Atualmente o mercado de
milho caminha apreensivo. Esse cenário vem se
desenhando por conta do setor consumidor, que está
preocupado com uma possível redução, ainda maior, da
oferta do grão nos meses de janeiro e fevereiro do
próximo ano. A inquietação ocorre tendo em vista o
prolongamento de um mês a entrada da safra 2007/08,
devido à estiagem.
Setores que necessitam
do milho já estudam saídas para uma possível falta
do produto. Exemplo disso é a Associação Paulista de
Avicultura - APA, que procurou o Governo Federal
para demonstrar sua preocupação e pedir a liberação
de milho transgênico. “Os produtores têm milho, mas
não querem vender”, comenta o analista de mercado da
Coopermota, José Ignácio Dias. Porém, destaca que
com o preço que o grão atingiu os agricultores
passam a se desfazer agora dos estoques.
O analista avalia,
ainda, que até janeiro o mercado de milho seguirá
muito firme. No entanto, adianta que na Bolsa de
Mercado Futuro já é possível o produtor travar o
preço da produção em R$ 22 a saca. No caso da soja,
o mercado disponível continua estável, mantendo os
valores até com alguma melhora, também devido à
falta de oferta.
Negociada hoje a R$
40,70 para o produtor, a oleaginosa já pode ser
comercializada no mercado futuro para entrega em
março/08 e pagamento no final do mês a R$ 35 a saca.
“Esse é um bom preço para o agricultor travar seus
custos”, argumentou Dias.
Já o mercado de trigo,
onde o Brasil é grande dependente da importação,
teve na última safra uma produção de 4.500 milhões
de toneladas. No entanto, seu consumo é de
aproximadamente 10 milhões de toneladas. O analista
da Coopermota lembra que no início da colheita o
valor do produto atingiu US$ 9,80 o Bushel, o que
encarecia a importação, devido à quebra na safra
australiana. Após avaliação, o mercado hoje está em
US$ 7,53 o Bushel, recuando o preço do trigo para R$
34 a saca, dificultando a comercialização.