Cosan deve formar ‘holding’ até o final do ano

A Cosan deve terminar até o final do ano a formalização de sua holding, dando sequência ao programa de profissionalização da gigante do setor sucroalcooleiro. O objetivo da criação da holding é permitir que as empresas que existem hoje dentro da Cosan possam atrair investidores específicos.

“Se uma empresa quiser investir em logística e não em açúcar e álcool ela poderá investir na Rumo Logística diretamente e não na Cosan Açúcar e Álcool”, informou à Agência Estado o atual vice-presidente de operações da Cosan S.A e agora também presidente da Cosan Açúcar e Álcool, Pedro Mizutani. A Cosan Açúcar e Álcool é a empresa que, embaixo do guarda-chuva da Cosan, cuida da produção de açúcar, etanol e bioenergia a partir de cogeração de cana.

Mizutani informa que, dentro do novo desenho organizacional em estudo, a holding Cosan abarcará as empresas já existentes Cosan Açúcar e Álcool, Rumo Logística, Radar Propriedades Agrícolas, CCL (Cosan Combustíveis e Lubrificantes) e outra, em estudo, que concentrará o varejo de açúcar, a Cosan Alimentos. Segundo ele, a primeira empresa a buscar investidores externos será a Rumo Logística. “O road show já foi realizado para buscar investidores e os interessados já estão fazendo o due diligence”, explica.

A Cosan S.A. deverá estudar também novas aquisições apenas de usinas cuja moagem supere os 5 milhões de toneladas ou tiver sinergias importantes com a gigante do setor sucroalcooleiro. Segundo Mizutani, não faz mais sentido crescer apenas por crescer.

“Não estamos interessados em usinas pequenas, com capacidade de moagem de 1 milhão, 2 milhões de toneladas, a não ser que a sinergia seja muito grande”, explica. O executivo ressalta que essas usinas menores apresentam uma defasagem tecnológica muito grande que iria atrapalhar o bom andamento da Cosan.

Safra

A Cosan deve moer cerca de 55 milhões de toneladas de cana na safra 2009/2010 ante uma capacidade de 60 milhões de toneladas. A menor moagem ocorrerá por causa da grande quantidade de chuvas que está caindo nas regiões produtoras.

Do total colhido, 57% da cana será direcionada para a produção de açúcar e 43% para o etanol. O mesmo mix deve ser mantido na próxima safra se as cotações do açúcar se mantiverem em níveis positivos. Mizutani ressalta que a Cosan sempre produziu mais açúcar que etanol, com um mix bem mais açucareiro que o mercado total.

A Cosan não irá participar do próximo leilão de energia A-5, marcado para o próximo dia 17 de dezembro, segundo informa Mizutiani. Segundo ele, os preços que estão sendo oferecidos pela energia neste momento não justificam novos investimentos em cogeração de energia. (Eduardo Magossi/Agência Estado)