‘O que era ruim piorou ainda mais’, alerta sindicalista


 

Preocupado com a situação de muitos produtores rurais que estão encontrando dificuldades de acesso a seguro para plantar a nova safra de inverno e com outros que nem receberam as indenizações de 2009, o presidente do Sindicato Rural de Cândido Mota, João Antonio Ferreira da Motta, questiona mais uma vez se não é hora de o produtor refletir se vale a pena plantar assumindo tantos riscos, colocando em jogo até o patrimônio.

“Há mais de 20 anos os sindicatos rurais do Vale brigam por um seguro que garanta renda e a produção. Infelizmente o modelo de seguro atual não considera as necessidades do produtor rural, principalmente os pequenos e médios. Antes ainda o governo dava uma subvenção às empresas seguradoras e isso barateava um pouco o seguro para o produtor, mas essas subvenções vêm rareando ano a ano. Então o produtor tem acesso a um seguro que cobre pouco e cobra caro. Se ele não faz o seguro, acaba arcando sozinho com o risco.”

Em dezembro de 2009, o Governo Federal aprovou o Plano Trienal do Seguro Rural como parte do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural por meio do Decreto Nº 7059/09, referente ao período de 2010 a 2012. De acordo com o plano, o governo destina 70% do percentual de subvenção à produção de milho segunda safra. O decreto ainda permite que o produtor complemente a subvenção federal com subvenções concedidas pelos governos municipais e estaduais. No caso do Estado de São Paulo, o produtor pode requerer a subvenção no valor correspondente a 50% do valor do seguro não subvencionado.

Realidades diferentes

Na prática, Motta afirma que o que está no papel não se confirma. “Lendo o decreto federal parece muito bonito, mas o que temos visto na realidade é outra situação. O governo diz que tem recursos, mas você procura a seguradora e ela diz que o dinheiro acabou na safra de verão. A Seguradora Aliança, do Banco do Brasil, não vai operar na safrinha este ano. E as poucas empresas que se arriscam jogam as taxas de seguro lá em cima”, indigna-se Motta.

Além da falta de cobertura, Motta relatou que os preços dos produtos agropecuários estão muito baixos e não há sinal de melhora no mercado. “Tem produtor que ainda não comercializou a safra de 2009 por falta de preço e não sabe o que fazer agora. E só para piorar a situação, há quem diga que este ano haverá mais complicações climáticas, o que não se pode duvidar, pois até a chuva que seria responsável pela ‘superssafra’ tão anunciada, já provocou estragos a algumas lavouras, devido à ocorrência de ferrugem asiática e com isso causando a frustração de muitos.”

Para Motta, a situação é realmente preocupante e exige uma decisão radical dos produtores. “Há anos vemos a mesma coisa acontecer em todo início de safra. Sempre a falta de uma política agrícola concreta ajustada às necessidades dos produtores. Está na hora de nos unirmos e exigir mais atenção do governo. Afinal, nós produzimos e arcamos com todo o risco e não temos nenhum seguro. Nós contribuímos com o superávit da balança comercial”, disse.

E completou: “Nós contribuímos com o baixo custo dos alimentos para a população e apesar disso, a sociedade não toma conhecimento das nossas dificuldades. Será que o governo realmente acha importante a produção de alimentos para o país? E se decidirmos não plantar? O que será que vai acontecer? Está na hora de repensarmos a nossa postura diante da insensibilidade do governo”. (Colaborou Assessoria de Imprensa)