Os paulistas nem precisam abrir os jornais para se
darem conta de que o clima está muito mais seco do
que o habitual. Eles sentem na pele. E isso porque
julho, agosto e setembro já têm fama de serem bem
mais secos do que os outros meses do ano. O problema
é que neste ano os índices de umidade do ar e
precipitação pluviométrica estão bem mais baixos - o
que preocupa população e autoridades com a mesma
força.
Tanto para evitar tragédias ambientais como para
poupar bens materiais e a vida de seres humanos, o
Corpo de Bombeiros tem tomado uma série de
iniciativas a fim de enfrentar este período de
estiagem sem atropelos. E de longe, a maior
preocupação dos bombeiros diz respeito aos incêndios
florestais.
As plantações de cana de açúcar, necessárias à
produção de etanol, cobrem 17% da área total do
Estado e é justamente nelas que os incêndios de
grande vulto aparecem. Para se ter uma idéia, dos 40
mil incêndios registrados pelo Corpo de Bombeiros em
2006, 75% ocorreram na mata. Isso quer dizer que a
cada dia os bombeiros registram 82,2 queimadas em
plantações e fazendas do interior.
Prevenção
Não é por falta de aviso. Recentemente os bombeiros
distribuíram um folder com orientações aos cidadãos
para evitar a proliferação de queimadas. Afinal,
embora ventos frios à noite, clima seco e falta de
chuvas contribuam - e muito - para as tragédias, o
fator humano é determinante. Diz o panfleto que não
se deve jogar pontas de cigarros acessos nas margens
das rodovias, deve-se evitar fogueiras próximas às
matas e também é preciso ter muito cuidado para não
provocar queimadas desordenadas durante a limpeza de
terrenos e preparo do plantio.
“Uma simples ponta de cigarro pode dar início a um
incêndio de grandes proporções”, adverte o tenente
Marcos das Neves Palumbo, do Corpo de Bombeiros. Ele
tem observado um aumento no número de queimadas com
fins de aumentar a produção de cana de açúcar. É com
base em números como este que o tenente Palumbo
recorda o lema dos bombeiros, que clama pela
proteção da vida, do meio-ambiente e do patrimônio.
‘Nesta ordem, ele faz questão de ressaltar, dando a
entender que os lucros devem ser precedidos dos
cuidados com a natureza. Ações simples, como isolar
a área a ser queimada com o auxílio de um trator,
fazem muita diferença na hora de tabular as perdas
sofridas pelo meio ambiente com a queima
indiscriminada.
Os soldados da corporação estão prontos para operar
desde pás e enxadas até abafadores e bombas costais.
A variedade de técnicas empregadas também é grande e
inclui, por exemplo, o pinga fogo (quando se usa
fogo para combater fogo) e os ataques aéreos (quando
certa quantidade de água é despejada de uma
aeronave).
Cana
No início de junho, o governador José Serra assinou
um protocolo agro-ambiental com produtores para
reduzir as queimadas nos canaviais de todo o Estado.
Conforme o acordo, a queima da palha de cana nas
áreas mecanizáveis do Estado deverá se encerrar em
2014. O prazo anterior permitia a queima até 2021.
Deve-se levar em conta que cada hectare de cana
queimado emite 300 quilos de material particulado, o
que causa problemas respiratórios e sobrecarrega o
sistema de saúde pública. No ano de 2006, os 2,5
milhões de alqueires de cana queimados emitiram 750
mil toneladas de particulados. As emissões de
poluentes, já altas, observou Serra, tenderiam a
crescer significativamente com a expansão da cultura
da cana.
Fazendeiros interessados em promover queimadas com
fins agrícolas devem notificar os órgãos
competentes, lembra o tenente Palumbo. A primeira
coisa a fazer é informar o Sistema Nacional do Meio
Ambiente e, em seguida, seguir as recomendações
previstas no decreto 2661/98.