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Justiça proíbe piquete em greve na prefeitura de Palmital
Os funcionários municipais de Palmital que participarem da
greve, iniciada nesta segunda-feira, estão impedidos de fazer
piquetes na porta de prédios públicos para evitar a entrada de
trabalhadores que não aderiram ao movimento ou a circulação de
veículos que prestem serviços à municipalidade, como máquinas,
caminhões, peruas, ônibus escolares e ambulâncias. A proibição
foi determinada por meio de liminar concedida na segunda-feira
pelo juiz André Luiz Damasceno Castro Leite, da 2ª Vara da
comarca, em atendimento à ‘ação de interdito proibitório’ movida
pela prefeitura contra o Sindicato dos Funcionários e Servidores
Públicos de Cândido Mota e Região, que está à frente da
paralisação.
Em suas considerações, com parecer favorável do Ministério
Público da Comarca, o magistrado considerou que a medida não
pretende discutir o direito dos trabalhadores em realizar a
greve, cujas garantias estão expressas na Constituição Federal,
mas a defesa da posse, dos serviços públicos e a ‘ordem jurídica
e institucional’. O pedido de proteção legal se deve a
informações recebidas pela prefeitura de que os grevistas
tentariam impedir a entrada no trabalho dos funcionários que não
aderirem, bem como bloquear a saída de máquinas e veículos
municipais no almoxarifado.
O juiz julgou que a intervenção do Poder Judiciário evita a
violação de direitos fundamentais de trabalhadores e da
população, evitando que o movimento grevista ‘extrapole seu
legítimo direito de greve e transgrida as liberdades de uso,
gozo e fruição da posse dos imóveis públicos’ ‘... tomando
atitudes tendentes a impedir a entrada de servidores (que não
aderiram à greve) ao trabalho; a saída de maquinários e
equipamentos; o transporte de alunos do ensino básico; o
transporte de pacientes que estão com consultas e atendimentos
médicos de urgência agendados previamente, a distribuição de
remédios, leite e outras atividades do setor social’.
Em caso de descumprimento da determinação, o juiz estabeleceu
multa, conforme solicitação da Prefeitura, de R$ 10 mil por dia.
O final, Castro Leite determinou que a decisão fosse encaminhada
ao sindicato, que tem prazo para fazer a contestação da medida.
O juiz também solicitou a intimação aos integrantes do comando
de greve, para que eles sejam cientificados da liminar concedida
e advertidos sobre as conseqüências do descumprimento da ordem
judicial.
Sindicato
Em entrevista por telefone, o presidente do sindicato José
Clóvis Zambito disse que a entidade irá contestar a liminar
concedida pela Justiça. Apesar disso, ele ressaltou que o
movimento é pacífico e que os grevistas não irão impedir ou
tentar atrapalhar a realização dos serviços da prefeitura. “Quem
quiser trabalhar, vai trabalhar. Vamos respeitar a lei de greve
e o direito de ir e vir dos trabalhadores”, garantiu.
O sindicalista disse também que apresentará representação à
Justiça contra a prefeitura em função de supostas ameaças contra
funcionários que participam do comando de greve. ‘Um deles,
informou, até teria recebido suspensão de 20 dias em função da
participação no movimento’. “Isto é irregular, porque estamos em
estado de greve”, explica Zambito.
O Sindicato dos Funcionários e Servidores Públicos de Cândido
Mota e Região confirmou o início da greve dos funcionários da
prefeitura de palmital. O movimento, que conta predominantemente
com trabalhadores dos setores de obras, almoxarifado e serviços
gerais, reivindica 25% de aumento nos salários - a
municipalidade oferece 5,92% com as perdas da inflação medido
pelo INPC - e outros benefícios. A decisão foi tomada a partir
de assembléia, com cerca de 100 participantes, onde se afirmou
que a municipalidade não estava aberta à negociação.
Segundo o presidente Zambito, desde a última quinta-feira os
trabalhadores que aderiram ao movimento já desenvolvem ‘operação
tartaruga’. Mas a prefeitura afirmou não sofrer com problemas na
realização dos serviços. A paralisação é por tempo
indeterminado, com a concentração dos grevistas nas proximidades
da sede da administração municipal e do almoxarifado.
Os trabalhadores, ressaltou o sindicalista, permanecem
mobilizados no local durante o horário em que estão no serviço,
para buscar novas adesões, e assinam livro de ponto da greve,
além de participar de assembléias diárias com o comando do
movimento, marcadas para às 17h, para avaliar as ações e
analisar possíveis negociações. Zambito disse ainda que,
respeitando a lei de greve, está sendo mantido o mínimo de 30%
dos trabalhadores em serviços essenciais para evitar.
O movimento é apoiado por vereadores, que estão acompanhando o
movimento e fazendo propostas para a categoria. Na sessão de
segunda-feira, quando foi aprovada a lei que possibilitava a
mudança da referência para os operadores de serviço, elevando o
piso salarial do funcionalismo palmitalense para R$ 507, foi
apresentado requerimento ao prefeito Reinaldo Custódio da Silva
(PR), o Nardão, para que todos os níveis de vencimento recebam
aumento de 8,33%.
Prefeitura
Contrariando a alegação do sindicato, a prefeitura disse que a
entidade vem se negando a negociar com a municipalidade com a
‘motivação político-partidária’. O prefeito ‘Nardão’ disse que,
apesar de saber que o orçamento palmitalense não permite a
elevação dos salários nos patamares reivindicados, há a
deflagração do movimento grevista.
O chefe do executivo de Palmital disse que vai aplicar a
correção anual agora neste mês e também vai promover a
atualização no valor do cartão do Programa de Alimentação do
Servidor (PAS), atualmente em R$ 50 - os grevistas querem a
elevação para R$ 100. (Colaborou Jornal da Comarca)
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