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Cupim também é praga agrícola
Embora o ataque de cupins cause
mais prejuízos em áreas urbanas, no campo - sobretudo em
canaviais, áreas de pastagens e em cultivos de florestas - a
presença desses insetos também tira o sono do produtor. E, nesta
época - até janeiro -, os cupins aproveitam o calor para se
reproduzir, explica o agrônomo José Eduardo Marcondes de
Almeida, pesquisador do Instituto Biológico (IB-Apta), da
Secretaria de Agricultura de São Paulo. Almeida é um dos autores
do boletim técnico Cupins: pragas em áreas agrícolas,
recém-lançado pelo IB.
De acordo com Almeida, há mais de 3
mil espécies de cupins - entre 20 e 30 espécies têm importância
agrícola - e, por causa do clima e da quantidade de matéria
orgânica disponível, o Brasil abriga a maioria das espécies.
“A alimentação básica do cupim é
matéria orgânica e material com base celulósica”, diz. “Do ponto
de vista ambiental o cupim decompõe matéria orgânica, influencia
na formação de solos e serve de alimento para aves e mamíferos.
Ele se torna praga quando causa prejuízos em cultivos
comerciais.”
Canavias
Em canaviais as perdas causadas
pela espécie Heterotermes, que ataca o sistema radicular das
plantas, chegam a 15 toneladas/hectare. Em pastagens, os cupins
de montículos (Cornitermes) limitam o espaço e empobrecem o
pasto, pois atacam a raiz da gramínea. Em áreas de florestas as
espécies Heterotermes e Sintermes atacam ou a raiz da planta
logo após o plantio ou o cerne da árvore.
Para acabar com os montículos no
pasto, a recomendação é fazer o controle químico ou biológico
antes da reforma da pastagem. O método químico consiste na
perfuração do topo do ninho com uma broca ou marreta até a
camada celulósica, mais ‘mole’. Depois, aplica-se inseticida
granulado específico. “É preciso usar máscara, luva e outros
equipamentos de proteção.” Uma aplicação resolve, mas há gasto
com inseticidas e mão-de-obra.
Controle Biológico
Já o controle biológico é feito com
o fungo Beauveria bassiana. À concentração de 12 gramas, uma
dose do fungo atinge 90% da colônia, incluindo a rainha. “O
cupim morre em três dias, e o ninho acaba em três meses.” Essa
dosagem é indicada para ninhos com até 50 centímetros de altura;
se for maior que isso, pode-se dobrar a concentração. “O fungo
gruda no cupim, que morre por contato; quando o inseto morre,
esse fungo frutifica, sai do corpo do inseto e contamina a
colônia.”
O método biológico é seis vezes
mais barato que o químico, mas é mais lento e menos eficiente. O
controle químico elimina o ninho em 15 dias e tem eficiência de
90% a 100%, ante 70% a 80% no método natural.
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