Em tempos modernos, as pessoas dificilmente pensam
nos interesses coletivos da sociedade. Envolvidas
com questões individualistas, a maioria dos cidadãos
se esquece dos interesses sociais. Contudo, existem
pessoas e entidades que lutam pela defesa dos
interesses coletivos, em favor da defesa da
dignidade da pessoa humana, do altruísmo e do bem
comum.
Nesse sentido, o Sindicato Rural de Cândido Mota -
‘Casa do Agricultor Fábio Meirelles’, há vários anos
desenvolve cursos e programas de promoção social e
qualificação profissional. Em especial, um deles tem
a missão de incluir as pessoas na sociedade, o
‘Programa de Alfabetização para Trabalhadores Rurais
sem Escolaridade’.
Retrospectiva
Idealizado pelo presidente da Confederação Nacional
da Agricultura e da Federação da Agricultura do
Estado de São Paulo, Fábio de Salles Meirelles, o
programa oferecido pelo Sindicato Rural de Cândido
Mota e o Senar - Serviço Nacional de Aprendizagem
Rural, desde 1997 já alfabetizou aproximadamente 220
trabalhadores rurais em Cândido Mota.
Segundo João Motta, presidente do Sindicato Rural,
há 40 anos a entidade luta em favor dos interesses
do homem do campo: “Desde a época do saudoso Lázaro
Dias, presidente e fundador do sindicato rural,
carinhosamente chamado pelos amigos de Lazinho, o
sindicato sempre esteve junto do produtor rural. Os
cursos e programas são oferecidos graças aos
tributos cobrados do produtor que voltam para ele
mesmo através dos cursos. É o próprio dinheiro do
produtor que custeou todas essas oportunidades
oferecidas ao longo desses anos.”
Desse modo, relatou Motta, o Programa de
Alfabetização, além de aumentar os conhecimentos dos
seus alunos, pois os qualificam para o mercado de
trabalho, também é uma ótima ferramenta de inclusão
social, visto que resgata a auto-estima de seus
participantes inserindo-os com dignidade no convívio
social.
O dirigente ainda lembrou a importância dos
parceiros e colaboradores que durante todos esses
anos foram fundamentais para a realização dos
programas e cursos. “A prefeitura, a ETEC Prof. Luiz
Pires Barbosa, a Coopermota, a Estância Diogo, as
escolas estaduais, as escolas municipais, bem como
todos os colaboradores foram decisivos para o êxito
de nossos programas” salienta Motta.
Integração
Atualmente, a entidade oferece duas turmas de
alfabetização, que tiveram início no começo desse
ano; uma na escola ‘João Leão de Carvalho’, cuja
diretora é Rosângela de Gênova Marroni, e
coordenadora, Maria Luiza Franciscani, além da
instrutora Sônia Maria Pereira Godinho Mossini, e a
outra na escola ‘Olga Breve Alves’, dirigida por
Márcia Franciscatti, tendo como instrutora Solange
Granado Carneiro.
Desse modo, estiveram reunidos na última
quinta-feira, o presidente João Motta, e as
responsáveis pelas escolas parceiras. Na ocasião,
Motta entregou as bolsas escolares aos alunos e
visitou as escolas e suas instalações. Segundo as
diretoras, a parceria entre as entidades é muito
importante para Cândido Mota.
De acordo com Márcia Franciscatti, o programa
oferecido é um ‘grande sucesso’. “O período de
alfabetização é maior, criando um maior vínculo
afetivo entre os alunos e a professora. Além do
programa ser muito bom para todos, há uma grande
interação com os outros alunos da escola e os
programas oferecidos pela própria escola”, salientou
Franciscatti.
Ela disse que o programa envolve toda a rede
municipal e o Sindicato Rural. Ela lembrou que é o
primeiro ano que o curso é oferecido naquela escola,
por isso a procura foi muito grande. Para ela, sendo
oferecido no próprio bairro, o índice de evasão
diminuiu consideravelmente. “O programa é uma ótima
ferramenta de inclusão social. Os alunos respeitam a
professora e demonstram grande vontade de aprender”,
destacou.
Gratificante
Para o presidente João Motta, ‘é muito gratificante
ver os alunos escrever o próprio nome, tomar ônibus
sem o auxílio dos outros e, principalmente,
vislumbrar uma perspectiva de futuro melhor do que
tinham antes de iniciar o programa’. Para o
dirigente, as condições para o aprendizado são boas:
“Fiquei muito feliz em ver esse pessoal todo se
esforçando para aprender ler e escrever. É digno de
louvor a força de vontade de cada um, conclui
Motta.
Por fim, o presidente da entidade pede para que as
pessoas que conheçam trabalhadores rurais sem
escolaridade, ‘que lutem no sentido de encorajá-los,
e insistam para que eles deixem de lado a inibição e
procurem o sindicato para realizar a inscrição no
programa de alfabetização, que iniciará no ano que
vem.
“Sabemos das dificuldades que as pessoas têm em
estudar, principalmente aquelas que têm exaustivas
jornadas diárias de trabalho. No entanto, também
temos consciência do quanto é importante saber ler e
escrever. Por isso, há anos desenvolvemos esse
trabalho com o objetivo de melhorar a qualidade de
vida do produtor rural”, concluiu.
Mais informações podem ser obtidas na própria sede
do Sindicato Rural, na rua Antônio da Silva Vieira,
nº 562, no centro da cidade, ou pelo telefone (18)
3341-1342, falar com Daniela ou Bruno Souza.