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Política de pão e circo ainda continua sendo boa estratégia para
Governo Federal
Há muito tempo que o homem sabe o que significa ser ‘livre’ num
país latino americano ‘democraticamente’ pobre. A história nos
dá conta que o governo atual e os que o antecederam, desde a
época do descobrimento, nunca se preocuparam com a agricultura.
Nesse sentido, tomemos como um exemplo clássico o período
histórico do movimento barroco do século XVIII, que criou no
imaginário uma situação econômica e social hiperbolicamente
romanceada pelos autores da época, que descreviam riquezas
inenarráveis, provenientes das minas de Vila Rica, enquanto o
povo livre, ‘alforriado’ e ‘feliz’, mal podia perceber que
estava sendo anestesiado pelas glórias do período aurífero
enquanto sua consciência era estreitada ao máximo, fazendo com
que sua percepção de mundo fosse diminuída a ponto de não
perceberem o quanto eram pobres e realmente classificados como
marginais pelo governo e pela sociedade.
Caro leitor, caso não tenha se convencido ainda de que o ser
humano é tratado hoje em dia como simples marionete pelos
governantes, cumpre-nos reconstruir um pouco mais da história.
Há quase dois mil anos, na Roma Antiga (Séc. II d.C.), o povo
também era tratado como massa de manobra no desenvolvimento de
uma política que fomentava a manutenção e perpetuação do poder
político nas mãos do imperador, enquanto a condição indigna de
miserabilidade do povo era escamoteada pela política do pão e
circo, que consistia em distribuir aos romanos desempregados
alimentos e diversão a fim de que os problemas sociais da Roma
Antiga passassem desapercebidos, vigorando assim a ordem
pública.
Nesse momento, é imperioso salientarmos a importância desse
pequeno intróito histórico que nos ajuda a desenvolver um
raciocínio crítico acerca dos fatos atuais, revelando que a
história, em determinados momentos, é um tanto quanto cíclica, e
alguns “antigos” problemas mais atuais do que nunca. Desse modo,
é indispensável e muito salubre realizarmos a periodização e a
problematização das dificuldades que assombram a agricultura no
Brasil. Como já é de conhecimento de todos, a falta de uma
política agrícola robusta e contínua é uma delas, para não dizer
a pior.
Outrossim, num país de economia aberta, onde o capital e a sua
busca insana preponderam, a auto-suficiência econômica seria uma
utopia, ou seja, querer que alguém compre um carro sem
financiar, ou ainda, compre uma casa sem apoio do governo, seria
o mesmo que um patrão exigir do trabalhador um resultado sem
recompensá-lo à altura do seu esforço e proporcionalmente à
grandeza e complexidade de sua tarefa.
Assim, o atual Governo Federal continua a reprisar a mesma
novela. Sem apresentar solução definitiva, o governo procura
empurrar com a barriga o endividamento do Produtor Rural, que
mais recentemente teve início lá em 1990 no plano Collor,
passando pelo Real do FHC, até o deslumbrado e irresponsável
governo Lula.
As nossas entidades, CNA - Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil, Faesp - Federação da Agricultura do Estado
de São Paulo, e principalmente nós, sindicatos rurais,
insistimos e reafirmamos há anos que todas as medidas anunciadas
até hoje são paliativas, apenas servem para enrolar o produtor
rural e proporcionar alívios momentâneos.
O que o Governo Federal faz, com fulcro nos baixos preços dos
alimentos da cesta básica, é a política do pão e circo, onde de
forma autoritária e assistencialista arrecada bilhões de reais,
alimenta milhões de miseráveis e arruína com milhares de
produtores rurais, favorecendo apenas um seleto grupo de
banqueiros e instituições financeiras.
Em seguida, afrouxam a corda e depois apertam o nó, e vice -
versa. Com o único objetivo de manter o produtor rural escravo
desta dívida impagável, impossibilitado sequer de parar de
produzir; desse modo, sob a égide dos ensinamentos
maquiavélicos, a política do pão e circo nunca foi tão adequada,
pois o Governo Federal insiste em não expedir a carta de
alforria dos produtores rurais, livrando-os dos grilhões da
dependência financeira imposta pelos bancos.
Mas espere aí caro leitor, você deve estar se perguntando: o pão
da política eu já entendi, isto é, a recessão da classe
ruralista serve para baratear o preço dos alimentos e alimentar
o povo a custo baixo, mas e o circo e a diversão?
Bem, caro leitor, é chegada a hora de desvendarmos os meandros
da política nacional frente à falta de uma política agrícola. O
circo chegou! A tenda já está armada, até o leão já veio, e até
30 de abril ele ainda vai estar faminto. O domador já está
pronto e com o chicote na mão, falta apenas o palhaço, que no
momento está se programando para comprar os ingressos da copa do
mundo de 2014. Alguém ainda não sabe aonde está a diversão?
Falta apenas encontrar a graça de tudo isso.
Chega de enganação, a única solução definitiva é o seguro de
produção e renda ao pequeno e médio produtor rural. Acorda,
Suplicy! Renda mínima ao produtor rural já! Os bancos e as
empresas de insumos pressionam, o governo enrola, o produtor
desesperado produz e se enforca cada vez mais.
A falta de política agrícola neste país é assunto muito sério. O
Brasil bate recorde de produção. As exportações de produtos
agrícolas crescem enquanto o setor primário continua sendo o
grande responsável pelo superávit da balança comercial.
Os preços dos comodittes disparam na bolsa de Chicago. O
dólar despenca no Brasil. O consumidor reclama da alta dos
preços de alimentos. O preço dos insumos agrícolas disparam. O
agronegócio vai bem e o Produtor Rural endividado, desmoralizado
perante as empresas, instituições financeiras e até por toda
sociedade brasileira. O que está errado? Temos tudo para ser o
celeiro do mundo, no entanto, frente a esta onda verde
ecologicamente correta, que influencia grande parte da população
e da mídia, ainda não passamos de um lindo e grande bosque
verde, que deve ser preservado custe o que custar.
Acorda, Presidente Lula, e Congressistas, o Brasil tem tudo para
ser a potência Agrícola Mundial. Basta valorizar o Homem, o ser
humano, o batalhador e o sonhador do produtor rural brasileiro.
Produtor rural, a renegociação das dívidas estão aí, os prazos
são para o dia 10/04/2008, porém há tratamentos diferenciados
para cada dívida, procure o seu Sindicato, informe-se antes de
ir ao banco. O Sindicato Rural é a sua força, valorize-o!
* João Antônio Ferreira da Motta é presidente do Sindicato Rural
de Cândido Mota e colaborador do jornal O Diário do Vale
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