Após uma estiagem que durou aproximadamente 30 dias,
finalmente os produtores rurais da região viram a
‘cor da chuva’. No entanto, embora tenha chovido
relativamente o suficiente em alguns bairros rurais,
os índices pluviométricos não foram uniformes e
ainda estão bem longe de resolver definitivamente os
problemas dessa última estiagem, enfrentados
heroicamente pelos produtores rurais da nossa
região.
Desse modo, será que a chuva chegou mesmo? Então,
onde foi? E pra quem? Foi pouca, muita ou
suficiente? Foi para todos? E será que trouxe apenas
benefícios? Ou também prejudicou mais ainda alguns
pequenos produtores?
Bem, essas e outras são apenas algumas das perguntas
feitas pelos produtores rurais, que cansados de
tanto sofrerem, não aguentam mais tantas
dificuldades.
E foi pensando nisso, em defender os interesses do
produtor rural - principalmente do pequeno, e
em melhorar sua qualidade de vida, que o Presidente
do Sindicato Rural de Cândido Mota, João Motta,
convidou o secretário da agricultura (Fernando Gava),
e os engenheiros agronômicos da Casa da Agricultura
de Cândido Mota (Sandro Lemos Parise e Lázaro
Sebastião de Almeida) para realizarem, juntos, uma
visita técnica em algumas lavouras de
cana-de-açúcar, milho safrinha e café, localizadas
em alguns bairros rurais da cidade.
Segundo João Motta, Presidente do Sindicato Rural de
Cândido Mota, para alguns produtores, o marcador
pluviométrico indicou uma chuva de 50 milímetros;
para outros, 30mm, 15mm, 5mm, ou pior, nem choveu.
Inclusive, há aqueles que foram ‘agraciados’ com
40mm de chuva, mas acompanhada de vento e pedra, que
trouxe mais prejuízos do que benefícios. “Vale
destacar que esta chuva não estava prevista e também
já foi embora”, frisou o dirigente.
Para Motta, do mesmo modo que a chuva, as roças de
milho também estão desiguais. “Temos roças boas,
outras florando, outras em fase de crescimento,
falhadas, e outras que nem sequer nasceram. E por
incrível que pareça, há produtores que ainda nem
conseguiram plantar” informa.
Apesar de algumas lavouras terem seguro, a maioria
não têm, e mesmo as que tem, não cobre nem a metade
do custo da lavoura. Alguns produtores plantaram
trigo, mas o que também se vê, infelizmente, é
muitas roças mal nascidas. “Muitos produtores ainda
não plantaram nada” alerta o presidente.
Além da última estiagem, nota-se que os produtores
vieram de uma safra de verão fraca, e para piorar, o
Decreto Municipal de Emergência n.º 2628/2009, de 06
de fevereiro de 2009, não foi reconhecido pelo
governo do Estado. “Embora tenhamos tido graves
prejuízos no milho e quebra significativa na soja,
que muitos nem sequer colheram, o governo estadual
nos dá as costas nesse momento difícil” lamenta
Motta.
Se nos recordarmos do passado e voltarmos mais um
pouco no tempo, encontraremos 3 safras frustradas e
dívidas acumuladas nas safras 03/04, 04/05, e 05/06.
“A produtividade média da região já tem sido baixa,
e para agravar muitos produtores têm colhido ainda
bem mais abaixo da média regional, ou nem sequer
colhido” pontua entristecido.
Entretanto, com todas estas dificuldades, o
agronegócio vai bem, o superávit da balança
comercial continua estável. Enquanto os outros
setores despencam, o agronegócio cai, mas ainda
assim continua a frente, segurando mais uma crise
financeira e mantendo o país de pé.
‘Retrato’ do Agronegócio
Empresas ‘empurrando’ cada vez mais produtos e
máquinas; bancos cada vez mais enrolando o produtor.
É assim, realista e compromissado com a verdade, que
João Motta enxerga o atual ‘retrato’ da agricultura
no país.
“A transferência da renda (patrimônio do produtor),
do campo para instituições financeiras, empresas de
insumos e cooperativas, avançam assustadoramente,
mas o abastecimento do país está garantido, as
vendas das empresas de insumos e lucros astronômicos
dos bancos também. E isso, infelizmente, é o que
importa para o governo” critica o líder sindical.
Na visão de Motta, “Esse é o retrato do agronegócio,
ou agrobusines, como defendem os mais
frescos, como o ex-ministro da agricultura e seus
adeptos” alfineta e continua “Até quando, nós,
produtores rurais, vamos ter que carregar este peso
enorme do agronegócio e a responsabilidade pelo
abastecimento do país e superávit comercial?”
