João Motta diz que liberação de recursos ‘é jogada de mídia’

O Sindicato Rural de Cândido Mota está denunciando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ‘articulou mais uma jogada de mídia para promover uma verdadeira enganação ao povo brasileiro’. De acordo com o presidente João Motta, o anúncio da liberação de R$ 78 bilhões para as safras 07/08, para resolver a falta de alimentos e combater a alta da inflação, ‘é um grande engano’. “Com isso, Lula comete mais um de seus abusos eleitoreiros ao comparar suas medidas políticas de governo com as do presidente João Figueiredo, fazendo um trocadilho com o lema: ‘plante que o João garante’”, denunciou.

De acordo com o sindicalista, ‘o governo Lula engana o povo carente ao dizer que está tomando providências para conter a inflação e a alta dos alimentos, ilude o produtor rural a plantar a nova safra e vai mais longe, simplesmente ignora o poder de Deus e do clima sobre a produção de alimentos’.

“O Sarney ‘garantiu’, no entanto quebrou o setor agrícola com o seu Plano Cruzado. O Collor, com seus milagres e falcatruas, conseguiu quase extinguir a produção nacional de trigo, além de onerar criminosamente os financiamentos agrícolas 1989/1990 com 84% de correção indevida. O senhor FHC, outra famosa praga da agricultura, nos quebrou mais uma vez com sua famigerada T.R. Com o ‘belo’ discurso ‘âncora verde do Plano Real’, nos fez de idiotas e aumentou assustadoramente o endividamento do setor”, desabafa Motta.

Agora, segundo João Motta, ‘o grande salvador da pátria é o excelentíssimo senhor Luiz Inácio Lula da Silva, que vai mais longe ainda’. “Ele propõe acabar com a fome no mundo, produzir o melhor combustível do mundo e abaixar a inflação nos usando mais uma vez, enganando os pobres, atendendo ao jogo dos interesses dos ricos e ignorando até mesmo Deus e o seu poder sobre o clima deste país”.

E prossegue: “A Medida Provisória n.º 432 do Governo Federal propunha resolver de uma vez por todas o endividamento do setor contraído durante este período de 20 anos. A proposta era para aliviar as dívidas contraídas ao longo dos governos: Sarney, Collor e FHC, no entanto, foi uma gravidez psicológica e pouco resolveu, e para piorar, ainda conseguiu jogar a população urbana e carente ainda mais contra nós, produtores rurais”.

Para Motta, o produtor precisa de ‘política séria e duradoura, que valorize o produtor rural, independentemente de quem seja o ‘mágico ou o santo’. “O produtor precisa de soluções claras, objetivas e concretas em relação às dívidas. Seguro de produção e renda já! A única coisa que o produtor rural quer é que a sociedade fique do lado de quem verdadeiramente põe o alimento em seu prato. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a crise alimentar afeta ou ameaça quase 1 bilhão de pessoas no mundo inteiro. Diante disso, ultimamente o mundo inteiro está preocupado com a crise que a falta de alimentos pode vir a causar”.

Grupo de países

Ele lembrou que os países ricos, que compõem o chamado G8: USA, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, Canadá, França e Rússia, juntamente com o grupo dos países que compõe o Bric - expressão usada para designar os quatro principais países emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia e China, sob a constante interferência política da ONU, lideram as discussões em torno da crise mundial dos alimentos.

“Diante disso, inúmeros especialistas tentam incessantemente encontrar soluções definitivas para o problema que a falta de alimentos pode vir a causar no mundo. Nesse sentido, sociólogos advertem que a crise pode acentuar as diferenças sócio-econômicas entre as classes sociais, fomentando ainda mais a má distribuição de renda. Segundo eles, a crise alimentar se deve às especulações, fruto desse capitalismo selvagem”.

Por outro lado, pondera Motta, economistas acreditam e defendem que ‘a crise de alimentos pode ser solucionada por uma política agrícola que garanta alta produtividade associada aos baixos preços dos alimentos no mercado financeiro mundial. Além de ser encarada como uma solução para a crise alimentar, a maioria deles acredita que essa fórmula usada também servirá para conter a inflação’.

Por isso, diante de tantos posicionamentos e da crise alimentar que se anuncia, convocados por João Motta, estiveram na última quarta-feira, na capital paulista, sede da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, os membros da Mesa Diretora dos Assuntos Técnicos e Econômicos dos Setores Fundiários, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Faesp. Eles se reuniram pela manhã para propor mudanças na política agrícola nacional, enquanto que no período da tarde a Mesa de Crédito Rural, Tributação e Cooperativismo se reuniu para tratar sobre questões de endividamento.

