Mulher que matou amásio na ‘São Judas’ vai a júri hoje

A dona de casa C.A.C., de 24 anos, vai a júri hoje no Fórum de Cândido Mota. Ela é acusada de ter matado o amásio Fernando Rodrigues Benedito, de 24 anos, após desferir um golpe de faca do lado esquerdo de seu peito, na altura do peito. Na ocasião, segundo Roldão Valverde, um dos advogados de defesa, ela mesma acionou a equipe da Polícia Militar e o rapaz chegou a ser socorrido, porém chegou ao pronto socorro, já sem vida.

O julgamento está previsto para iniciar às 10h e além de Roldão também atuará na defesa da ré a advogada Fernanda Stefani Amaral. De acordo com Roldão a ré já cumpriu cerca de 1 ano e 2 meses, após ser presa na noite do dia 29 de janeiro de 2006, quando desferiu o golpe contra o amásio.

“Na minha defesa usarei como base a Lei Maria da Penha, devido às agressões que ela vinha sofrendo há algum tempo, pois de acordo com seus relatos era agredida e ameaçada pelo amásio constantemente”, disse Roldão.

Na época dos fatos Cristiane, então com 21 anos, residia em uma casa na rua São Francisco, na Vila São Judas, tinha três filhos, um de 4 anos de um relacionamento anterior e dois com Fernando, de 2 e 3anos.

Segundo relatos do boletim de ocorrência registrado pela equipe da Polícia Militar, o crime aconteceu na noite do dia 29, após os dois chegarem de uma festa e  iniciarem uma discussão por causa de um boné. De acordo com os relatos da época de Cristiane, ele queria o boné e como ela não sabia onde estava, começou a agredi-la e impediu que saísse a ameaçando de morte, porém alguém chamou pela vítima em frente à casa. Ele saiu e  quando retornou, segundo a ré, levantou a mão para bater nela, foi quando a mesma deu uma facada em seu peito e ele caiu de bruços. Ela contou ainda que chegou a virá-lo de costas e em seguida chamou a polícia, que ao chegar se deparou com o Fernando no chão ferido no peito e Cristiane chorando ao seu lado com o filho menor no colo. Posteriormente ele foi socorrido até o Pronto Socorro, onde chegou, já sem vida, e ela, levada à Delegacia, onde o delegado Mário Sérgio Bicalho a autuou em flagrante por homicídio, sendo então transferida para a Cadeia de Lutécia.

Roldão conta que sua cliente disse que era constantemente agredida.

“Ela me contou que era sempre agredida pelo amásio. Que eles estavam há cerca de 4 anos juntos quando ocorreu o fato e que durante 2 anos eles viveram bem, mas passado esse período tudo mudou, era agredida e ameaçada sempre, porém nunca chegou a registrar boletim. Atualmente ela reside em uma cidade do Paraná e retornou para o julgamento no qual eu e Fernanda atuaremos como advogados de defesa”, destacou Roldão.

O júri, será composto de sete jurados. A juíza responsável será Renata Scudeller Negrato e o promotor Rogério Pinheiro Pagani.