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Tecnologia do plantio direto poupa insumos em época de petróleo
caro
O preço do barril de petróleo acima dos US$ 100, com remotas
possibilidades de voltar ao patamar anterior, tem reflexos
diretos na agricultura, que se utiliza de seus derivados como
combustível, plásticos e fertilizantes e nem sempre consegue
repassar ao preço final o maior custo do produto, diz o
pesquisador Luis Felipe Villani Purquerio, do Centro de
Horticultura do Instituto Agronômico (IAC-APTA) da Secretaria de
Agricultura e Abastecimento.
“O combustível é utilizado em máquinas agrícolas para preparo de
solo, colheita e outras operações, bem como em geradores e
motores utilizados para o bombeamento de água. O plástico é
utilizado em embalagens, caixas, filmes para cobertura de
estufas agrícolas e em encanamentos utilizados para irrigação,
entre algumas de suas aplicações. E os fertilizantes são
utilizados para o fornecimento de nutrientes, essenciais para a
produção agrícola.”
Assim, Luis Purquerio considera que a adoção e a utilização de
tecnologias poupadoras de insumos devem ser priorizadas na
agricultura por parte de produtores, técnicos da extensão e da
pesquisa.
Uma destas tecnologias é o sistema de plantio direto na palha,
poupador de fertilizantes e combustíveis e que pode ser muito
útil neste novo contexto da economia mundial. Este sistema reduz
o desperdício dos fertilizantes colocados no solo, pelo controle
das perdas dos nutrientes por erosão, explica a pesquisadora
Isabella Clerici De Maria, do IAC-APTA.
“Com o sistema bem conduzido, com boa produção de palha para
cobertura, rotação de culturas e adubações equilibradas, com
base na análise do solo, os teores de nutrientes no solo, como
fósforo e potássio tendem a aumentar. O produtor pode conseguir
elevar o nível de fertilidade do solo e, sempre de acordo com a
análise do solo, reduzir a aplicação de fertilizantes”, diz
Isabella.
Custo de Produção
Entre as razões que explicam a crescente adoção de sistemas de
manejo conservacionista como o plantio direto, Isabella cita a
sensível redução no custo de produção (72 % de redução no
consumo de diesel); o excelente controle da erosão (redução em
90% das perdas de terra); o melhor aproveitamento da água no
solo (sistema colhe e plante) e a minimização dos impactos
ambientais.
O dispêndio energético total no plantio direto é 30% menor que
no sistema convencional, mostra estudo recente sobre o uso de
diferentes tecnologias na produção de milho, realizado pelos
pesquisadores Marli Dias Mascarenhas Oliveira, Silene Maria de
Freitas e Carlos Eduardo Fredo do Instituto de Economia Agrícola
(IEA-APTA). Porém os dispêndios energéticos, apenas nas
operações de pulverização, plantio/adubação e capina, são
superiores no plantio direto. É que as operações de preparo do
solo do sistema convencional (que são eliminadas no plantio
direto) representam 50,3%, provocando forte impacto na
contabilização geral, dizem.
Grande parte dos insumos envolvidos na cultura do milho é,
ainda, proveniente de energia fóssil, configurando grande
dependência e vulnerabilidade dos sistemas de produção, observam
os pesquisadores do IEA. Por isso, eles concluem: “Avanços na
redução do custo energético deverão ser provenientes da
substituição dos nutrientes químicos por adubos orgânicos,
rotação e/ou consórcio de leguminosas, bem como pelo uso do
biodiesel”.
Eficiência Energética
Outro estudo na mesma linha, que analisa a eficiência energética
da cultura do milho-safrinha no Médio Paranapanema, indicou que
“a eficiência energética do sistema de média tecnologia é
superior ao da alta tecnologia, porém os indicadores econômicos
mostram que o sistema de alta tecnologia é mais viável”. O
estudo foi apresentado no XXXVI Congresso Brasileiro de
Engenharia Agrícola, em 2007, pelos pesquisadores Marli
Mascarenhas Oliveira e Alfredo Tsunechiro (IEA) e Fernanda de
Paiva Badiz Furlaneto e Aildson Pereira Duarte (Pólo APTA Médio
Paranapanema).
