Pesquisadores apresentam projeto agricultura irrigada para Médio Vale Paranapanema

Em coletiva realizada na tarde de ontem na sede do Civap (Consórcio Intermunicipal do Vale do Paranapanema), em Assis pesquisador  do Instituto de Agronomia de Campinas Ricardo Kanthack e o pesquisador científico do Instituto Florestal de Assis, José Carlos Molina Max, falaram sobre a Área Experimental Agroflorestal Sustentável de Palmital, que apesar de estar situada em um bairro rural do município, será destinado a todo médio Vale Paranapanema. O presidente do Civap, e prefeito de Palmital também esteve presente.

A experiência com a área consiste em gerar informações para a utilização racional da água nas culturas anuais (milho e trigo) e na fruticultura (banana) na Região do Médio Paranapanema, São Paulo, avaliando-se o efeito da irrigação localizada a longo prazo, associado a diferentes níveis de adubação potássica em bananeiras, além do monitoramento do microclima no interior do pomar correlacionando com o desenvolvimento das principais doenças da cultura. Este projeto também irá quantificar as demandas hídricas das culturas em função dos parâmetros agrometeorológicos e fornecer os parâmetros técnicos de referência para o cálculo do retorno econômico da irrigação da sucessão milho e trigo, quer para a adoção de sistemas convencionais de aspersão e auto-propelido, como para pivô central e seu uso racional.

No caso da bananicultura, os dados referentes ao primeiro ciclo de produção foram coletados e encontram-se em análise. Até final de 2010, espera-se que os parâmetros referentes à irrigação e nutrição potássica dos bananais instalados na Região do Médio Paranapanema estejam definidos.

Além os pesquisadores explicaram também que estão trabalhando na avaliação de variedades de banana (Musa sp.) e manejo fitossanitário da Sigatoka Amarela (Mycosphaerella musicola Leach) e da Sigatoka Negra (Mycosphaerella fijiensis Morelet). Até o final de 2010, espera-se que as variedades promissoras estejam identificadas e os parâmetros para o monitoramento fitossanitário da cultura já estejam estabelecidos.

Na ocasião Ricardo explicou que a área de 73, 4 hectares possui vários tipos de irrigação. Cada tipo de irrigação é destinada a uma produção, e o grande objetivo do trabalho é conseguir aprimorar a irrigação de acordo com a espécie plantada, da maneira correta, na quantidade certa para que não agrida a planta e nem o solo.

A área é composta de reserva legal na qual foram cultivadas plantas de matas ciliares da região, de pomar de sementes, e de Tume (Teste de Uso Múltiplo de Eucalipto), que segundo Max são extremamente necessários para que a área se torne sustentável.

“Nós dividimos a área de acordo com as exigências e é extremamente importante que nesse local tenha um pomar de sementes para fins de coleta para sejam plantadas futuramente em outros locais, nesse local temos cultivadas várias espécies”, escalreceu Max.

Ela ainda explicou sobre a necessidade do Tume, pois segundo ele o eucalipto tem se tornado atualmente um produto de custo que está se igualando a outros produtos.

“Nós temos nessa área 12 espécies de eucalipto normal, além de 4 clones e estamos pesquisando qual será o mais adequado para ser cultivado na região, e isso depende muito de como ele será utilizado e para que, por isso é necessário um estudo bem amplo das espécies”, disse ele.

Ele ainda deu exemplo de uma das espécies de clones de eucalipto que em seis meses já tem 3.40 metros, o que na espécie normal a planta teria 1.20 metros nessa idade.

Está sendo estudado ainda a  possibilidade da colheita do eucalipto ser diminuída de 7 para 3 anos.

Projeto Fitoterápico

Esteve presente também o professor do departamento de Ciências Biológicas da Unesp de Assis, Regildo Márcio Gonçalves Silva, que falou sobre o projeto fitoterápico que eles estão realizando em parcerias com diversas instituições, que é a utilização de plantas medicinais como medicamentos para certas doenças.

“A nossa intenção é de resgatar essa arte do uso das plantas como remédios que sempre existiu e que atualmente anda meio esquecida, valorizar mais os poderes fitoterápicos delas”, disse Regildo.

Ele acredita que com o conhecimento que todos os envolvidos têm na manipulação dessas plantas, será possível a utilização delas na cura de doenças.

O primeiro passo será uma capacitação de agentes de saúde para aprenderem sobre as várias espécies e para que são utilizadas. Ele pensa também na criação de um Horto de plantas medicinais para o fornecimento de mudas. Também será feito um levantamento sobre as melhores formas de uso das plantas.

“Nossa intenção é cria futuramente a primeira farmácia fitoterápica da região que se chamará ‘Farmácia Verde’, que disponibilizará medicamentos dentro dos padrões nacionais e internacionais. O intuito é que a farmácia será pública, porém com certeza teremos parcerias com empresas privadas, pois para que isso seja possível exige-se todo um processo que envolve diversas áreas”, completou ele.