Palmital recebe seminário sobre certificação de cachaça

O Organismo Certificador de Produtos (Ocipem), órgão do Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem-SP), promove na sexta-feira, no Centro Cultural de Palmital, o seminário “A Certificação da Produção da Cachaça para Exportação”. O evento é direcionado a produtores de aguardente, comerciantes e pessoas que se interessam pelo assunto.

O seminário, que conta com apoio do prefeito Reinaldo Custódio da Silva, o Nardão, e do deputado estadual Mauro Bragato, será iniciado a partir das 16h. Os assuntos referentes à certificação da cachaça serão debatidos pelo superintendente do Ipem Antônio Lourenço Pancieri, pelo chefe de gabinete Oswaldo Alves Ferreira Júnior, pelo diretor de metrologia legal João Carlos Barbosa de Lima e pelo executivo do Ocipem José Fábio de Campos.

Entre os temas abordados no seminário estão: a cachaça, raízes, evolução e perspectivas de mercado; a estratégia estadual para a cadeia produtiva da cachaça de alambique; avaliação de conformidade; o bônus certificação e a avaliação de produtos, que é a confirmação da qualidade da cachaça.

A realização do evento deve-se à grande importância da atividade no município, onde são produzidos anualmente cerca de 100 milhões de litros de aguardente de excelente qualidade a cada ano. Com isto, as indústrias e destilarias de Palmital, que concentram grande número de trabalhadores, poderão incrementar suas atividades com a agregação de valor aos produtos mediante ao processo de exportação.

Certificação

O encontro em Palmital faz parte de um programa de incentivo à certificação desenvolvido pelo Ipem, tendo na cachaça - produto de origem exclusivamente brasileira - o carro chefe da atividade, que em breve será estendida também a outros tipos de bebidas e ao setor de alimentos. A regra da certificação verifica os aspectos de todas as etapas de produção da cachaça, como também os controles necessários para evitar a contaminação do produto, garantindo qualidade e regularidade da produção. Carbamato de Etila, Metanol, Acroleína, N-Butanol, Cobre, Chumbo e Arsênio estão entre as substâncias analisadas nos ensaios realizados durante o processo e certificação. A presença desses análitos, acima do permitido pela Organização Mundial da Saúde, é prejudicial à saúde humana.

Outros controles chegam à produção da principal matéria-prima, a cana-de-açúcar, às condições de trabalho dos empregados, à utilização de equipamentos de proteção individual e aos aspectos ambientais, como a preservação de recursos hídricos e a não utilização de madeira nativa para aquecimento dos equipamentos utilizados no processo de destilação.

A certificação voluntária acrescenta valores reais à cachaça. É através dela que a empresa poderá atestar que o produto está em conformidade com as normas técnicas exigidas pelo Inmetro, recebendo permissão para receber o selo com Certificado de Avaliação da Conformidade e demonstrando ao mercado a empresa atende às necessidades e às expectativas dos clientes, sejam consumidores ou importadores. Além disto, é uma garantia de segurança e um enorme fator de diferenciação do produto perante o mercado e a concorrência.

Histórico

A cachaça vem marcando presença na vida dos brasileiros ao longo de quatro séculos através da literatura, da culinária, da religião, da língua, das festas populares e da economia nacional, tornando-se, uma bebida originalmente nacional. Ela, que começou a ser produzida por volta de 1600 no município de Parati, no Rio de Janeiro, é a bebida brasileira mais exportada, em especial para os países europeus e Estados Unidos.

Atualmente, no Brasil, são produzidos aproximadamente 1,4 bilhão de litros de cachaça, o que representa 7% do mercado no país. Ela é a bebida destilada mais consumida no país, o terceiro mais consumido no mundo, e ocupa o segundo lugar entre as bebidas alcoólicas mais consumidas, perdendo somente para a cerveja. O Estado maior produtor de cachaça/aguardente é São Paulo, seguido por Ceará, Pernambuco e Minas Gerais.

O consumo médio mundial de bebidas destiladas é de 2,2 litros por habitante, enquanto no Brasil a média de consumo de cachaça é de sete litros, aproximadamente. O PIB do setor é de cerca de US$ 500 milhões. Estima-se que existam mais de quatro mil marcas de cachaça registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sendo 1.824 estabelecimentos produtores de cachaça registrados e mais de 30 mil produtores em todo país, gerando aproximadamente 400 mil empregos diretos e indiretos.

De acordo com levantamento realizado pelo Ministério da Agricultura, a exportação do produto vem crescendo a cada ano. Só em 2006 exportou mais de 14 milhões de dólares, atingindo 11,7 milhões de litros anualmente, um crescimento de 15% em relação a 2005. Com a expansão das exportações espera-se chegar a US$ 40 milhões em 2010 e 100 milhões em dez anos. Os grandes países compradores são: Alemanha, Paraguai, Uruguai, Portugal, Estados Unidos, Argentina e Itália. (Colaborou Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Palmital)