Setor rural contesta atualização dos índices de produtividade da terra

O governo divulga, em menos de 10 dias, os novos índices de produtividade da terra. O compromisso foi assumido pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, em reunião com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST e segundo o próprio ministro, a medida já conta com aprovação antecipada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os produtores rurais da região não concordam com os argumentos do ministro Cassel e questionam a validade desses índices de produtividade. “O Brasil é o único país do mundo que possui os tais índices e é também o único país que não é parceiro dos produtores, por desrespeitar os direitos garantidos no Estatuto da Terra”, declara Orson Mureb Jacob, presidente do Sindicato Rural de Assis.

De acordo com Jacob, o produtor rural é o elo fraco da cadeia de produção e sempre serve de refém tanto para o mercado como para o governo, obrigado a aceitar os altos custos de insumo, se quiser garantir um mínimo de produtividade, ter que produzir sem garantias, sem política e ainda submeter-se à instabilidade do mercado na hora da venda da produção. “Quando tem produto não tem comprador. Veja o caso do milho no Mato Grosso, do café em Minas Gerais sendo vendido abaixo do custo, sem contar da crise na suinocultura e da produção de leite”, destaca Jacob.

A justificativa do ministro do Desenvolvimento Agrário para a atualização dos índices de produtividade é a reforma agrária, mas dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - Incra, revelam que há ainda 134 milhões de hectares de terra prontos para reforma. “A demagogia permeia o governo de cima a baixo”, alfineta Jacob, referindo-se ao foco do governo federal de atender a poucos, mas significativos no PIB Nacional e de posar como salvador da miséria para os menos favorecidos.

Para Jacob, o produtor está subsidiando a crise brasileira: “Os alimentos são baratos à custa de quê?”, questiona. “Nós, dos Sindicatos Rurais, sempre brigamos por uma política agrícola séria, por um seguro de produção e renda, pelo zoneamento agrícola baseado em módulos de produção, porque isso sim é papel do governo, e é isso que garantirá a sustentabilidade do setor rural?”.

Os Sindicatos Rurais da região enviarão ofício manifestando descontentamento à Federação da Agricultura do Estado de São Paulo - Faesp, à Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA, e aos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário. (Assessoria de Imprensa)