Os pesquisadores da APTA concluíram que as origens das fontes
energéticas na cultura do milho precisam ser revistas para que a
atividade se mantenha sustentável a longo prazo. “Uma das
alternativas é a adoção de adubação orgânica e de combustível de
origem biológica como por exemplo o biodiesel. A viabilidade da
cultura do milho-safrinha sempre deve ser analisada do ponto de
vista energético e econômico, pois se observou que a eficiência
positiva do indicador energético não correspondeu aos resultados
econômicos apresentados pela cultura, levando em consideração a
produtividade, o preço de venda e o custo de produção”, afirmam
os pesquisadores.
Além do plantio direto que possibilita economia de combustível
pela menor movimentação do solo, Luis Purquerio cita a
utilização de análise de solo para o balisamento das
fertilizações, já que muitas vezes são realizadas em excesso
pela falta de critério. Ele também aponta a utilização de adubos
verdes, adubação orgânica, compostagem e outros insumos já
conhecidos na linha de agricultura sustentável, que substituam
os fertilizantes solúveis. “Ressalta-se que para o manejo
adequado de qualquer sistema de produção é necessário o
conhecimento técnico multidisciplinar encontrado junto a
engenheiros agrônomos e profissionais da cadeia produtiva
agrícola”, conclui.
Histórico
“O sistema plantio direto é uma técnica relativamente recente
como técnica de manejo na exploração agrícola. As primeiras
experiências no Estado de São Paulo ocorreram na região do Médio
Vale do Paranapanema na década dos setentas”, diz Isabella .
Trata-se de sistema de manejo conservacionista adotado em 95
milhões de hectares em nível mundial. No Brasil, estimam-se mais
de 23 milhões de hectares com alguma modalidade de manejo
conservacionista do solo.
O IAC e demais instituições da APTA têm longa experiência em
pesquisas desenvolvidas em ensaios instalados em áreas de
agricultores e estudos mais detalhados realizados em suas
unidades experimentais. Os primeiros resultados foram obtidos em
ensaios sobre o controle da erosão estabelecidos na década de
70, mostrando as vantagens do sistema para a conservação do solo
e para a economia de combustíveis.
Outro exemplo dessa experiência no sistema plantio direto foram
os primeiros ensaios com plantio direto no Médio Vale do
Paranapanema, iniciados em 1985 e instalados em propriedade
particular no município de Palmital. Os resultados desse
trabalho geraram conhecimentos (rotação de culturas,
fertilidade, dinâmica da água e qualidade do solo) em plantio
direto para a região, que foram divulgados para os agricultores.
Atualmente, Palmital é um dos municípios com maior porcentagem
de lavouras em plantio direto no Estado de São Paulo, segundo
Isabella De Maria. Na região do Complexo Cristalino,
apontaram-se, entre outros, dois problemas relacionados com a
produção agrícola: a conservação do solo em terras de alta
declividade e o desenvolvimento de sistemas de produção com
sustentabilidade, que tem no plantio direto uma solução.
Recentemente, no Médio Vale do Paranapanema, dificuldades
enfrentadas por agricultores na operação de semeadura sobre
palha de milho foram contempladas com um trabalho destinado a
desenvolver modificações no sistema de corte de palha e haste
sulcadora em uma semeadora-adubadora de plantio direto. O
objetivo é minimizar os problemas de embuchamento no plantio
sobre palha.
No Oeste Paulista, a integração lavoura-pecuária com plantio
direto tem sido a principal opção para o manejo sustentável, com
diversos ensaios buscando soluções sobre o sistema estão em
andamento. E, para a cana-de-açúcar, informações sobre o sistema
de plantio direto estão sendo obtidas em solos arenosos e
argilosos.
Segundo Isabella De Maria, a maioria das áreas de exploração
agropecuária do Estado está localizada em regiões de baixa
altitude e com inverno seco, onde os agricultores têm enfrentado
algumas dificuldades no estabelecimento do sistema de plantio
direto. A pesquisadora também destaca as regiões de Guaíra,
Casabranca e Holambra II, onde existem as maiores concentrações
de agricultores irrigantes, que utilizam o sistema de plantio
direto com freqüência.
As particularidades do ambiente de produção e da ocupação do
solo nessas regiões exigiram que se gerassem e transferissem
tecnologias regionalizadas para a consolidação desta prática
conservacionista em todo o Estado de São Paulo, diz De Maria.
Este trabalho do grupo de pesquisa da APTA, com vistas a
integrar e organizar as ações, bem como aumentar a eficiência do
processo de geração e difusão de tecnologias, está sendo
consolidado no Programa de Pesquisa em Plantio Direto
(SPDireto), conclui Isabella De Maria. (Colaborou Assessoria
de Imprensa)
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