Professores rejeitam proposta e seguem com paralisação

Após rejeitarem a proposta da Secretaria de Estado da Educação, os professores da rede pública de ensino devem continuar em paralisação. De acordo com a diretoria da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), sub sede regional de Assis, o grupo não concordou com o aumento de 12% oferecidos pelo governo, dizendo que é insuficiente.

“O valor proposto integra duas gratificações já recebidas, e que estão sendo incorporadas ao nosso salário. Houve então um aumento real de apenas 5% em cima do salário base. Isto possibilita acréscimo de R$0,20 por aula, o que é muito abaixo do que pretendemos”, ressaltaram os dirigentes do Sindicato.

Eles declaram que hoje devem iniciar uma nova série de reunião com os professores, em cada cidade, a fim de conscientizá-los sobre a importância da paralisação.

“Estamos programando uma série de atividades, sendo que além das reuniões, devemos fazer uma carreata em Assis na quinta-feira. A saída será às 9h em frente de nossa sub sede, seguindo até a Praça da Mocidade”, informaram os líderes da Apeoesp.

Ainda na quinta-feira, um grupo de professores segue para São Paulo, a fim de participar de nova assembléia na sexta-feira, no vão do Masp.

“Como não houve consenso na reunião da semana passada, nesta sexta-feira haverá nova assembléia às 15h. Logo depois, seguiremos em manifesto do Masp até a Praça da República”, disseram os dirigentes.

Por fim, eles mencionam que ontem a paralisação obteve adesão de cerca de 60% dos professores, já que alguns retornaram às atividades. Porém, a intenção é de que a maioria volte a paralisar seus serviços no decorrer da semana.

Revindicações

Além da questão salarial, os professores reivindicam os seguintes pedidos: Concurso público classificatório anual, garantindo-se o tempo de serviço; Incorporação de todas as gratificações com extensão aos aposentados; Revogação do Decreto 53037/08; Revogação da Lei 1041/08 (lei que limita a falta médica); Novo Plano de Carreira; Fim da aprovação automática; Liberdade de cátedra; Extensão do ALE para todas as unidades; Gestão democrática e autonomia da escola; Máximo de 35 alunos por sala; Melhores condições de trabalho; e Garantia de emprego e estabilidade a todos os professores.

Nota oficial

A Secretaria de Estado da Educação lamenta que a Apeoesp insista em uma proposta rechaçada pela ampla maioria dos cerca de 250 mil professores da rede estadual. A continuação da greve, mesmo com baixa adesão, atrapalha sobremaneira os estudantes da rede estadual paulista. Tal ato demonstra que este sindicato não está preocupado com a qualidade de ensino das escolas paulistas.

O governo do Estado definiu ontem, quinta-feira, aumento de até 12,2% no salário-base dos professores, incluindo incorporação de gratificação, beneficiando os funcionários da ativa e os aposentados. Houve também aumento de salário-base para diretores, supervisores e funcionários do Quadro de Apoio. Todo este projeto de aumento será encaminhado à Assembléia Legislativa nos próximos dias. A remuneração mensal dos professores é composta por salário-base e gratificações. A remuneração inicial dos professores pode chegar a R$ 1819,63. A remuneração final pode chegar a R$ 3124,05.

A Secretaria lamenta que alguns poucos professores resistam às mudanças do decreto 53.037, de 28 de maio, que visa apenas melhorar as condições de ensino, a relação entre mestres e alunos e a continuidade dos processos pedagógicos. E desta forma prejudique diretamente os estudantes. O decreto contra o qual a cúpula da Apeoesp se levanta foi editado com o objetivo de regular as transferências de professores. O excesso de transferência -somente neste ano, quase a metade dos professores efetivos mudou de escola - prejudica a continuidade do trabalho pedagógico e o estreitamento da relação entre professores e alunos. O governo do Estado está empenhado na melhoria do ensino, e para isto desenvolve um grande plano de metas, com novos procedimentos pedagógicos, investimentos em materiais e estrutura física das escolas, valorização do profissional da Educação e maior participação da comunidade nas escolas públicas estaduais.