Cândido-motense mata saudades de amigos pela internet

O mundo pós-internet tornou o relacionamento entre as pessoas muito mais próximo. É fácil fazer contatos e matar saudades com apenas um ‘click’ no computador. Para a cândido-motense Ismênia Ramos Garcia Rosa, hoje residente em São Paulo, falar de Cândido Mota ‘é sempre um orgulho’.

Ela se mudou para a capital paulista em 1973. Até 1996 ela costumava vir seis vezes por ano para a cidade natal, mas, depois desse ano perdeu contato. Contudo não esque os amigos que ainda tem no município. Em carta enviada à Redação, ela relembra da infância em Cândido Mota, dos bares que frequentava e dos casais com quem tinha contato.

Abaixo, o texto na íntegra, onde também ela presta homenagem a amigos que deixou na cidade.

“Sou a maior fã de Cândido Mota.

Estou em São Paulo desde 1973, todos os anos ia para Cândido Mota pelo menos seis vezes. Mas em 1996 eu perdi totalmente a vontade de ir à cidade porque eu já não tinha mais aquele que me esperava na estação de trêm. Eu ia muito de trêm e ‘de segunda classe’, porque podia ir fumando, comendo e conversando com todos. Quando eu chegava nem dormia porque passava tão rápido. Saia à noite com meus sobrinhos para comer bauru no ‘Tadachi’ e tomar sorvete na ‘Maria’.

Íamos de carrocinha. Eu punha todos eles na carrocinha e saia puchando, quando voltávamos, 2h da madrugada ou mais. Sou viúva; meu marido era sobrinho do ‘cabo Bento’ e foi criado por ele desde pequeno. Até hoje tenho o maior despeito de ter mudado de Cândido Mota, mas isso aconteceu somente por falta de serviço. Mas tenho a terra de Cândido Mota, da minha casa, da casa do ‘more’, da casa do Tico, do terreno do Vieira, onde passei a minha infância e juventude.

Tenho amigos ainda em Cândido Mota. Mas, a maior graça que um ser pode receber na vida eu tenho, que é o registro da minha filha em Cândido Mota, onde, como eu, ela também nasceu. É a única filha. Meu marido se chamava José Garcia Rosa Neto e minha filha se chama Silmara Garcia Rosa.

Eu e meu marido estudamos no ‘Grupão’. Meus professores foram a dona Julieta, a dona Dirce, a dona Maria Marabá, a dona Raquel e a substituta dona Cecília Meireles. Jamais me esquecerei daqueles que considero os melhores casais em Cândido Mota, o senhor Guilherme Cavina e a esposa dona Aninha, e o doutor Fábio Vieira e a dona Mariza. Eles sempre foram grandes casais. Enfim, espero que esse amor que sinto por Cândido Mota seja cada vez maior”. Atenciosamente, Ismênia Ramos Garcia Rosa.