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Desequilíbrio
sócio-econômico-ambiental brasileiro, uma verdade inconveniente
Hodiernamente, o desequilíbrio
sócio-econômico-ambiental brasileiro é uma grande verdade
inconveniente para muitos políticos brasileiros. Eminentemente
mais interessados em aproveitar essa ‘postura verde’,
ecologicamente correta e na moda, para angariar votos do que
para necessariamente melhorar a vida no planeta, escondidos por
de trás do pretexto de tentarem promover a preservação e
recuperação ambiental, custe o que custar, eles inviabilizam a
atividade agropecuária neste país e ‘quebram’ o produtor rural.
À custa do vilipêndio à dignidade
da pessoa humana, infelizmente, no que tange às ações tidas como
protetoras do meio ambiente, enquanto sobram falácias e
demagogia para muitos desses políticos e autoridades,
responsáveis pela aplicação dessa absurda legislação ambiental
brasileira, ainda falta atribuir cientificidade e legitimidade
moral à maioria das leis e programas de recuperação e
preservação ambiental.
A Constituição Federal de 1988
assegura que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida. Outrossim, é bem clara quando impõe ao Poder
Público e à coletividade - isto é: a TODOS - o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Desse modo, chega de hipocrisia!
Chega de imputar esse ônus verde, o da recuperação ambiental,
apenas aos produtores rurais. Afinal, todos, principalmente a
população urbana, se locupletaram durante anos, através desse
modelo capitalista de desenvolvimento insustentável, e são,
portanto, responsáveis pela preservação e recuperação ambiental.
Entretanto, ainda há uma luz no fim
do túnel para os produtores rurais se verem livres dessas
injustas imposições ambientais. Felizmente, ainda há políticos
que forcejam o pensar à luz da verdade e da ciência. De maneira
lúcida e coerente, esses políticos realmente trabalham a favor
do progresso do país.
Nesse sentido, o artigo intitulado
‘Carta do Zé agricultor para o Luis da cidade’, muito bem
desenvolvido pelo seu autor, Luciano Pizzato, engenheiro
florestal e deputado federal pelo Estado do Paraná, retrata
fielmente os produtores rurais brasileiros.
No início, quando tudo era apenas
mato e precisava ser derrubado para dar lugar às cidades e abrir
espaço para a ‘ordem e o progresso’ da nação, eles (produtores)
foram tidos como desbravadores, homens de coragem, heróis, etc.
Todavia, atualmente, a realidade é
bem diferente. Quando necessitam de um pouco de água para tratar
de seu gado, ou ainda, para cultivar sua horta - que também
abastece a geladeira de muita gente - são duramente criticados e
tachados como os grandes vilões dessa história toda. E,
maldosamente, muitas vezes tidos como os ‘ÚNICOS’ destruidores
do meio ambiente.
Portanto, na qualidade de legítimo
representante dos interesses do produtor rural, comprometido
exclusivamente em melhorar a sua qualidade de vida, eu
parabenizo efusivamente o nobre deputado e autor desse
inteligente, verdadeiro e bem articulado artigo.
Quem dera pudéssemos contar com
mais pessoas assim, lúcidas, coerentes e comprometidas com a
verdade dos fatos, para realmente preservarmos o meio ambiente
ecologicamente equilibrado, e, acima de tudo, resgatar a
dignidade da pessoa humana.
Porém, enquanto a maioria das
pessoas da cidade continuar pensando (seja com dolo ou com
culpa) que ‘algodão branquinho’ vem da farmácia, que leite bom é
apenas aquele que vem da caixinha, e que o pãozinho de cada dia
sai direto da padaria, não podemos correr o risco de ver os
produtores rurais serem ‘linchados’ pela opinião pública,
maliciosamente influenciada pela grande mídia.
Dessa forma, devemos continuar
lutando pelos interesses do produtor rural, principalmente pelas
necessidades vitais do pequeno produtor. Pois, embora ele
alimente o mundo com a sua árdua atividade, e ainda assim não é
reconhecido por isso, ele é igual minhoca, se tirar da terra,
morre.
Enfim,
se a cidade mata o rio com poluição, plantar árvore ao lado de
um ‘defunto’ não resolve definitivamente a degradação ambiental,
tampouco contribui para o tão almejado desenvolvimento
sócio-econômico-ambiental sustentável do Brasil, um país de
tolos - digo: TODOS.
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João Antônio Ferreira da Motta é pequeno produtor rural, filho e
neto de produtores, presidente do sindicato rural de Cândido
Mota/SP e bacharel em direito.
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