Por Marcus Motta
Um grupo de profissionais da área da saúde,
segurança e assistência social, esteve reunido no
Fórum de Cândido Mota na tarde de ontem, a fim de
viabilizar a formação de uma rede interdisciplinar
no atendimento às vítimas de violência, em seu
aspecto geral, porém com atenção especial aos casos
de violência doméstica e sexual.
O encontro contou com a presença do delegado Luiz
Antonio Ramão e Roseclair Keller de Oliveira Lima -
psicóloga do ambulatório de saúde mental, sendo que
os dois também são especialistas em violência
doméstica pela USP; também estiveram presentes o
tenente da Polícia Militar André Domingos Pereira,
Patrícia Morato Leite - enfermeira da Vigilância
Epidemiológica, enfermeira Roberta de Oliveira
Caetano - estratégia de saúde da Família, Ângela
Major Noronha - coordenadora do Departamento de
Serviço Social da Secretaria Municipal da Saúde,
Valdemir Pereira conselheiro Tutelar e Maria Ap.
Pareschi assistente social do poder judiciário
(Fórum).
Na ocasião eles informaram que o objetivo principal
da rede é normatizar um trabalho já existente, tendo
em vista que os métodos atuais não possibilitam uma
precisão da realidade local.
“Objetivamos por meio deste trabalho intensificar as
ações contra a violência, oferencendo mecanismos de
apoio às vítimas e também aos agressores,
encaminhando-os para o atendimento necessário. Outro
enfoque pretendido é a conscientização das pessoas
em torno deste problema, tendo em vista que para
traçarmos políticas públicas adequadas é preciso que
tais casos sejam de fato notificados e registrados.
Necessitamos de ínidices que apontem os setores que
solicitam uma maior atenção”, disseram os
profissionais.
Eles também ressaltaram que, inseridos neste
contexto, irão trabalhar com a prevenção, através de
um trabalho que está sendo planejado.
Outro ponto informado pelos integrantes da rede é
que no caso específico da violência contra a mulher,
as atividades tem como base a lei federal nº 10.778
de 24 de novembro de 2003, cuja determinação
“estabelece notificação compulsória no território
nacional, do caso de violência contra a mulher que
for atendida em serviços de saúde públicos ou
privados”.
Declararam ainda que tratando-se de violência
sexual, as vítimas, além de receberem as orientações
necessárias, são encaminhadas para atendimento no
Programa Pétalas, que abrange 11 municípios da
região, e é realizado no Hospital Regional de Assis.
Tal programa é especificamente uma pactuação entre a
Secretaria de Segurança Pública do Estado e o setor
de segurança pública local, com participação da
Polícia Militar e Civil, além de parceria com a
Secretaria da Saúde.
“Acreditamos que daqui para frente poderemos ter
resultados ainda mais satisfatórios no combate à
violência, e no auxílio prestado às vítimas. Os
dados de Cândido Mota com tais problemas não são
consideráveis, já que a maioria acaba não
registrando a ocorrência. Queremos, portanto,
despertar a necessidade de denunciar os casos
existentes, colocando-nos à disposição para
solucioná-los da melhor forma possível”, finalizaram
os profissionais mencionando que recentemente
tiveram dois casos de violência presumida, com abuso
sexual. As vítimas inclusive eram portadoras de
deficência mental e uma delas precisou ser
encaminhada para São Paulo, culminando com um
aborto.