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CM é exemplo de reforma agrária, diz Motta
Mais de 700 pessoas, entre associados, convidados, diretores e
funcionários do Sindicato Rural de Cândido Mota, participaram da
inauguração da nova sede social da entidade, a Casa do
Agricultor ‘Dr. Fábio Meirelles’, na noite da última
sexta-feira. O líder nacional Fábio de Salles Meirelles,
presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária,
do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, da Federação da
Agricultura do Estado de São Paulo e do conselho deliberativo do
Sebrae-SP, esteve na solenidade e foi recepcionado pelo público.
O evento teve a participação de autoridades, que fizeram uso da
palavra e se posicionaram diante de questões relevantes para a
agricultura. O presidente do Sindicato Rural, João Motta,
agradeceu a Fábio Meirelles, ‘pelo grande esforço para estar em
Cândido Mota’ e reafirmou a importância da ‘presença do
representante máximo da agricultura brasileira’.
“Fico feliz por ter contribuído decisivamente para a vinda do
Dr. Fábio. Espero que ele continue firme no seu ideal de
valorizar o pequeno e médio produtor rural”, salientou Motta.
Durante o discurso, o sindicalista reforçou a necessidade de uma
‘política agrícola séria, que valorize o produtor rural e não
apenas o agronegócio’. Frisou que na região a reforma agrária já
existe, ‘pois mais de 80% dos produtores rurais possuem áreas
abaixo de 80 hectares’. “Isto é reforma agrária natural”, opinou
o líder do sindicato.
Motta destacou a necessidade de seguro de produção e renda.
Asseverou que a pedra fundamental para uma política agrícola
‘séria e robusta’, é um seguro de produção que garanta renda
mínima ao pequeno e médio produtor rural. “Estamos cansados de
ver o Governo Federal empurrar o problema com a barriga e não
resolver de forma definitiva os problemas financeiros do
agricultor. Chega de descaso, queremos mais respeito para com
aqueles que sustentam o Brasil no cabo da enxada”, desabafou.
Meio ambiente
Ele citou ainda questões referentes ao equilíbrio do meio
ambiente. O presidente do Sindicato Rural deixou claro que os
produtores rurais não são contra a preservação do meio ambiente.
Ele entende que muita coisa deve ser revista e até mesmo a
recomposição de algumas espécies de mata nativa deve ser feita.
“No entanto, o agricultor não pode ser tratado como bandido,
pois o único pecado que cometeu foi produzir durante anos
alimentos para toda a nação brasileira, inclusive para boa parte
da população mundial”.
E continuou: “Sabemos que é necessário rever esse
posicionamento, que não é mais correto desmatar para plantar. Se
antes era correto, pois o próprio governo fomentava a degradação
ambiental, pois o asfalto das rodovias que desbravavam os
‘sertões’, bem como o aumento da produção de alimentos, eram
vistos como sinais de progresso e desenvolvimento, hoje não é
mais bem assim. Dessa forma, é muito importante que o governo e
a sociedade assumam de vez sua responsabilidade ambiental frente
às novas demandas mundiais, todavia, com muita cautela para o
produtor rural não ser injustiçado e condenado sozinho por algo
que fez com a anuência do governo e para a sobrevivência e
comodidade da população urbana.”
O dirigente sindical ainda lembrou que atualmente a consciência
ambiental tomou conta de todo o imaginário nacional e mundial.
“O comportamento ambientalmente correto se transformou em uma
bandeira defendida por muitas ONGs e passou a ser encarado como
uma única postura, ética e legal, a ser defendida aos quatro
cantos por políticos que nunca foram ‘verdes’, mas que agora,
por ser mais aprovável essa postura, assumem sem vergonha
nenhuma esse lado ecológico que por muitos anos, por
conveniência talvez, estava escondido”, frisou.
“Chega de hipocrisia. O produtor rural está cansado de ser o
esteio dessa nação e ainda assim receber o rótulo de ser o único
responsável pela degradação ambiental. A busca pelo meio
ambiente equilibrado é para a sobrevivência e bem estar do
homem, ele não deve ser destruído sob o pretexto de se recuperar
o meio ambiente. Assim, diante desse ‘tsunami verde’ que afoga
qualquer tipo de consciência social, econômica e política da
população e dos governantes, devemos analisar a situação ‘cum
grano salis’ e ter em mente que o agricultor não pode pagar essa
conta sozinho”, desabafou.
