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Estado aumenta em 50% produção de cana até 2011
O Estado de São Paulo deve ampliar em 50% a produção de cana de
açúcar no prazo de quatro anos, caso se confirmem as previsões
de demanda. É o que aponta um estudo prévio do relatório
elaborado pela Comissão Paulista de Bioenergia, criada pelo
governador José Serra em abril com o objetivo de incentivar o
desenvolvimento da produção de energia limpa e renovável no
Estado.
Com essa previsão, os paulistas - hoje responsáveis por 72,4%
das exportações brasileiras do setor sucro-acoleiro, com
faturamento de US$ 5,65 bilhões somente em vendas externas em
2006 - passariam a produzir 393,3 milhões de toneladas/ano
contra a marca atual de 262 milhões.
O grupo de trabalho coordenado pelo ex-secretário do
meio-ambiente José Goldenberg estima que, nos próximos anos,
pelo menos 56 usinas de cana entram em operação no solo
paulista. Todas as usinas elaboraram projetos de instalação, que
atualmente passam pelo crivo dos técnicos da secretaria da
Agricultura.
O zoneamento ecológico e econômico é necessário para evitar
investimentos dos usineiros em regiões como a do Vale do
Ribeira, que abriga 61% da Mata Atlântica remanescente no Brasil
e conta com áreas consideradas pela Unesco como Patrimônio
Natural da Humanidade. O fato de aumentar a produção no Estado,
acredita o ex-secretário, não significa necessariamente
crescimento da área plantada da cana na mesma proporção.
Goldenberg coordena profissionais de seis secretarias de estado
(Desenvolvimento, Planejamento, Saneamento e Energia,
Agricultura, Transportes e Meio Ambiente) e representantes das
três universidades paulistas e da Fapesp (Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo). Outra pauta discutida nas
reuniões da Comissão paulista de Bioenergia é a possibilidade de
aumento de desemprego com a mecanização da colheita de cana de
açúcar. Segundo Goldenberg, não há razões para temer o
desemprego com as novas tecnologias.
Cogeração
Além do crescimento da produção de cana, o potencial de São
Paulo para produzir eletricidade por meio do bagaço de cana
também foi um dos pontos tratados nos 12 encontros da Comissão
de Bioenergia ocorridos desde abril. “Essa matriz energética
pode ser uma saída para a crise de energia elétrica que deve
atingir o setor em 2011”, antecipa o ex-secretário.
Há uma semana, o governo do Estado e a Fiesp (Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo) assinaram um protocolo que
visa facilitar os contratos entre usinas produtoras de energia
elétrica a partir de biomassa e biogás e as distribuidoras. O
protocolo foi a primeira sugestão da Comissão de Bioenergia.
Liderança
Para Goldenberg o pioneirismo paulista com investimentos em
pesquisas há pelo menos três décadas, por meio da Fapesp
(Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do
próprio IAC (Instituto Agronômico de Campinas) asseguram a
liderança do Estado nesse setor. Segundo estimativas do diretor
do Centro de Cana do IAC, Marcos Landell, países como México e
Paraguai precisariam de pelo menos mais 15 anos de estudos para
chegar ao patamar paulista, hoje com 4,2 milhões de hectares de
cana plantada, ou 15% da área utilizada para agricultura no
Estado. Ao todo, são 3,4 milhões de hectares em produção e
outros 821 mil em áreas novas.
Os investimentos em pesquisas renderam bons frutos aos
produtores com o crescimento na capacidade de produção. Os
números comprovam. Há 30 anos, com uma tonelada de cana se tinha
90 quilos de açúcar. Hoje, com a mesma quantidade, é possível
atingir 120 quilos. Com essa mesma quantidade de cana se produz
90 litros de etanol contra os 60 litros produzidos há três
décadas.
O coordenador da Comissão paulista de Bioenergia José Goldenberg
informou que o prazo de seis meses para apresentação do plano de
ação das entidades da administração direta e indireta
necessários ao desenvolvimento da bioenergia em São Paulo será
rigorosamente cumprido.
A comissão vem elaborando desde abril um relatório que será
entregue ao governador José Serra com um conjunto de
recomendações e propostas para a ampliação da produção de
bioenergia. Segundo o ex-secretário do Meio Ambiente, na
atualidade 56 projetos de expansão da produção do etanol estão
sendo analisados. Com o plano, o governo estadual espera
garantir a produção, transporte, distribuição e uso de fontes
renováveis de energia.
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