Exposição ‘Engenho e Arte’ traz gravuras do século XIX e XX

‘Engenho e Arte’ é o nome da exposição que acontecerá de 24 de agosto a 30 de setembro no Memorial Rezende Barbosa em Assis. Na abertura  que ocorrerá no dia 24, às 14h, na sede do Memorial, estará presente o curador da exposição Carlos Martins, da Pinacoteca do Estado de São Paulo, que é o responsável pela seleção das obras que serão expostas. Também estará presente nesse dia a diretora do Sisem (Sistema Estadual de Museus), Cecília Machado. 

A exposição divide-se em dois segmentos. Um deles é formado por gravuras do século XIX, em grande parte produzidas na Europa, além de documentação e registros visuais de viajantes sobre o Brasil.  Já o outro segmento aborda a introdução da gravura na produção artística brasileira, a partir dos movimentos modernistas, e sua consolidação no decorrer do século XX.

As obras são de autores nacionais e internacionais que retratam temas ligados ao Brasil. Participam da exposição nomes como Carlos Scliar, Claudio Tozzi, Jean-Baptiste Debret, Johann Moritz Rugendas, Lasar Segall, Marcelo Grassmann e Tomie Ohtake, entre outros.

Segundo Renata Santos Souza, educadora do Memorial, serão expostas aproximadamente 73 obras de 40 artistas brasileiros e europeus.

“Serão expostas obras do século XIX e XX. As obras que remetem ao século XIX são de maioria de artistas europeus que vinham para o Brasil conheciam e quando retornavam para seu país de origem trabalhavam na confecção das gravuras, já no século XX a maioria das gravuras são de artistas brasileiros”, disse Renata.

Serão expostas obras como a do artista Jean Baptiste Debret pintor francês que esteve no Brasil com a Missão Artística Francesa, nasceu em Paris, em 18 de abril de 1768 e faleceu em 11 de junho de 1848.

Iniciou sua vida profissional em Paris, sob a influência de Jacques-Louis David. Integrando a Missão chefiada por Lebreton, ficou no Brasil entre 1816 e 1831, dedicando-se à pintura e ao magistério artístico.

Em suas telas retratou não apenas a paisagem, mas sobretudo a sociedade brasileira, não esquecendo de destacar a forte presença dos escravos. Foi iniciativa sua a realização da primeira exposição de arte no país, em 1829.

Regressando à França em 1831, publicou em Paris, de Regressando à França em 1831, publicou em Paris, ‘Viagem pitoresca e histórica ao Brasil’, uma série de gravuras sobre aspectos, paisagens e costumes do Brasil, de valor fundamental para nossa história do começo do século XIX.

Um exemplo de artista que representa o século XX é Tomie Ohtake, ela é considerada a “dama das artes plásticas brasileiras”.

Nascida no Japão em 1913, Tomie chegou ao Brasil em 1936 e começou a pintar aos 40 anos de idade, construindo uma trajetória como poucos artistas brasileiros conseguiram. O domínio da esfera técnica de seu trabalho foi então confluindo com sua personalidade, passando a servi-la plenamente. O controle do processo coincidiu com uma nova orientação dada progressivamente ao trabalho, segundo o qual ela foi substituindo a imaterialidade aparente de suas telas pelo estudo da relação forma-cor.

Hoje, 27 obras públicas de sua autoria fazem parte da paisagem urbana de algumas cidades brasileiras. Em São Paulo, parte delas se tornaram marcos paulistanos, como os quatro grandes painéis da Estação Consolação do Metrô de São Paulo, a escultura em concreto armado na Avenida 23 de maio e a pintura em parede cega no centro, na Ladeira da Memória. 

A exposição pode ser visitada de segunda à sexta-feira, das 14h às 18h, na sede do Memorial, na avenida Nove de Julho, 106. Informações através dos números (18) 3421-7029 e 3421-7033.

Outros artistas

A mostra também apresenta trabalhos de artistas que se aproximam de temáticas sociais. Nomes como os de Renina Katz e Poty Lazzarotto, além de Carlos Scliar e Danúbio Gonçalves.

Décadas mais tarde, a Arte Pop e a chamada Nova Figuração utilizam a gravura e também a serigrafia para trabalhos que ressaltam a sociedade de consumo e os anos de chumbo da ditadura militar. Desse período, a exposição apresenta trabalhos de Cláudio Tozzi, Rubens Gerchman, João Câmara e Roberto Magalhães. As gravuras de cordel também comparecem com obras de Gilvan Samico e Antônio Henrique Amaral.

Ainda entre os figurativos, Marcelo Grasmann, um dos grandes expoentes da gravura nacional, não poderia ficar de fora da mostra “Engenho & Arte”.

A gravura abstrata, que teve sua gênese no final da década de 40, também aparece  representadas pelos trabalhos de Edith Behring, Fayga Ostrower (pupila de Carlos Oswald), Rossini Perez, Anna Letycya e Iberê Camargo.