Japoneses de CM destacam conquistas após centenário de imigração

Em comemoração ao centenário da imigração Japonesa no Brasil, os japoneses residentes em Cândido Mota, Minoru Ogawa, e Natsuio Samesima, avaliaram as conquistas e as dificuldades enfrentadas no decorrer do período.

De acordo com a história, os imigrantes japoneses foram trazidos pelo navio Kasato Maru, em Santos. No começo do século XX, o Brasil precisava de mão-de-obra estrangeira para as lavouras de café, enquanto o Japão, passava por um período de grande crescimento populacional. A economia nipônica não conseguia gerar os empregos necessários para toda população, então, para suprir as necessidades de ambos países, foi selado um acordo imigratório entre os governos brasileiro e japonês.

O começo da imigração foi um período difícil, pois os japoneses se depararam com muitas dificuldades. A língua diferente, os costumes, a religião ,o clima, a alimentação e até mesmo o preconceito tornaram-se barreiras à integração dos nipônicos aqui no Brasil. Muitas famílias tentavam retornar ao país de origem, porém, eram impedidas pelos fazendeiros, que as obrigavam a cumprir o contrato de trabalho, que geralmente era desfavorável aos japoneses. Mesmo assim, eles venceram estes problemas e prosperaram.

O comerciante Minoru Ogawa, 76, declara que apesar das barreiras que muitos enfrentaram no ínicio de sua instalação no Brasil, com o passar do tempo eles conseguiram se consolidar em todos os segmentos da sociedade.

Ele recorda que seu pai Kenroku Ogawa veio ao Brasil em 1908, em uma embarcação do Peru e que parou no Amazonas. Posteriormente retornou para o Japão, voltando definitivamente ao território brasileiro em 1918. Já na década de 50, sua família foi considerada pioneira na plantação de soja na região de Bauru, o que comprova a ascensão da classe japonesa.

“Nestes cem anos muitas coisas aconteceram, onde vale destacar que os japoneses conseguiram seu próprio espaço no Brasil. Eles inseriram-se em vários ramos profissionais, como a medicina, área da educação, entre outros. E no meu caso no setor de auto-peças, como pioneiro na região”, destacou Minoru. 

Já Natsuio Samesina, popular Dona Maria, 94, nasceu no Japão e há 70 anos mora no Brasil. Ela declara que veio a pedido da sua irmã que já  habitava aqui e acabou não voltando mais. “Muitos japoneses vieram trabalhar na lavoura, pensando em um dia voltar para sua terra natal, mas com o passar do tempo foram todos ficando,” disse Dona Maria.

Ela ressalta que em seu caso, já tinha um destino certo, porém a grande maioria passou por momentos difícies, principalmente com os fiscais que existiam no trabalho nas plantações de café.

“Muitos sofreram no começo, mas depois conseguiram comprar suas próprias terras, e acabaram construindo sua própria vida”, disse a japonesa.

Atualmente, o Brasil é o país com a maior quantidade de japoneses fora do Japão. Plenamente integrados à cultura brasileira, contribuem com o crescimento econômico e desenvolvimento cultural do país, pois trouxeram junto com a vontade de trabalhar, sua arte, costumes, língua, crenças e conhecimentos. (Colaborou Tamara Mecina / Estagiária de Jornalismo)