Condições
Ele explicou que ‘não é apenas o governo que deseja alimentos
mais baratos para a nação’. “Os produtores também querem que os
preços dos alimentos sejam mais acessíveis à grande massa, pois
assim poderiam produzir mais e vender mais. No entanto, precisam
de condições e garantias mínimas para que isso aconteça sem
haver perda ou depreciação de seus bens. É imperioso que ele
consiga pelo menos manter sua família e propriedade com
dignidade no campo, pois crise após crise o agricultor se vê
cada vez mais comprometido com dívidas e financiamentos
intermináveis.”
E prosseguiu: “Se é feio ou palavrão dizer ‘subsídio ao produtor
rural’, então que seja dito subsídio ao pobre, ao povo faminto,
às criancinhas que moram em marquises e não têm o que comer, a
todos que não tem condição de se quer comprar uma cesta básica.
Uma agricultura mais forte, com certeza passa pelas mãos de um
produtor rural sustentado por uma política agrícola séria,
condizente com sua realidade e que garanta as mínimas condições
financeiras, desde o plantio até a colheita”.
De acordo com João Motta, ‘neste sentido, em defesa dos
interesses do produtor, o Sindicato Rural vem lutando há anos’.
“Em 2000, o Sindicato Rural já conseguiu lograr êxito em ações
judiciais propostas em defesa do produtor rural. A entidade atua
politicamente em defesa dos interesses do produtor, e, caso seja
preciso, também ingressa na Justiça para brigar pelo produtor
rural. Vamos até o fim junto com o produtor”, enalteceu o líder
sindical.
Para ele, no dia 12 de maio foi inaugurado um novo tempo, ‘de
evolução’. “Entretanto, o que é bom não muda, evolui. Desse
modo, continuaremos ouvindo as reivindicações dos produtores
visando melhorar os serviços oferecidos aos associados. Assim,
esperamos que os associados continuem participando maciçamente
para que a entidade, cada vez mais fortalecida, possa cumprir
com sua grande missão, que é melhorar as condições de vida do
produtor rural”.
Desculpas
Conforme disse, a entrega da nova sede, além da realização de
antigo sonho, é dedicada aos fundadores da Associação Rural,
mais tarde transformada em Sindicato Rural. “Imbuídos de um
espírito altruísta e associativista, seus fundadores idealizaram
desde cedo um mundo melhor e mais justo. Sob a liderança nata do
saudoso e querido Lázaro Ignácio Dias, que acompanhado de
Gilfredo Boretti, Joaquim Galvão de França, Alfredo Maschio,
Benedito Pires, Jair Ribeiro da Silva e outros tantos, ajudaram
a fundar e lutaram pelo desenvolvimento do Sindicato Rural, que
graças a esses homens de coragem e nobres ideais, contribuíram
para que a entidade completasse 40 anos de muito trabalho e
sucesso”.
Sobre a festa de reinaguração da sede e que também marcou os 40
anos o Sindicato Rural de Cândido Mota, João Mota disse que a
diretoria ‘pede desculpas por algum incidente ou mal entendido
que possa ter ocorrido’. “Reiteramos inclusive os nossos pedidos
de desculpas àquelas pessoas que ficaram sem convite. Lembramos
que a procura foi intensa entre os dias destinados para a
confirmação da presença e que na sexta-feira, a entrega de
convites já estava suspensa em razão do local do jantar não
comportar mais de 700 pessoas bem acomodadas para um jantar”.
Por fim, falou que a diretoria do Sindicato Rural ‘acredita no
sucesso do evento’. “Houve participação maciça daqueles que são
o sentido da existência e da luta desses 40 anos de Sindicato
Rural: o produtor rural. Obrigado a todos os associados,
funcionários e convidados, que colaboraram e fizeram do evento
um marco na história do município”, finalizou João Motta. |