Brasil deve criar política de apoio à produção de trigo

O Brasil deverá criar uma política definida de apoio aos produtores de trigo, o que poderá acontecer ainda neste semestre. A expectativa é que ela possa ser aplicada já no próximo plantio, tendo em vista as dificuldades do abastecimento interno, que ainda depende muito da importação.

Em pronunciamento recente, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, afirmou que a política atualmente em vigor no setor “é muito instável e, por isso, é necessária a definição de uma política estável”. Embora o assunto já esteja na pauta de discussões do ministério, a assessoria de imprensa informa que prazos, metas, estratégias e formato de operacionalização ainda precisam ser definidos.

Após um ano em que a produção foi em grande parte arruinada pelas chuvas excessivas, as perspectivas para a safra de trigo brasileiro em 2010 são de outra temporada difícil, ainda que o plantio só comece em março em algumas regiões do país. Com os preços internacionais 25% menores que os verificados no início de 2009 (com base na bolsa de Chicago), estoques abundantes no mundo, um câmbio bastante favorável a importações e um seguro agrícola ainda deficitário, tudo indica que a produção de trigo no Brasil continuará dependente de subvenções governamentais que apoiam a comercialização.

Em 2009, de uma safra de 5 milhões de toneladas, mais de 60% foram comercializadas por meio de leilões de PEP (Programa de Escoamento da Produção), que subsidia o transporte do trigo ao mesmo tempo em que garante um preço mínimo estabelecido pelo governo aos produtores.

Para auxiliar as vendas da última safra através de PEP, o governo gastou R$ 486 milhões, subsidiando o escoamento do produto para as regiões não produtoras, como Norte e Nordeste, ou mesmo para embarques ao Exterior. E, apesar do volumoso apoio, o setor produtivo adianta que pode precisar de ajuda ainda maior, um indicativo de como pode ser a próxima safra.

“Como garantia, também esperamos que o governo mantenha a política de recursos para custeio, que não tem faltado nos últimos anos, e a política de seguros agrícolas para a produção do trigo”, completa o engenhemiro agrônomo Otmar Hubner, do Deral (Departamento de Economia Rural) do Paraná, principal Estado produtor de trigo do Brasil.

Em sua avaliação, os leilões de PEP realmente ajudaram na comercialização do trigo durante a safra passada, mas foram destinados a um produto de pior qualidade, que foi menos rentável para os produtores. “O trigo importado chegou ao mercado interno a preços competitivos, então as indústrias acabam comprando o trigo do mercado externo. Por isso, os leilões foram bons, mas não resolveram nosso problema de liquidez”, analisou. (Do site Campo News)