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Produtores do Vale Paranapanema questionam pacote ambiental
O pacote ambiental proposto pelo governo para regulamentar e
modificar o Código Florestal, de 1965, não encontra ‘eco’ entre
os produtores rurais do Vale do Paranapanema. A justificativa é
que as medidas propostas não consideram as necessidades e a
realidade dos produtores rurais. As divergências entre os
ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente se concentram na
regularização da reserva legal, no enquadramento de áreas
desmatadas antes da legislação, no prazo para regularização
dessas duas questões, na inclusão de APP’s dentro da reserva
legal e cotas para compensar a insuficiência de reserva legal.
Para o representante dos produtores, Orson Mureb Jacob,
presidente do Sindicato Rural de Assis, essa discussão tem sido
muito influenciada pela ótica ambientalista e os mais atingidos
pelas medidas ambientais não são ouvidos pela mídia. “ Essa
discussão toda está gerando uma expectativa desagradável. Mais
importante que determinar prazos para regularizar a reserva
legal é questionar se essas medidas vão solucionar também a
questão da produção de alimentos. Os ambientalistas não parecem
nem um pouco preocupados com o impacto socioeconômico dessas
medidas”.
Segundo Jacob, a questão ambiental só é vista por um único lado.
“O setor que está sendo mais penalizado pela legislação
ambiental é o rural. Deveria haver mais equilíbrio nas medidas
ambientais, visto que a preservação diz respeito a toda a
sociedade. Por que não instituir um Imposto Ambiental, assim
todos contribuem com o meio ambiente.”
De acordo com Jacob, os ambientalistas brasileiros deveriam ter
o bom senso de adaptar as idéias preservacionistas para a
realidade do país. “Enquanto eles se preocupam com a Natureza, o
ser humano é destratado em vários níveis da sociedade. Um
exemplo bem próximo de nós são os trabalhadores rurais que atuam
no corte de cana. Enquanto o governo pressiona para se acabar
com a queimada do canavial e acelerar o processo de mecanização
da colheita, nada foi feito para promover esses trabalhadores.
Resultado: já se prevê para o ano que vem a redução de
aproximadamente 30% de vagas no corte de cana. Esse assunto
deveria ser tratado com mais seriedade pelo Governo. Se as
administrações públicas anteriores tivessem se preocupado mais
com o cidadão, investido mais em educação e melhores condições
de vida, isso não teria o impacto que está tendo hoje”.
O processo de extinção do cortador de cana começou com a
legislação que impõe acabar com a queimada e a totalização da
colheita mecanizada na cana-de-açúcar. “Não podemos esquecer
que muitos desses trabalhadores são pais e mães de família,
portanto, quantos mais dependem do rendimento deles para
sobreviverem?”, questiona Jacob. (Colaborou Assessoria de
Imprensa)
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