Vazio Sanitário tem início dia 1º em SP

Começa na próxima quarta-feira, dia 1º, o Vazio Sanitário no Estado de São Paulo. A normatização foi estabelecida pela Resolução SAA - 9, de 15 de março de 2007 para prevenir a proliferação da ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Ele se desenvolve em épocas de temperaturas amenas e bastante molhamento da folha.

Assim, o produtor deve manter sua área livre de plantas de soja até 30 de setembro. A rebrota das sementes da oleaginosa no meio de outras culturas, a chamada “soja tigüera”, deve ser extinta, já que esta pode ser um veículo transmissor da ferrugem.

A desobediência pode gerar penalidades, como multa. No Médio Vale do Paranapanema a fiscalização será realizada pela Defesa Agropecuária, por meio de visita a campo e denúncias.

Dados apontam que as perdas em lavouras onde não é realizado o controle têm sido bastante severas, sendo observadas nas situações mais críticas reduções acima de 70% na produtividade. Apesar de ter sido descrita pela primeira vez no Japão em 1903, a agressividade da doença no Brasil mostrou níveis nunca antes relatados. Segundo especialistas, isso se deve ao fato de o fungo ter encontrado neste País uma condição climática muito favorável ao seu desenvolvimento, a presença de hospedeiro durante todo o ano e uma grande extensão de área cultivada com soja.

Ao final da safra 2004/05, durante a reunião do Consórcio Antiferrugem (CAF), foi sugerida a elaboração de uma instrução normativa estabelecendo datas e épocas para evitar o plantio de soja na entressafra nas diversas regiões produtoras. No entanto, técnicos do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) sugeriram que, em função do nível tecnológico dos produtores de semente e da falta de resultados de pesquisa comprovando a influência do inóculo produzido na entressafra, deveria ser feita uma Recomendação Técnica Conjunta (RTC) apontando um calendário que resultava num período de 90 dias sem soja e sem plantas voluntárias de soja (tigüera).

De acordo com o engenheiro agrônomo da Coopermota, Willian Zardetto, é importante o produtor respeitar esse período, pois desta forma poderá ter uma safra de verão com facilidade de controle da ferrugem.

“É extremamente importante que se respeite esse período, pois o clima nessa época é bem propício a proliferação de várias doenças, principalmente da ferrugem”, completa.

O técnico ressalta, ainda, que para o plantio de inverno a lavoura de milho é mais rentável do que a da soja, caso não haja intempéries climáticas.

Ferrugem Asiática

A primeira constatação da ferrugem asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, em lavouras no Brasil ocorreu na safra 2001/02 e rapidamente espalhou-se pelas principais regiões produtoras, em função da eficiente disseminação pelo vento. O principal dano ocasionado por essa doença é a desfolha precoce, que impede a completa formação dos grãos, com consequente redução da produtividade. O nível de dano que a doença pode ocasionar depende do momento em que ela incide na cultura, das condições climáticas favoráveis à sua multiplicação após a constatação dos sintomas iniciais, da resistência/ tolerância e do ciclo da cultivar utilizada. Reduções de produtividade próximas a 70% podem ser observadas quando comparadas áreas tratadas e não tratadas com fungicidas.