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Projeto permite abatimento no IR de doações à Defesa Civil
Tramita na Câmara Federal o projeto de lei 4.466/08, do deputado
Milton Monti, que autoriza a dedução no Imposto de Renda por
doações feitas à Defesa Civil para socorrer as populações em
situações de emergência e de calamidade pública. “A
solidariedade do povo brasileiro é fantástica. Acho que ela é a
maior de todos os países do mundo. O brasileiro é um povo
solidário. Nós vemos que nas calamidades as pessoas doam
alimentos, roupas, utensílios domésticos para ajudar as pessoas
que estão desabrigadas”, avalia o deputado.
De acordo com a proposta de Milton Monti, o dinheiro deve ser
depositado em conta específica da Defesa Civil e a dedução só
será possível nos casos em que o Governo Federal avalizar o
estado de calamidade pública na região atingida. O abatimento do
imposto vale para pessoas físicas e jurídicas.
O Diário
- O senhor é autor do projeto de lei que propõe deduzir do
imposto de renda de pessoas ou empresas que fizerem doação para
a Defesa Civil em caso de calamidade pública. Santa Catarina e
Minas Gerais viveram o problema recentemente, depois o Espírito
Santo, o Rio de Janeiro e o Paraná, entre outros. O que propõe
seu projeto?
Milton Monti
- Nós estamos observando que o país vem sofrendo diversas
calamidades, especialmente em relação às catástrofes climáticas.
A minha intenção foi fazer com que os recursos para atender às
pessoas desabrigadas, especialmente, pudessem acontecer de uma
forma mais rápida. A proposta é que as doações feitas por
pessoas físicas para os Estados onde essa calamidade ocorra
possam ser deduzidas do imposto de renda. É uma forma também de
o governo ajudar, sem ter que dispor imediatamente de recursos,
porque esse recurso será compensado no imposto de renda só
futuramente. É um ganho para o governo, que não precisa dispor
imediatamente do recurso. É um ganho para o contribuinte, que
vai abater futuramente em seu imposto de renda. Além disso,
evidentemente, estimula a demonstração de solidariedade dos
brasileiros, das pessoas que se dispuserem a fazer essa doação
para ajudar outros brasileiros que enfrentam uma situação
momentânea de extrema dificuldade.
O Diário
- A dedução valeria para todo tipo de doação, como compra de
colchões, materiais de construção ou de cestas de alimentos ou
apenas para o depósito em dinheiro em conta da Defesa Civil?
Milton Monti
- O projeto prevê os depósitos feitos em dinheiro, desde que o
governo oficialize o estado de calamidade. Se não teremos a
multiplicação do estado de calamidade, às vezes até sem
motivação. É preciso que o governo federal colabore, ateste e
certifique que o caso realmente é uma calamidade e, a partir
daí, a prefeitura municipal ou o governo estadual abriria uma
conta onde os recursos pudessem ser depositados. E esses
recursos e doações feitos em dinheiro que seriam, então,
abatidos no imposto de renda.
O Diário
- Muitas cidades oficializam estado de calamidade por decreto do
governo local ou estadual. O seu projeto considera dedutíveis as
doações quando o estado de calamidade é reconhecido pelo governo
federal. Por quê?
Milton Monti
- Nós temos que ter a revalidação do governo federal para que o
contribuinte possa se credenciar a ter o abatimento do imposto
de renda. Porque nós temos muitos municípios no Brasil e se isso
não tiver um controle do Governo Federal, poderíamos ter,
evidentemente, abusos nos casos que não sejam assim tão graves.
Então, para que o Governo Federal possa abrir mão dessa receita
de impostos, no imposto de renda, com abatimento nas doações
feitas por pessoas físicas, evidentemente que o Governo Federal
tem também que corroborar a calamidade pública. Ou seja, o
Governo tem que dizer que realmente aquele município ou aquele
estado se encontra em estado grave e, portanto, os recursos
doados possam ser abatidos do imposto de renda.
O Diário
- O senhor sente que o brasileiro é um povo solidário, que
responde bem quando é chamado a ajudar quem passa por um momento
difícil?
Milton Monti
- Nós temos uma solidariedade no povo brasileiro que é
fantástica. Acho que ela é a maior de todos os países do mundo.
O povo brasileiro é um povo solidário. Nós vemos que nas
calamidades as pessoas doam alimentos, doam roupas, doam
utensílios domésticos para ajudar as pessoas que estão
desabrigadas. Evidentemente, na doação feita em dinheiro é
preciso que haja um estímulo. Se não, seria difícil esse tipo de
doação. Então, as doações em dinheiro, segundo o projeto que
apresentei, poderão ser abatidas no imposto de renda das pessoas
que fizerem essa doação. Acho que é um estímulo para que a gente
aumente esta rede de solidariedade e também uma forma de
operacionalizar a ida dos recursos para atender a calamidade.
Porque você sabe que a burocracia governamental é grande. Até
empenhar os recursos, até o governo fazer o convênio, até os
recursos chegarem efetivamente para os desabrigados, isso
demora. Se nós tivermos uma forma rápida, o Governo Federal não
disporia de recursos imediatos e os recursos chegariam de forma
mais rápida com essas doações e futuramente isso poderia ser
abatido no imposto de renda.
O Diário
- Como está a tramitação do projeto na Câmara Federal?
Milton Monti
- O projeto está tramitando e estamos trabalhando para que ele
possa ganhar a simpatia e a sensibilidade de todos os colegas no
Congresso Nacional para que seja aprovado e possa beneficiar o
povo brasileiro em suas necessidades. (Colaborou Assessoria
de Imprensa)
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