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Produtores vão entrar com Ação de Restituição contra Banco do
Brasil
Os Sindicatos Rurais de Assis e de Cândido Mota estão
conclamando os produtores rurais a entrar juntamente com as
entidades em uma Ação Ordinária de Restituição de Indébito
contra o Banco do Brasil.
O motivo do alvoroço é o alto índice cobrado na correção da
poupança rural do Banco do Brasil, durante o plano Collor.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Assis, Orson Mureb
Jacob, a diferença que foi cobrada a mais chega a ser o dobro do
que deveria ser corrigido em março de 1990.
Esse alerta é válido para todos os produtores rurais, não só
daqui da região como de todo o país, que fizeram financiamento
no Banco do Brasil até março de 1990, através da poupança rural.
A boa notícia é que essa correção no índice da poupança já tem
amparo legal, mas os interessados devem correr para entrar na
justiça, pois o fato prescreve daqui a dois anos.
Os Sindicatos Rurais de Assis e de Cândido Mota vão entrar com
Ação Ordinária de Restituição em nome dos associados e têm se
mobilizado para divulgar o caso a outras regiões para que o
maior número de produtores possam ser beneficiados com essa
sentença.
A ação pode também favorecer os produtores que ainda estão
pagando financiamento daquela época no Banco do Brasil, porque
podem pedir a devolução do que foi pago a mais.
Aliás, segundo Jacob, essa pode ser a esperança de muitos que
almejam se desvencilhar das garras dos bancos, pois o montante a
ser devolvido virá com correção de março de 1990 até hoje, e
isso pode significar sua independência financeira.
As entidades estão à disposição de todos os produtores para
prestar mais esclarecimentos sobre o fato e alerta a todos para
que saiam em defesa de seus interesses porque é de direito, e
garantido legalmente.
Os Sindicatos Rurais também estão conversando com os produtores,
e é de conhecimento das entidades que muitos temem retaliações
por parte dos agentes financeiros. “Nós produtores temos o
costume de ver o banco como parceiro de produção, mas na
verdade, os bancos nunca foram parceiros e nem amigos dos
produtores, porque somos nós os clientes, mas também somos nós
que saímos com o prejuízo quando há frustração de safra. Só quem
passou por dificuldades para efetuar seus financiamentos sabe do
troca-troca que é obrigado a fazer para obter recursos para a
produção”, desabafa Jacob.
Apelar para a Justiça
Segundo Jacob, enquanto o governo não estabelecer uma política
agrícola séria que defenda a produção e a renda do produtor, a
melhor saída é a justiça. “ A agricultura é a única atividade
econômica regulamentada pela lei”, informa Jacob citando o
jurista Lutero de Paiva Pereira, que afirmou categoricamente que
os produtores rurais tem o direito assegurado legalmente de
questionar a União sobre a aplicação da Política Agrícola, pois
é o único setor econômico que tem a atividade regulamentada pela
Constituição e, trata-se também, de uma atividade de interesse
social que garante a estabilidade da nação através da produção
de alimentos.
Outro argumento exposto pelo jurista é referente à Política
Agrícola e aos preços mínimos. Segundo o jurista, a política
agrícola afirma que a Agricultura tem que assegurar a
rentabilidade de quem atua na atividade e de que o Estatuto da
Terra diz que dentro do preço mínimo estabelecido pelo governo,
deve estar incluído o percentual de 30% de receita. Este é o
ponto principal da ação proposta pelos advogados dos Sindicatos
Rurais de Assis, Cândido Mota e Maracaí, que alegam ser o
governo culpado pela perda de rendimento dos produtores ao
estabelecer valores para os preços mínimos abaixo dos custos de
produção.
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