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Produção de amido de mandioca
cresce 12% em 2008
A produção de amido / fécula de
mandioca do ano passado foi 12% superior ao ano 2007. É o que
revela a análise preliminar do Cepea (Centro de Estudos
Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, relativas ao
comportamento do mercado em 2008. Conforme o Cepea, o mercado da
mandioca viveu um ano de estabilidade de preços, se comparado a
outras commodities agropecuárias, que tiveram oscilações
consideráveis. Para o presidente da Abam (Associação Brasileira
dos Produtores de Amido de Mandioca), Ivo Pierin Júnior, há
tendência de os preços do setor se manterem estáveis este ano,
ou até reduzirem.
O comportamento do mercado,
conforme Pierin Júnior, deverá se definir a partir dos preços do
trigo e, principalmente, do milho, que concorre com a mandioca
no segmento de amidos. Ele acredita, no entanto, que com a
quebra na safra argentina de trigo prevista para este ano e o
aumento das exportações de milho, haverá aumento do consumo de
amido de mandioca no Brasil. “A produção argentina de trigo
deverá cair de cerca de 15 milhões de toneladas para menos de 9
milhões de toneladas, em função da gravíssima redução da
produção, motivada pela seca, em associação com outros problemas
internos daquele país”, reflete.
Em relação ao milho considera
Pierin Júnior que os estoques elevados e o câmbio favorável
incentivaram o aumento das exportações do grão a partir do final
do ano passado. “Com preços remuneradores - mais altos no
mercado externo, os produtores decidiram exportar”, analisa ele,
dizendo que estes dois fatos podem mudar a perspectiva de queda
atual de preços para a mandioca para uma situação de
estabilidade. Em relação ao segmento de amido de mandioca a
expectativa é que o preço se mantenha estável.
Ele lembra que no primeiro semestre
do ano passado, com os preços do milho e trigo altos, o mercado
apresentou perspectiva de aumento. No segundo semestre houve um
desequilíbrio, sendo que os preços do milho chegaram a cair mais
de 40%. Com isso, os consumidores se voltaram a essas
matérias-primas, cujos preços estavam mais competitivos.
O consumo no mercado de fécula ou
amido de mandioca também cresceu em 2008, mesmo concorrendo
diretamente com os atrativos preços do amido de milho. Conforme
o Cepea, o setor alimentício foi responsável por boa parte do
consumo do amido de mandioca comercializada ano passado.
Remuneração
A remuneração no setor da mandioca
é avaliada como positiva pelo presidente da Abam,
‘principalmente para os produtores’, destaca ele, salientando
que a cotação cobriu os custos de produção e garantiu renda ao
agricultor. O preço médio mensal da tonelada do amido de
mandioca, calculado pelo Cepea, foi de R$ 999,82, ficando apenas
1,9% inferior ao ano anterior.
De acordo com os dados do Cepea, a
produção também aumentou no ano passado, resultando em
crescimento na renda bruta do segmento. Nas regiões acompanhadas
pelo Centro, o preço médio real ? descontada a inflação pelo IGP-DI
? da raiz para indústrias de amido de mandioca foi de R$
165,53/t no ano passado, valor 3,4% superior ao ano anterior
(2007), que foi de R$ 160,08/t, e a maior dos últimos quatro
anos.
Os preços altos da mandioca levaram
a um maior plantio no ano passado, enquanto que o plantio de
milho teve sua área reduzida, com queda de produção agravada
pela ocorrência de secas na Região Sul do País. Os estoques
altos desestimularam novos plantios do grão. O Brasil produziu
ano passado 26,6 milhões de toneladas de raiz de mandioca, e
deverá repetir este volume neste ano.
De
acordo com reflexões dos economistas do Cepea, as estimativas do
Banco Central apontam para menor crescimento do PIB brasileiro
este ano: aumento de 2,0%. Se isto acontecer o consumo deverá se
equiparar ao ano passado, sendo que entre os principais
segmentos consumidores estão as indústrias alimentícias, que,
segundo o Cepea, podem elevar o consumo de amido de mandioca, a
exemplo do que aconteceu no ano passado. O mesmo não deverá
acontecer com o setor de papel e papelão, que está sendo afetado
pela crise internacional.
Sobre a
concentração de empresas, o Cepea indica que o índice deve se
manter estável em relação a anos anteriores. O atual cenário não
aponta para a entrada de novas empresas no setor, nem
expectativa de aumento da capacidade instalada das unidades em
operação. Contudo, as empresas existentes devem se manter no
mercado, não havendo previsão de fechamento de fábricas de amido
de mandioca no Brasil. (Colaborou Assessoria de Imprensa)
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