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Desembargador defende obrigatoriedade de corretor
Na última semana, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis
de São Paulo organizou evento especial para recepcionar o
desembargador Henrique Nelson Calandra em sua sede. Com o
propósito de ministrar palestra e debater a importância da
intermediação nas transações imobiliárias, Calandra não se
limitou a ressaltar os aspectos legais da corretagem.
Ao contrário, o magistrado ofereceu uma visão bastante pessoal
ao comentar o fato de seu pai ter sido também corretor de
imóveis, enfatizando a lealdade, a ética e o compromisso com os
clientes como valores com os quais ele tomou contato já em sua
infância. “Acredito que essa aproximação entre o Tribunal de
Justiça e o Creci-SP faz com que nossos julgamentos não sejam
somente ditados pelas formalidades das leis, mas que sejam
produtivos para os profissionais e a sociedade.”
Presidente da Apamagis - Associação Paulista de Magistrados - o
desembargador falou para uma platéia seleta de profissionais,
dentre os quais o presidente da Uvesp - União dos Vereadores do
Estado de São Paulo - Sebastião Misiara; a presidente do Centro
de Estudos e Apoio aos Municípios e Empresas, Dalva
Christofoletti; a diretora do Inesp, Evani Roque; o presidente
da Associação Paulista de Imprensa, J. B. Oliveira; o presidente
da Associação Brasil Transparente (Abeta), Francisco Silveira
Mello; e Sergio Marques Roque, presidente da Associação dos
Delegados de Polícia. Também estiveram presentes diretores,
conselheiros e delegados do Creci-SP.
Segundo Calandra, é essencial que o intermediador disponha da
maior quantidade possível de informações, visto que os clientes
precisam de proteção e de serem tratados com a verdade e com
conhecimento técnico. “É comum nos depararmos nos tribunais com
corretores que empregaram todos os seus esforços para aproximar
as partes e, no momento de obterem seus honorários, todo o seu
trabalho se transforma em processo e em litígio.”
O desembargador defendeu uma reformulação na legislação, no
sentido de tornar obrigatória a intermediação dos negócios
imobiliários pelo corretor, especialmente em transações
complexas que envolvam quantias significativas, para que seja
coibida a ação de pessoas que não são do ramo. “Quantos negócios
resultam em demandas enormes na Justiça porque não tiveram a
assistência de um profissional”, ponderou Calandra.
O presidente da Abeta concordou com o posicionamento do
magistrado. “As pessoas têm que ter essa consciência, para que
não se sintam enganadas por especuladores”, afirmou Mello. “A
população, infelizmente, se esquece dos pequenos delitos, e
exercício ilegal da profissão é crime”, ressaltou Sergio Marques
Roque.
Para o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, a
importância dada à atividade por um representante da Justiça só
faz enfatizar o compromisso que cada intermediador tem que
assumir no atendimento a seus clientes. “Embora o Conselho seja
um órgão de registro profissional, atuamos, também, como um
tribunal ético-disciplinar frente a nossos inscritos e estamos
empenhados em proporcionar essa segurança e tranquilidade à
sociedade.” “Esta palestra reforça meu respeito ao Poder
Judiciário”, finalizou Dalva Christofoletti.
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