Propostas

Na ocasião, o presidente do Sindicato Rural de Cândido Mota, que também é membro titular da Mesa, apresentou propostas de mudanças que podem trazer algum alívio para o produtor rural do médio vale do Paranapanema. Segundo o sindicalista, apresentar propostas de solução para o problema da crise dos alimentos é muito importante, no entanto, os interesses da sociedade urbana devem ser compatibilizados com os interesses do produtor rural, principalmente do pequeno e médio.

“Todos devemos contribuir para solucionar a crise mundial instalada pela falta de alimentos. O produtor deve continuar plantando para alimentar o mundo, todavia, o governo e a sociedade urbana também devem cumprir com a sua parte, visto que, apenas plantar bastante para aumentar a produtividade e baratear os preços dos alimentos não resolve definitivamente o problema, pelo contrário, contribui para o enfraquecimento do setor agropecuário, pois desestimula o produtor rural plantar, deixando-o fora dos ganhos do setor. Enquanto não houver um seguro de produção e renda, que dê garantias mínimas para o produtor, continuaremos reivindicando nossos direitos” argumenta.

“O produtor rural não pode arcar sozinho com este ônus, é responsabilidade do governo e da sociedade. Se subsidiar produtor rural é ‘palavrão’, então sugerimos subsídio ao consumidor, pois não agüentamos mais carregá-los nas costas, pois quando está tudo bem é o governo que é bonzinho, e quando falta alimento e o preço sobe nós é que somos os vilões”.

A comissão fundiária deu início aos trabalhos abordando situações peculiares de cada região do Estado de São Paulo. Na oportunidade, tratou das invasões promovidas pelo Movimento dos Sem Terra no Pontal do Paranapanema. O representante da região disse que os sindicatos daquela região já tinham contratado um advogado para assessorá-los, ação que reduziu drasticamente o número de invasões.

Assessoria

A comissão também apresentou o advogado do Sindicato Rural de Jundiaí, Wilson A. Bonança, que será indicado para prestar assessoria junto aos comitês de bacias hidrográficas, no conselho estadual de recursos hídricos e no conselho nacional. Outrossim, informaram que o referido advogado já atua perante essas entidades representando os comitês pela Faesp.

Também reiterou que a continuidade dos trabalhos do renomado jurista, especialista em questões ambientais, Luis Carlos de Moraes, como consultor da Faesp, ‘é de suma importância porque a questão ambiental vem afligindo grande parte dos produtores paulistas, que têm sofrido muito com arbitrariedades praticadas por diversos órgãos ambientais’.

Dessa forma, a capacitação dos advogados que estão ligados aos sindicatos rurais deve ser mantida e se possível ampliada para que sejam questionadas judicialmente todas as arbitrariedades que vem sendo cometidas contra os produtores. Na ocasião, foram analisadas as principais propostas de emendas à Medida Provisória n.º 432 apresentadas pelos parlamentares, as quais foram condensadas, de forma que, pudessem ser analisadas de forma ágil pelos deputados.

As principais propostas são: alongamento dos prazos, concessão de descontos para os pequenos produtores que não se enquadrem no Pronaf - Programa Nacional de Agricultura Familiar, tanto nas operações de custeio como nas de investimento. De acordo com João Motta, essas propostas serão encaminhadas diretamente pela Federação e também pelos sindicatos rurais para o deputados na intenção de que as mesmas sejam aprovadas e com isso o produtor rural possa saldar seus débitos de forma menos onerosa, nos termos do que prescreve a legislação de crédito rural. A entidade defende descontos para a liquidação total e prazo maior para os custeios prorrogados.

O presidente do Sindicato Rural ainda exigiu da Faesp e da CNA, que rebatessem as críticas infundadas e maldosas veiculadas pela grande mídia. O dirigente ainda lembrou que a MP 432 foi um engodo, pois concedeu apenas uma redução de juros para o produtor da região. Para ele, a região de Cândido Mota foi muito pouco beneficiada, pois a medida provisória não levou em conta as péssimas condições climáticas e financeiras das safras 04/05, 05/06 e 06/07.

“Durante esse período, o governo municipal, estadual e federal decretaram situação de emergência em razão das péssimas condições climáticas. “Diante de todas essas crises, estamos sempre junto do produtor rural para defendê-lo no que for preciso. Estamos atentos às mudanças promovidas pelo Governo Federal, ele tem o dever de levar em consideração as dificuldades regionais. Lutaremos para que injustiças não sejam cometidas contra os produtores” defende.

Por fim, o Sindicato Rural de Cândido Mota aconselha todos os produtores a procurarem a entidade para que se informem e busquem a melhor alternativa para resolver suas pendências. “Cada produtor rural tem uma forma de financiamento e um tipo de dívida junto ao banco, portanto, antes de pagar qualquer coisa ele deve procurar o sindicato, haja vista que temos um modelo específico para cada pedido de prorrogação que deve ser entregue no banco”, alertou Motta.