|
Cinema FAC exibe filme ‘Besouro’
O cinema FAC está exibindo, desde ontem, através do Projeto ‘Vá
ao Cinema’, o filme nacional ‘Besouro’. A ação, que tem duração
de uma hora e 35 minutos, foi lançado este ano, e tem direção de
João Daniel Tikhmiroff e produção de Vicente Amorim. O filme
fica em cartaz até domingo, dia 29. As sessões começam às 20h.
Os ingressos podem ser adquiridos na portaria do cinema a R$ 6
inteira e R$ 3 meia.
O filme conta a história de Manoel Henrique Pereira, que nasceu
pouco menos de dez anos da libertação dos escravos no Brasil.
Naqueles tempos pós-abolição os negros continuavam tão alijados
da sociedade que muitos deles ainda se questionavam se a
liberdade tinha sido, de fato, um bom negócio. Assim era a
sociedade rural brasileira de 1897, ano em que Manoel Henrique
Pereira, filho dos ex-escravos João Grosso e Maria Haifa, nasceu
na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.
Vinte anos depois, Manoel já era muito mais conhecido na cidade
como Besouro Mangangá - ou Besouro Cordão de Ouro -, um jovem
forte e corajoso, que não sabia ler nem escrever, mas que jogava
capoeira como ninguém e não levava desaforo para casa. Como
quase todos os negros de Santo Amaro na época, vivia em função
das fazendas da região, trabalhando na roça de cana dos
engenhos. Mas, ao contrário da maioria, ele não tinha medo dos
patrões. Há poucos registros oficiais sobre sua trajetória, mas
é de se supor que a postura pouco subserviente do capoeirista
tenha sido interpretada pelas autoridades da época como uma
verdadeira subversão.
Relatos de fugas espetaculares, muitas vezes inexplicáveis,
deram origem a seu principal apelido: Mangangá é uma denominação
regional para um tipo de besouro que produz uma dolorosa
ferroada. O capoeirista era, portanto, “aquele que batia e
depois sumia”.
A sua morte que ocorreu, também, num episódio cercado de
controvérsias. Sabe-se que ele foi esfaqueado, após uma briga
com empregados de uma fazenda. Registros policiais de Santo
Amaro indicam que ele foi vítima de uma emboscada preparada pelo
filho de um fazendeiro, de quem era desafeto. Já a lenda reza
que Besouro só morreu porque foi atingido por uma faca de ticum,
madeira nobre e dura, tida no universo das religiões
afro-brasileiras como a única capaz de matar um homem de “corpo
fechado”.
|