Dilapidando o patrimônio de gerações e gerações,
enquanto os produtores perdem o sono por causa de
suas dívidas, as empresas e instituições financeiras
aumentam as suas garantias reais, fazendo crédito
rural virar ‘papagaio’ e desrespeitando, e até mesmo
ignorando, resoluções do Banco Central.
A conclusão a que a equipe chega é que o agricultor
do país vai mal, e o do Vale do Paranapanema, talvez
pior. “O clima tem castigado ainda mais o município
de Cândido Mota, pior ainda em alguns distritos e
bairros, respectivamente: Frutal do Campo e
Taquaruçú, que perderam a safra de verão e estão
perdendo a de inverno” avaliaram a comissão,
composta por agrônomos, autoridades municipais e
líderes de classe.
E o que isto representa para o agronegócio? Talvez
nada, mas para estes produtores: a sua vida e o seu
patrimônio familiar.
Opiniões
Segundo constatou André Fernando Gava, Secretário da
Agricultura e Meio Ambiente do Município de Cândido
Mota, “A chuva ainda foi pouca e a situação já é
irreversível em algumas localidades” frisou,
destacando o caos encontrado em algumas
propriedades.
É notório que a economia local gira em torno da
agricultura, por isso, enquanto o produtor se
encontrar descapitalizado, o município também perde
em arrecadação. Nesse sentido, visando amenizar os
efeitos da estiagem, André Gava entende que o
produtor não pode apostar todas as suas ‘fichas’ em
uma única cultura. “É preciso diversificar as
culturas plantadas para diminuir os riscos com a
atividade agrícola” adverte o secretário.
Para agravar a situação, Gava reiterou que o Decreto
Municipal de Emergência infelizmente não foi
reconhecido pelo governo estadual. “Embora os 22
municípios que compõe o CIVAP tenham decretado
situação de emergência em razão da estiagem
prolongada, infelizmente a Defesa Civil do Estado de
São Paulo não o homologou” lamentou Gava, destacando
que toda a sinergia da política regional não foi
levada em conta pelo governo do Estado.
Diante disso, fica claro que o produtor rural terá
mais dificuldades para renegociar suas dívidas.
“Além das dificuldades em se obter novos
financiamentos, não é justo que de lá da capital,
sem conhecer o problema de perto, as autoridades
responsáveis neguem a homologação desse Decreto
Municipal de Emergência” critica o secretário,
lamentando porque as pessoas que negaram a
homologação do decreto não conhecem a realidade do
município.
Por fim, Gava colocou a secretaria da agricultura à
inteira disposição dos produtores e disse que a
sociedade precisa se conscientizar e compreender que
não basta chuva para resolver o problema do setor
agrícola. “Embora tenha chovido um pouco, o problema
não está resolvido. O setor precisa de mais atenção
e não apenas de chuva”.
De acordo com o engenheiro agrônomo Sandro Lemos
Parise, chefe da Casa da Agricultura de Cândido
Mota, esta última chuva (4/05) para muitas lavouras
veio um pouco tarde e ainda assim em alguns bairros
rurais do município foi em volume muito baixo.
“Nota-se uma enorme variabilidade de precipitação,
onde variou de 5 até 50mm em diferentes localidades”
destacou o engenheiro, sobre a má distribuição da
chuva.
Segundo Parise, a chuva veio com pouco volume e
atrasada “Estávamos sem chuva aproximadamente há 30
dias. No dia 13 de abril (única chuva do mês),
choveu apenas 13mm” destacou o engenheiro,
reconhecendo a necessidade de mais chuva e na hora
certa.
100% de prejuízo
No fim da visita, infelizmente, o grupo constatou
que existem vários produtores que já estimam um
prejuízo de 100%. Lamentavelmente, há lavouras que
já apresentam perdas irreversíveis. “Em razão da
estiagem e da variação de precipitação, muitos
produtores, que já estavam endividados e financiaram
essas lavouras, só aumentarão ainda mais suas
dívidas” concluíram.
O Sindicato Rural de Cândido Mota já enviou na
última semana mais um documento às autoridades
competentes, pedindo soluções urgentes para os
produtores do Vale, pois as dívidas se acumulam, as
parcelas de prorrogações estão vencendo, e o
produtor praticamente sem renda, vendo a sua lavoura
atual se perder.
Precisamos de apoio do governo Federal e Estadual,
pois o Vale do Paranapanema é a 2ª maior região de
grãos do Estado. “É justo que o governador José
Serra assuma a sua responsabilidade de governo do
Estado mais desenvolvido da nação e socorra seus
produtores rurais”, reivindicou João Motta.
(Colaborou Assessoria de Imprensa do Sindicato Rural
de Cândido Mota)