Assis traz ‘Gravura de Segall: processos poéticos’

A partir desta quinta-feira, a população de Assis e região tem uma oportunidade única de conhecer parte das obras do artista Lasar Segall, nascido na Lituânia em 1891 e naturalizado brasileiro em 1927. A exposição ‘Gravura de Segall: processos poéticos’ está no Memorial Rezende Barbosa, em Assis, e pode ser visitada gratuitamente de segunda à sexta-feira, das 14 às 20h.

A escolha das obras que compõem esta mostra é da museóloga e curadora da exposição, Rosa Esteves. Ela revela que a coletânea é fruto de uma pesquisa de dez anos, que mostra todo o processo de criação do artista Lasar Segall. “Trouxemos para o Memorial inclusive os primeiros desenhos de Segall, obras de 1910, que ele usava como estudo ou referência para fazer o seu trabalho”, comenta Rosa Esteves.

Sobre a importância de uma exposição como esta em Assis, o curador do Memorial Rezende Barbosa, Paulo Barbosa, afirma que o Museu Lasar Segall é uma referência nacional, principalmente com relação ao Projeto Educativo, que é excepcional. Eles têm um material muito rico e o Memorial tem buscado proporcionar este tipo de ação por meio de parcerias com a Diretoria de Ensino, além da preocupação em trazer para Assis e região exposições de qualidade.

“Esta exposição explica o ofício do artista, que na verdade é um operário que realiza um trabalho suado. É uma oportunidade de desmistificar aquela idéia de que um artista vive olhando para o mundo da lua”, destaca Paulo Barbosa. Ele garante que esta exposição é de uma qualidade muito grande e que a população não pode perder a chance de conhecer Lasar Segall, sem ter que viajar mais de 400 quilômetros. “A exposição fica no Memorial durante três meses, portanto, não tem desculpa para não visitar”, diz.

O artista

Lasar Segall nasceu no dia 21 de julho de 1891, em Vilna, Lituânia. Abandonou a terra natal ainda jovem, chegando em Berlim em 1906, onde cursou a Academia de Belas Artes de 1907 a 1909. Lá conquistou inúmeras premiações, mas não se adequou à disciplina local. Após permanecer três anos na academia foi desligado, pois participou de uma exposição de vanguarda, onde ganhou o prêmio Max Liebermann.

Em 1912 veio ao Brasil e no ano seguinte expôs suas pinturas com conotação tipicamente moderna, em São Paulo e Campinas, porém foi friamente recebido pelos críticos. Logo em seguida, Lasar foi à Alemanha por motivos de saúde e por ser cidadão russo ficou num campo de concentração.

A partir de 1923 voltou ao Brasil, especificamente para São Paulo, concretizou uma individual paulistana e realizou imensos murais para a decoração do Pavilhão de Arte Moderna. No ano de 1927, Segall naturalizou-se brasileiro e começou a esculpir.

Depois de uma exposição de sucesso em 1931, em Paris, passou a residir em São Paulo, onde morreu no dia 2 de agosto de 1957. Foi um dos fundadores da Sociedade Pró-Arte Moderna - SPAM, em 1932, da qual se tornou diretor até 1935. Dez anos após sua morte, em 1967, a casa onde morava, na Vila Mariana, São Paulo, foi transformada no Museu Lasar Segall. (Colaborou Assessoria de Imprensa)