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Quedas representam 50% dos atendimentos em crianças
As quedas representam a principal causa de atendimentos a
crianças de zero a nove anos nas unidades de urgência e
emergência do Sistema Único de Saúde (SUS). Pesquisa do
Ministério da Saúde revelou que, dos 10.988 atendimentos a
crianças nessa faixa etária, 5.540 (50,4%) foram provocados por
quedas. Os dados mostram ainda que o perigo nem sempre está nas
ruas. A maioria das quedas, 3.838 (69%), ocorreu dentro da
residência das vítimas.
Para a pediatra e coordenadora do Departamento de Análise de
Situação de Saúde do Ministério, Deborah Malta, os dados revelam
que a escola e a rua não são os ambientes em que as crianças
ficam mais expostas. A casa é o local de maior ocorrência destes
eventos. A pesquisa faz parte do sistema de Vigilância de
Violências e Acidentes (VIVA). As informações foram coletadas em
84 unidades de urgência e emergência de 37 cidades brasileiras
entre setembro e outubro de 2007. Para o Departamento de Análise
de Situação de Saúde do Ministério, o número de quedas é
expressivo.
Atenção Redobrada
Do total de quedas registradas pela pesquisa, 2.626 (47%) foram
de crianças que caíram do mesmo nível, ou seja, foram causadas
por tropeções, pisadas em falso ou desequilíbrios. Para a
coordenadora Deborah Malta, as quedas são freqüentes e naturais
durante a infância. “A descoberta faz parte do processo de
crescimento e desenvolvimento da criança. Ter contato com tudo
que há de novo, experimentar, brincar, correr. Elas não têm
noção de risco ou perigo. Por isso, é importante ter sempre um
adulto por perto para evitar acidentes mais graves”, alerta.
A parte do corpo mais atingida foi a cabeça com 2.445 (44%)
ocorrências, seguida pelos braços com 1.720 (31%) e pernas com
760 (13,7%) registros. As lesões mais freqüentes foram os cortes
e lacerações com 1.426 (26%) notificações. Em seguida, estão as
contusões com 1.234 (22%) e fraturas com 955 (17,2%).
Deborah Malta explica que, em crianças pequenas, as chances de
um ferimento mais grave são maiores, pois a estrutura óssea,
ainda em processo de formação, não está completamente
calcificada. Uma pequena queda pode levar a um acidente muito
grave. A coordenadora cita como exemplo a queda de um berço, que
pode provocar até um traumatismo craniano.
Prevenção
A supervisão de um adulto ou responsável que responda pela
segurança da criança é o primeiro cuidado para a prevenção de
acidentes. Dentro de casa, a coordenadora chama atenção para
tapetes soltos, passadeiras e brinquedos espalhados pelo chão,
que podem provocar tropeções. “É importante discutir com as
crianças a importância da organização, de sempre colocar os
brinquedos nas caixas”, afirma Deborah.
Outro cuidado é com as janelas, que sempre devem estar
protegidas por meio de grades ou redes de proteção para evitar
acidentes mais graves. O ajuste na grade do berço também é
importante. As quedas de berços são freqüentes e crianças que
estão começando a engatinhar são mais vulneráveis a quedas se a
proteção não estiver ajustada de acordo com sua idade.
Na rua, o ideal é que a criança fique em um local protegido como
parquinhos ou ruas sem saída. Ao praticar atividades como skate
ou patins, sempre usar os equipamentos de segurança: capacete,
joelheira etc. No caso da bicicleta, colocar as rodinhas de
apoio quando as crianças ainda são pequenas e não têm
equilíbrio.
Nas escolas, além de todos os cuidados sugeridos, a coordenadora
recomenda a separação por faixa etária na hora do recreio para
evitar acidentes, pois crianças maiores podem empurrar e
machucar os mais novos. Em casos de desmaios, cortes com
sangramento abundante, fraturas, dor intensa ou inchaços, o pai
ou responsável deve procurar a unidade de saúde mais próxima.
Viva
Em agosto de 2006, o Ministério da Saúde implantou a Vigilância
de Violências e Acidentes (Viva) no Sistema Único de Saúde (SUS)
para identificar e conhecer a magnitude e gravidade das
violências atendidas nas unidades de urgência e emergência e
serviços de referência de violências.
A ‘Viva’ possui dois componentes: a vigilância contínua, que
notifica violência doméstica, sexual e outras violências em
serviços de referência; e a vigilância pontual, feita por
inquéritos hospitalares ou pesquisas periódicas, por amostragem,
notificados em unidades de urgência e emergência. Foram
realizadas duas pesquisas desse tipo no SUS, em 2006 e 2007. A
partir de 2009, esse inquérito será bianual.
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