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Motta pede intensificação nas fiscalizações do Leite
Diante da confirmação da mistura de soda cáustica e água
oxigenada ao leite longa vida, o presidente do Sindicato Rural
de Cândido Mota, João Motta, levanta uma questão que já
repercutiu muita polêmica: a venda de leite ‘in natura’.
Condenada pela Vigilância Sanitária nos municípios brasileiros,
a prática, ressalta Motta, nunca sofreu adulterações.
“O pequeno produtor, que retira todos os dias leite de suas
vacas saudáveis, é alvo de críticas. O leite ‘in natura’ é
natural e até hoje nunca foi adulterado com qualquer produto,
pois é o leite que o seu próprio filho toma. É um trabalho
honesto e digno, feito para complementar a renda do pequeno
produtor rural”, defendeu o sindicalista ao criticar a
adulteração em leite feita por cooperativas que confirmaram a
ação, e que já vinha sendo praticada há dois anos. “Tem que
haver maior fiscalização sobre os leites industrializados”,
frisa.
Os órgãos de fiscalização pesquisaram 19 marcas de leite do tipo
C (pasteurizado). Destas, 12 foram consideradas impróprias para
o consumo, por apresentarem soda cáustica, água oxigenada,
coliformes (provenientes de matéria orgânica) e até coliformes
fecais (fezes). Se ingeridas em grandes quantidades, essas
substâncias podem ser prejudiciais à saúde, porém, em pequena
proporção, não trazem risco ao consumidor, segundo a Anvisa e
especialistas. Juntas, as cooperativas que estão sendo
investigadas produzem 400 mil litros de leite por dia.
Rentabilidade
Conforme a investigação policial, a rentabilidade da fraude
estava na adição de água para dar volume ao leite. A adulteração
permitia “enganar” o exame de crioscopia, aplicado para
verificar se o leite contém água. Misturadas à água, substâncias
como a soda cáustica geram um PH que altera os resultados do
exame. A PF trabalha com o percentual de 10% de adulteração para
cada litro de leite, os 10% seriam formados pela mistura diluída
em água.
“O que nos deixa indignados é que os pequenos produtores de
leite, que levantam de madrugada, feriado, dia de chuva, domingo
e dia santo, para tirarem o leite de duas ou três vaquinhas, e o
fazem isso para o sustento de seus filhos e de toda a família,
muitas vezes até para os filhos dos vizinhos de sítio, e que
quando sobra procura vender o excedente ou mesmo fazer queijo
para ajudar na renda familiar, são veementemente advertidos e
proibidos pelas autoridades”, disse.
E continua: “Este trabalhador incansável muitas vezes é proibido
de comercializar seu produto, pois é o famigerado e tão perigoso
leite cru, o mesmo que ele alimenta a sua família, produto puro,
sem conservantes ou qualquer porcaria criminosa que se mistura
ao produto para atender as regras deste capitalismo selvagem, em
que importa apenas o ganho financeiro, deixando de lado a saúde
e o bem estar de nossas crianças, idosos e toda a população”.
‘Tudo errado’
Ainda de acordo com o sindicalista, ‘está tudo errado’. “O
pequeno produtor não pode nada, pois nem tem o módulo suficiente
para atender a legislação concentradora de renda, que discrimina
os pequenos produtores deste país. Por outro lado, permite que
os grandes atravessadores do produto pratiquem esses crimes
absurdos contra a nossa população. A grande mídia e os órgãos
fiscalizadores induzem a sociedade a consumir o leite de
caixinha, em detrimento do leite puro de vaca in natura, como se
o de caixinha não fosse de vaca e sim da prateleira do
supermercado”.
Ainda em tom crítico, João Motta adverte: “Diante dessa política
concentradora de renda implantada no país, o que vemos é o
pequeno produtor marginalizado e abandonado à própria sorte,
enquanto a população é enganada pela mídia e atravessadores
criminosos. Precisamos sim, dar condições aos pequenos
produtores de aperfeiçoarem as suas instalações, melhorar o seu
rebanho e a sanidade dos mesmos, garantindo renda e condições
dignas de produzir, e não os marginalizando e expulsando de suas
atividades”.
E conclui: “Enquanto os poderosos capitalistas do setor,
inescrupulosos e desleais, continuarem a vender água oxigenada e
soda cáustica no lugar de leite, sem a fiscalização adequada e a
devida punição, o descrédito e a falta de esperança em dias
melhores ainda irão persistir por muito tempo. Que país é esse?
O pequeno produtor nada pode, enquanto os grandes podem tudo em
nome do desenvolvimento e do capitalismo selvagem. Esqueceram do
ser humano, da dignidade, e da responsabilidade em tornar o
mundo um pouco melhor, ou pelo menos não contribuir para a sua
decadência. Enquanto isso, honestidade parece uma característica
fora de moda, e vergonha na cara, coisa do passado!”
No Estado de São Paulo, diante do caso, o Procon notificou a
Nestlé e a Parmalat para se pronunciarem acerca do caso, pois
teriam distribuido no Estado, leite das cooperativas mineiras
envolvidas nas denúncias de adulteração. O órgão aguarda os
resultados da operação da Polícia Federal para decidir se
notifica outras empresas.
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