Feira Livre tem boa aceitação em novo local

Atendendo a uma determinação da Justiça que, em julho, estipulou prazo de 60 dias para que a feira livre de Cândido Mota deixasse a rua São Caetano e se mudasse para o recuo da rua João Dias Gimenez, em frente a entrada principal do estádio Benedito Pires, os feirantes iniciaram os trabalhos no novo local na manhã do dia seis de setembro. Antes, apreensiva com a possível queda no movimento de clientes, a maioria gostou da estreia na nova localidade, que também encontrou boa aceitação dos fregueses. Porém, nem todos concordam com a mudança.

Desde que começou a se debater a troca do local da feira, nunca houve unanimidade de opiniões. A discordância se manteve no primeiro dia de atuação perto do estádio municipal, tanto por parte de comerciantes quanto de consumidores, que, em geral, reclamaram da distância do novo ‘point’ com suas respectivas casas. Mas há quem teve opinião exatamente oposta.

É o caso da funcionária pública aposentada Zenaide dos Santos Silva, que reside no Jardim São Francisco. “Pra mim ficou mais perto e, pelo que vi e ouvi falar, a movimentação foi boa”, comentou depois de comprar verduras, acompanhada do marido, o maestro Celso, e da filha Valéria, que mora em São Paulo e visitou os pais no feriadão.

Quem também gostou foi a dona-de-casa Maria Aparecida Neris, que reside no Parque Santa Cruz e disse que não ia na feira enquanto era em frente ao Asilo São Vicente de Paulo. “Lá era muito longe para eu ir com os filhos. Aqui eu achei mais tranquilo, mais espaçoso, está muito bom. Vou vir mais vezes”, avaliou. “Esse arvoredo da praça vai ajudar bastante no tempo do calor, porque no outro lugar não tinha sombra, a gente tinha que ficar ‘torrando’ no sol quente”, arrematou, à espera do caldo de cana.

Outra beneficiada pela mudança com a proximidade do lar foi a doméstica Marinalva Oliveira Souza. “Moro no início da rua Jerônimo Flauzino Barbosa, é só vir reto que já estou na feira. Quero vir todo o domingo”, disse. A filha Viviane Oliveira Souza Alves completa: “dá pra comprar os produtos fresquinhos de manhã e já servir no almoço.”

Entre os feirantes, o remanejamento da feira livre nunca foi aceito por todos, mas, ao menos no primeiro dia, acabou agradando a maioria. “Venho de Echaporã e a chuva me atrapalhou um pouco, mas mesmo assim tive uma boa venda. Acredito que só perdi de vender porque cheguei tarde, mas tive aqui a mesma freguesia que tinha lá”, disse Reginaldo Dalberto, que comercializa hortifrutigranjeiros.

Outros segmentos também concordaram. “Graças a Deus o movimento foi bom pra mim. Tomara que continue assim. Pelo menos pelo primeiro dia animou”, contou Maria José dos Santos Manfio, que vende pururuca e nhoque. Há 14 anos na feira de Cândido Mota, atualmente vendendo frutas, verduras, feijão, café em pó, leite e derivados, uma família de São Pedro do Turvo continuará vindo à cidade a cada 15 dias. “Vendemos bem, superou nossa expectativa. Tínhamos preocupação com a queda do movimento, mas se continuar assim está bom”, comentou Ilson José de Souza, que trabalha com a esposa e uma filha.

Em sua barraca fazia compras o cliente João Batista Dias Carneiro, levando legumes. “Gostei muito do novo lugar, eu já ia lá, se tornou costume de toda a semana e vou continuar vindo”, assegurou.

NOTA “10”

Orlando Silvestre vende pimenta, café e outros artigos na feira e aprovou o novo ponto. “Achava que ia ser péssimo, mas até que foi ótimo, considerando o tempo de chuva. Teve até mais gente do que lá. Torço para que continue assim. Aqui tem bastante espaço de estacionamento para os carros, não atrapalha vizinho, tem sombra e banco para o pessoal se sentar e descansar. Antes eu era contrário (à mudança), mas agora sou a favor.”

