‘Mercado agrícola segue estável’, diz analista da Coopermota

Nos últimos dias, a cotação da soja tem subido quase que diariamente na Bolsa de Chicago. Isso se deve ao fato das cotações do trigo estarem puxando. Aliado a isto, no mercado interno, principalmente em São Paulo, os estoques estão muito baixos. E isso vem dando firmeza ao mercado de soja. O analista de comercialização da Coopermota, José Ignácio Dias, lembra que nos últimos 30 dias a oleaginosa era comercializada a R$ 33. Hoje este valor é de R$ 38, o que equivale a uma alta de 15%.

Para ele, a tendência de mercado se mantém firme, ao menos até o plantio da safra brasileira. “Já se comenta aumentar a área plantada em virtude dos bons preços”, apontou. No último dia 12 o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou seu relatório mensal com números menores do que o apresentado em agosto. Esse fato, acrescentou Dias, deu mais estabilidade nas cotações da Bolsa de Chicago.

Já o milho, devido à escassez de oferta no mercado interno, tem suas cotações subindo gradativamente, alcançando o valor de R$ 24 para o produtor. Essa falta de produto também se deve ao fato deste ano as exportações de milho terem atingido um número expressivo. “Comenta-se algo em torno de 10 milhões. Logo, o produtor sentindo que o mercado está subindo, segura a venda do produto. Não devemos esquecer que isto já provoca uma certa preocupação no mercado, devido ao alto do custo de produção de ovos e suínos. Além disso, o preço do frango nos últimos dias caiu aproximadamente R$ 0,15 por quilo”, destacou o analista.

Diante desse cenário, o Governo Federal decidiu colocar à venda 1.400 milhão toneladas de milho dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Foram marcados três leilões, de 100 mil toneladas cada para avaliar o mercado. O primeiro já aconteceu. O segundo está marcado para esta quinta-feira.

No caso do trigo, o mercado internacional teve uma boa alta, devido à quebra das safras na Austrália e Europa. O Brasil, por sua vez, depende do trigo estrangeiro, principalmente da produção argentina. Por isso, os moinhos brasileiros estão pressionando o Governo para retirada do imposto de importação.

“Se isso acontecer, os preços internos deverão ter redução, pois com os preços muito altos, os moinhos estão sem interesse de compra, porque não conseguem repassar essa alta. Por isso estão pressionando o Governo”, salientou Dias. Há 30 dias o trigo era comercializado a R$ 30,50, hoje o preço é de R$ 38,10, ou seja, uma alta de 25%. (Colaborou Assessoria de Imprensa)