas satisfatória”, estimou.
O diretor técnico comentou que nas regiões de baixadas onde tem
hortaliças e banana, o prejuízo certamente será marcante, pois
temperaturas abaixo de 10 graus já é como se fosse geada para
essas culturas.
Previsão
Para este fim de semana, há previsão de que os dias sejam
ensolarados, com algumas nuvens esparsas, porém, sem chuvas. Na
segunda-feira o dia deve amanhecer nublado e pode chover a
partir da tarde e também à noite. As temperaturas mínimas devem
ficar em torno de 10ºC nesta sexta-feira, 13ºC no sábado e 14ºC
no domingo. A máxima chega aos 25ºC, segundo informações da
agência climática Climatempo.
Na região Sul, houve nesta quinta-feira o registro de
temperaturas negativas em vários locais, com recorde em General
Carneiro, no Paraná, onde os termômetros marcaram -5,3ºC. A
capital paranaense viveu um frio de -3ºC. temperaturas baixas
também foram registradas em Castro (-2,9ºC) e Irati (-2,1ºC).
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