Professora da Fema participa de seminário em Goiânia

Até o próximo dia 30, acontece em Goiânia (GO) o ‘2º Seminário Nacional de Experiências na Atenção à Violência Doméstica e Sexual’, que tem como objetivo refletir e divulgar as experiências realizadas na atenção às pessoas que vivem em situação de violência intencional, seja doméstica ou a sexual. A professora e coordenadora do curso de Enfermagem da Fema, Teresa Cristina Prochet, participa do evento com o relato de experiência ‘Construção do significado de violência sexual por usuários e profissionais’, abordando como tema Violência e Cultura.

“Existe no Hospital Regional de Assis um programa chamado ‘Pétala’, do qual faço parte e que presta atendimento a vítimas de violência sexual. Esse projeto realizou trabalhos em 25 cidades de nossa região e foi aí que surgiu a idéia de montar uma pesquisa para definir o que as pessoas entendem como Violência Sexual”, explica Teresa. “Esse trabalho consiste em um relato de prática dos atendimentos que nós realizamos com pessoas vítimas da violência sexual em Assis e região”, completa.

Para Teresa é importante que se abra um debate sobre esse tema: “É preciso que a sociedade se conscientize sobre essa questão. Muitas pessoas consideram como violência sexual apenas o ato da penetração, ignorando outros aspectos como, por exemplo, abusos ou atentado violento ao pudor”, afirma.

Prochet ainda enfatizou a importância de trazer essa temática, muitas vezes ignorada, para a grade do curso de Enfermagem: “Essas questões são discutidas em uma matéria chamada Saúde da Mulher, da qual também sou professora”. A professora finaliza revelando que “além de representar o nome da Fema, essa questão é extremamente importante para que os alunos percebam um novo e importante campo de pesquisa”.

Combate ao abuso e exploração sexual de menores

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi criado pela Lei n.º 9.970, de 17 de maio de 2000, em razão de um crime que comoveu o Brasil, ocorrido em Vitória, capital do Espírito Santo, no ano de 1973, quando Araceli Cabrera Crespo, de oito anos, foi covardemente espancada, violentada e assassinada. Até hoje, nenhum culpado pelo crime foi punido. Por ocasião da data, entidades e órgãos governamentais ligados à defesa dos direitos humanos celebram em 18 de maio o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”.

As estatísticas mostram que no Brasil, em geral, a violência sexual e a exploração comercial têm se dado mais no âmbito familiar. “Existe o que chamamos de pacto velado do silêncio dentro da família, quando há uma cumplicidade indireta visando à preservação da imagem. Mais de 50% dos agressores se encontram dentro da família e os crimes na maioria das vezes é praticado por pais e padrastos”, revela o professor. “O grande problema é que muitas vezes esses casos não são denunciados, mas isso não quer dizer que eles não existam. Eles estão dentro do que chamamos de cifras negras”, completa.

Para Luis Fernando é preciso que haja uma atenção especial com os menores que sofrem esse tipo de violência: “É preciso que haja um acompanhamento psicológico, pois a vítima pode sofrer danos psicológicos irreparáveis, podendo até se tornar um futuro agressor”. Embora devam ser combatidas igualmente, o professor diz que é preciso enfatizar que pedofilia e exploração sexual não são a mesma questão. A pedofilia está mais voltada para o sexo masculino como vítima, enquanto exploração sexual tem uma conotação comercial, caracterizada pela prostituição infantil.

Na cidade

Algumas medidas já estão sendo tomadas em Assis, segundo o professor: “Estamos tentando nos mobilizar para formar aqui na cidade uma rede de atendimento, para atender não só a vitima, mas também o agressor. Entendemos que não basta o agressor ser punido judicialmente, porque ele é condenado, mas pode voltar a agredir uma criança posteriormente. Por isso devemos trabalhar os dois lados dessa questão”.

Luis Fernando finaliza fazendo um apelo à sociedade: “Não podemos nos calar diante dessa questão e devemos denunciar qualquer forma de violência sexual ao Conselho Tutelar, o Ministério Público ou as Policias para que estes crimes sejam punidos”. (Colaborou Assessoria de Comunicação)