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‘Instituto do Negro’ participa de atividades em Assis
Algumas constatações: 64% da população brasileira é negra; 69%
dos indigentes são negros; 33,7 milhões de brasileiros negros
vivem em condição de pobreza, e 19 milhões de brancos são
pobres. Entre as pessoas que vivem em indigência absoluta, 15,1%
são negros, enquanto os brancos somam 6,8%. De cada 10 jovens
assassinados, sete são negros.
Esses são apenas alguns números que comprovam a larga diferença
social entre brancos e negros no Brasil, e neste 20 o tema
voltou a ser debatido, na comemoração do Dia Nacional da
Consciência Negra, instituído pela lei 10.639, que tornou também
obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-brasileira.
Em 20 de novembro de 1695, o líder do Quilombo dos Palmares,
Zumbi, foi morto em uma emboscada em Pernambuco.
A data foi lembrada nesta segunda-feira, em Assis. Estudantes do
Colégio Fema participaram de palestra, apresentação de teatro e
de dança Hip Hop. A atividade foi organizada pelo ‘Zimbauê -
Instituto do Negro de Assis’, e contou com a participação da
atriz Rosângela Ampúdia, da Casa do Ator e do grupo de ‘break’
BNL.
Segundo Mônica da Silva, presidente do Zimbauê, ‘não adianta
dizer que há igualdade racial no Brasil, pois isso não é
verdade’. Chegou o momento de partirmos para ações como essas, e
principalmente incentivar nossa auto-estima”, reforçou. Entre os
objetivos da instituição estão a busca pela reconstrução da
identidade étnica e da cidadania dos afro-brasileiros, auxiliado
no processo de eliminação da discriminação racial.
Farsas
Na palestra, Mônica referiu-se ao que considera ‘farsas
históricas’ que, didaticamente, ainda estão sendo ensinadas nos
bancos escolares. A Lei Áurea, por exemplo, assinada pela
Princesa Isabel no dia 13 de maio de 1888, aboliu a escravatura
no Brasil mas, naquele momento, apenas 5% do povo negro viviam
ainda em regime de escravidão. Os demais libertaram-se por seus
próprios esforços.
Outras ações oficiais contribuíram para essa situação de
desigualdade, como a própria implantação da escravidão no
Brasil; a lei que proibia os escravos de freqüentarem escolas; a
Guerra do Paraguai, que reduziu de 2,5 milhões para 1,5 milhão
da população negra brasileira; a Lei de Terras de 1850, quando
quase todo o litoral brasileiro era tomado por quilombos,
instituiu que as terras só poderiam ser obtidas através de
compra; o decreto 528 das imigrações européias, em 1890, que
reabriu as imigramões mas somente permitia o acesso de negros e
asiáticos no país com prévia autorização do Congresso (era o
início da industrialização brasileira, e o governo não queria os
negros como mão-de-obra para que não surgisse uma classe média
negra que poderia colocar em risco o processo de
embranquecimento da população.
Duas outras leis que os livros de História trazem como
benéficas, consideradas pelos integrantres do movimento negro
como falácias, são as do ‘Sexagenário’ e do ‘Ventrre Livre’. A
primeira libertou escravos maiores de 60 anos mas, sem qualquer
planejamento e acolhimento, deu início aos primeiros mendigos
nas ruas do Brasil. E a Lei do Ventre Livre desestruturou as
famÍlias, já que as crianças, nascidas libertas, eram separadas
dos pais. O governo criou um abrigo, mas de cada 100 crianças,
80 morriam antes de completar um ano. Surgiam os primeiros
menores abandonados.
Democracia racial
No século XX, especialmente a partir dos anos 90, esses temas
passam a fazer parte de um movimento negro atuante. Para Mônica,
“comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra, além de manter
viva a história desse líder que foi Zumbi, é o momento de
celebrar nossa auto-estima, de afirmar nossa identidade e
denunciar as mazelas que nós, afro-descendentes, somos
submetidos no nosso país”.
Para isso, os movimentos cada vez mais partem para ações
afirmativas que promovam o resgate do patrimônio cultural,
artístico e religioso e, principalmente, a ascensão econômica e
social. O objetivo principal é a promoção da inclusão, tornando
os negros reconhecidos como cidadãos plenos na sociedade
brasileira.
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