A vendedora Sonia Reinosa de Melo também ficou satisfeita. “Achei que foi bom, não esperava isso, vendi bastante bola, brinquedos, frutas e verduras. Estou contente”, declarou. Perto da barraca, um grupo de meninas compartilhou a mesma opinião. “Pela distância ficou ruim, está mais longe. Mas todo o domingo a gente vem na barrraca de pastel ou comprar doce. Até quando chegamos de madrugada de algum baile ou em tempo de chuva, não deixamos de vir”, comentaram as amigas Ana Paula B. da Silva, 17 anos, Jéssica C. Andrade Pinheiro, 18 anos, moradoras do bairro Três Cantos e Adriana Cristina Ribeiro, 16 anos, que reside no Jardim Paraíso.

NOTA “5”

O comerciante Giuseppe Polezini Neto, de Pedrinhas Paulista, que vende frango assado junto com a família, gostou do novo lugar, mas pede mais tempo para vender. “Antes a gente tinha que começar a parar 11h30 para dar tempo de desmontar a barraca até às 12h. Mas aqui, não atrapalha o trânsito nem os vizinhos. Então, acho que podíamos ficar até 1h ou 1h30, enquanto tivesse cliente”, gostaria o vendedor.

O feirante mais antigo, Mário Pereira da Silva, continua lamentando a mudança. “O que mais revolta é a forma como foi a coisa. Nós estávamos ali há quase 18 anos. Os moradores da rua São Caetano, as irmãs do Asilo, todos querem a feira lá. É uma minoria que implica com a gente. Dá dó do povo que já estava costumado e agora não vai ter mais o ponto de encontro. É uma pena”, considera.

O tratorista Fábio da Silva Lemes foi com um grupo de amigos em uma barraca de pastel e também preferia o antigo local da feira, mas diz que vai continuar indo de bicicleta para facilitar. “Ficou longe da minha casa, mas aqui é mais sossegado”, ponderou o morador da Vila Pires.

NOTA “0”

Um comerciante que não quis ser identificado disse que prefere esperar os próximos finais de semana para avaliar se houve melhora ou piora na feira com a alteração do local, mas se mostrou descontente. “Não quero nem dar minha opinião se não eu vou ‘meter o pau’. Por enquanto não deu pra sentir se foi melhor ou não”, resumiu.

Um dos feirantes mais tradicionais do município, o apicultor Torquato Ribeiro da Silva, continuou sendo contra. “Pessoas que nunca foram na feira vieram só como ‘turista’, para ver a cara nova, mas não compraram nada, mas não teve o mesmo movimento, não. Minha venda caiu pela metade”, julgou. “Teve gente que passou por aqui que foi lá (na rua São Caetano, antigo local) primeiro, porque não sabia da mudança”, completou.

Torquato se mostra apreensivo com o futuro da feira livre. “Hoje (domingo) ainda teve uma certa movimentação porque o pessoal estava curioso para ver como ficou. Mas, e daqui a alguns meses, quando passar a curiosidade, será que vai ser assim também?”, preocupa-se.

Além dos comerciantes, a consumidora Rosa de Miranda fez questão de ter seu protesto registrado pela reportagem, com o apoio e concordância de várias colegas, jovens e adolescentes. Primeiro ela criticou a quantidade de folhas de árvores no chão. “Achei muito sujo. Já pensou comer um pastel aqui? Também o espaço é pequeno, cabem poucas cadeiras pra gente se sentar. Na minha opinião, tem que voltar onde era ou achar um lugar melhor”, opinou.

Ela ainda sugeriu outra modificação. “Para quem mora nos bairros periféricos ficou mais longe, tinha que ser um lugar central que ficasse bom para todos. Ou então que os feirantes fizessem cada dia em um ponto da cidade, para ficar perto pra todo mundo”, disse a moradora do Jardim Aeroporto.