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MP sobre dívida agrícola ‘esquece’
Vale, denunciam lideranças
Representantes de sindicatos,
associações, cooperativas e produtores rurais de São Paulo estão
questionando o critério utilizado pelo governo para excluir 22
municípios do estado da Medida Provisória 432, convertida na Lei
11.775, de 17/09/2008. O Ministério da Fazenda informou no
último dia 8, que no decorrer das negociações da MP, a bancada
ruralista defendeu condições especiais para renegociações das
dívidas dos agricultores de municípios onde, em conseqüência da
seca de 2005, foi decretado estado de emergência ou de
calamidade pública. A reivindicação foi atendida e beneficiou
produtores do Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa
Catarina e Mato Grosso do Sul.
Inexplicavelmente, o Estado de São
Paulo não teve o mesmo benefício dos outros estados que
decretaram estado de emergência em 2005. Todas as outras
unidades da federação que solicitaram esse tratamento especial
foram beneficiadas. O presidente da Ocesp (Organização das
Cooperativas do Estado de São Paulo), Edivaldo Del Grande, diz
que, como presidente de uma instituição que representa 1.035
cooperativas, 123 do ramo agropecuário, está pedindo às
autoridades o mesmo entendimento sobre os enormes prejuízos dos
produtores paulistas da região do Vale do Paranapanema. “Os
produtores não estão pedindo nada além de um prazo para
renegociar suas dívidas e não o perdão delas. Eles foram vítimas
de intempéries, assim como os outros Estados e agora precisam de
recursos para plantar”, destaca Del Grande.
O presidente do Sindicato Rural de
Assis, Orson Mureb Jacob, acredita que a questão pode ser de
esquecimento. “Não há outra razão aceitável para os
parlamentares da Comissão de Agricultura da Câmara não terem
solicitado a inclusão dos 22 municípios do Médio Vale do
Paranapanema na Medida Provisória. O fato é que não tiveram o
direito a um tratamento diferenciado na renegociação da dívida
rural como os demais estados da federação que enfrentaram a
estiagem de 2005.”
Para o diretor-secretário da
Coopermota, Edson Fadel, a decisão mostra o descaso de
lideranças políticas de São Paulo com os produtores rurais do
Estado. “Desde 2005, a Ocesp foi a única instituição que
batalhou, ano a ano, para que esses 22 municípios tivessem
tratamento diferenciado”, declarou Fadel. Segundo ele, outras
instituições e parlamentares deveriam ter pressionado os
deputados e senadores. Fadel afirma que, com essa situação, o
agricultor deixa de ter a possibilidade de um maior prazo para
pagar as contas. E como os produtores não conseguem pagar as
parcelas das dívidas anteriores, os bancos negam novos
empréstimos.
Civap
O presidente do Consórcio
Intermunicipal do Vale do Paranapanema (Civap) e prefeito de
Tarumã, Oscar Gozzi, diz que os produtores da região estão
indignados pelo fato de terem sido esquecidos nas negociações da
MP e pede ao governo e aos parlamentares que revejam a questão o
quanto antes. “Além da estiagem de 2005, as quatro safras
seguintes nessas localidades foram frustrantes para os
agricultores”, garante Gozzi.
O presidente do Sindicato Rural de
Palmital, Basílio Amatti, diz que a exclusão dos 22 municípios
do Médio Vale do Paranapanema parece injusta, ainda mais porque,
além da estiagem, a soja colhida pelos produtores locais, em
2005, apresentou baixa qualidade devido à ocorrência de grãos
esverdeados acima do limite tolerado na comercialização, o que
agravou ainda mais os prejuízos.
Sidervaldo Miraglia, assessor para
assuntos do agronegócio do Sindicato, avalia que as autoridades
brasileiras precisam se convencer de que a situação desses
produtores rurais é um problema de Estado. “O efeito dominó
impactará diretamente no PIB (Produto Interno Bruto) de toda a
região. Quando os produtores não geram renda, o governo também
tem um déficit enorme de arrecadação”, lembra Miraglia.
Os prejuízos dos produtores da
região foram reconhecidos por laudos técnicos emitidos em 2005
pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão
ligado à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento.
(Colaborou Assessoria de Imprensa)
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