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Faltas de professores afetam desempenho de alunos em SP
Faltas de professores são prejudiciais aos estudantes. A
conclusão, que parece óbvia para qualquer cidadão, ganha agora,
pela primeira vez, uma comprovação. A Secretaria de Estado da
Educação acaba de finalizar estudo em sua rede de escolas, a
maior do Brasil, cruzando dados de faltas de docentes com o
desempenho dos estudantes no Saresp, o sistema de avaliação de
aprendizagem do governo do Estado. A conclusão é que a cada 1
ponto percentual de aumento de faltas de professores há perda de
14 pontos em língua portuguesa e 16 pontos em matemática entre
os alunos.
Realizado pelo Laboratório de Idéias, grupo de 12 especialistas
criado pela Secretaria para estudar a fundo os dados
educacionais do Estado de São Paulo e, assim, oferecer uma base
para implementação de programas educacionais em escolas, o
levantamento foi feito com base no Saresp 2007, com estudantes
da 4ª série do Ensino Fundamental, nas duas disciplinas cobradas
pela avaliação: matemática e língua portuguesa.
As faltas dos professores da rede estadual foram fornecidas pelo
Departamento de Recursos Humanos (DRHU) da Secretaria e pela
Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo
(Prodesp). Os dados sobre as escolas foram extraídos do Censo
Escolar 2007.
“Tendo em vista que a escala do Saresp varia de 0 a 500 pontos,
como a escala do Saeb (a avaliação do governo federal), a
redução de 14 e 16 pontos pode parecer pequena. Porém, os outros
insumos educacionais sob controle da escola ou do poder público,
como a infra-estrutura da escola e o número de alunos por
classe, têm menor influência no aprendizado dos alunos de acordo
com nossas estimativas. Por exemplo, escolas com até 200 alunos
apresentam melhores resultados em Língua Portuguesa. Contudo, a
nota média de Língua Portuguesa de uma escola com esse porte é
maior em apenas 4 pontos”, afirma Priscila Albuquerque,
coordenadora do Laboratório de Idéias.
Além de possuir maior impacto positivo no aprendizado em relação
a outros insumos manipuláveis pelo governo, a redução do
absenteísmo do professor é importante principalmente para a 4ª
série porque os alunos das séries iniciais, que estão iniciando
sua vida escolar e sendo alfabetizados, são mais dependentes do
professor. Soma-se a isso o fato de que até a 4ª série do EF,
cada turma tem apenas um professor e se ele falta a classe pode
ficar sem um dia inteiro de aula.
Queda das faltas
As faltas de professores motivadas por atestados médicos caíram
quase 60% na rede estadual de Educação de São Paulo. É o que
aponta balanço da Secretaria sobre os 6 meses iniciais da lei
que, desde 17 de abril, limitou em seis ao ano o número de
ausências com pedidos médicos.
O balanço da pasta compara os seis primeiros meses da medida ao
mesmo período de 2007, quando os professores podiam faltar sem
limite (dia sim, dia não). Entre maio e outubro de 2007 houve
398 mil faltas por atestados médicos nas escolas estaduais, com
atestados apresentados 247 mil vezes (podia-se apresentar
atestados para dias à frente). Neste ano, nos mesmos meses,
foram 163 mil faltas, ou seja, menos quase 60%.
A comparação apenas com os meses de outubro (2007 e 2008) também
pode ser feita. No ano passado houve 76 mil faltas em outubro.
Neste ano foram 29 mil, queda de praticamente 62%.
“É uma mudança importante. Isso reflete diretamente na
aprendizagem dos estudantes, nosso objetivo. É fundamental que o
professor acompanhe o dia-a-dia dos alunos, que haja
continuidade de ensino”, afirma a secretária de Estado da
Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.
Antes de a nova lei entrar em vigor, com projeto do governador
José Serra, a Secretaria registrava cerca de 30 mil faltas
diárias de professores (12,8% dos cerca de 230 mil professores
da rede) amparadas em 19 dispositivos legais que garantiam que
não houvesse desconto em folha de pagamento. “Era uma minoria de
professores, mas que prejudicava sobremaneira o trabalho dos
outros 87%, que dia-a-dia batalhavam pela aprendizagem dos
estudantes”, diz Maria Helena. Usando todos os dispositivos
legais, era possível que um professor trabalhasse apenas 27 dos
200 dias letivos de um ano. (Colaborou Assessoria de Imprensa
da Secretaria de Estado da Educação)
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